Os dominicanos, apóstolos do diálogo, celebram seus 800 anos

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Por: André | 10 Novembro 2015

Os dominicanos iniciaram no último fim de semana um ano de orações para celebrar os 800 anos da fundação da sua Ordem religiosa, convertida em ator original do diálogo com o Islã no Oriente Médio.

 
Fonte: http://bit.ly/1QqpJMV  

A reportagem é publicada por Religión Digital, 08-11-2015. A tradução é de André Langer.

Uma bula do Papa Honório III criou, em 1216, a Ordem, que nasceu no sudeste da França em torno de Domingos de Gusmão, um pregador itinerante espanhol. O sucesso foi imediato para seus membros, que levavam uma vida simples, feita de estudo e pregação e que mostraram muitas vezes sua audácia e do quanto estavam à frente do seu tempo, recorda frei Bruno Cadoré, frade francês especialista em bioética e mestre da Ordem desde 2010.

É verdade que os dominicanos viveram uma época sombria com a Inquisição, quando os discípulos de Santo Domingos “tiveram o orgulho de pensar que poderiam adonar-se da verdade”, disse frei Cadoré. Mas, mais tarde, alguns deles também se envolveram na defesa dos índios durante a conquista do continente americano, recorda. Cadoré também destaca a formação dos discípulos.

“Desde os primeiros anos, pedimos aos freis que aprendam árabe e estudem a filosofia e a cultura árabes”, explica. A Ordem continua presente em vários países do Oriente, desde a Escola Bíblica de Jerusalém até o Instituto Dominicano de Estudos Orientais (IDEO) do Cairo, que está em contato com a grande universidade sunita de Al Azhar. Na capital egípcia, os pesquisadores do IDEO servem de “ponte” para uma melhor compreensão entre cristãos e muçulmanos, em uma época de violenta radicalização religiosa.

No ano passado, vários dominicanos salvaram cerca de 800 manuscritos orientais no Iraque, durante a tomada da cidade de Mosul (norte) pelos jihadistas do grupo Estado Islâmico, e os levaram para o Curdistão iraquiano.

Os dominicanos, que estão hoje em um segundo plano em relação aos jesuítas e os franciscanos, são, no entanto, bons representantes da “cultura do diálogo” defendida pelo Papa Francisco. Cadoré considera que os dominicanos devem entabular “uma amizade bondosa” com seus “contemporâneos, cristãos ou não” e conversar “com todos os homens, sobretudo aqueles que não podem contar com ninguém”.

A Ordem está presente nos cinco continentes e tem mais de 800 conventos e mosteiros, com 30 mil religiosas contemplativas e 6 mil frades e 150 mil leigos, assim como 40 mil religiosas apostólicas distribuídas entre mais de cem congregações. Desde o começo, Santo Domingos, que nasceu em 1170 em uma família abastada da Espanha e morreu em 1221 em Bolonha, teve ao seu lado religiosos, freiras e leigos: uma tríplice dimensão que continua até hoje.

A sede da Ordem encontra-se em Roma, na colina do Aventino. Há 800 anos, Domingos já rezava na elegante Basílica de Santa Sabina, ao lado da qual construiu uma humilde cela. Os dominicanos também olham para o futuro, como o frei francês Éric Salobir, de 45 anos, “responsável pelos meios de comunicação e da tecnologia”, que entrou na Ordem em 2000, após terminar seus estudos em uma escola de administração.

Salobir é o protótipo desses novos freis modernos, que consideram que as redes sociais são chaves para entabular o diálogo. Após dirigir filmes, criar editoras, estações de rádio, produtoras e universidades onde se ensina comunicação e jornalismo, os dominicanos centram-se agora na internet e propõem, por exemplo, tempos de oração ou de retiro espiritual on-line, que são acompanhados por milhares de internautas.

Mensagem de Bruno Cadoré, OP:

“Alegra-me saudar a todos os freis, irmãs e leigos dominicanos nesta abertura do ano do Jubileu Dominicano da Ordem dos Pregadores e alegra-me saudá-los desde a Basílica de Santa Sabina, que foi entregue a Santo Domingos.

Por quê? Em primeiro lugar, porque Santa Sabina é o lugar onde se arraiga a pregação de Domingos. Domingos gostava de rezar aqui, gostava de contemplar, falar a Deus. Gostava de deixar que os mistérios da vida de Cristo habitassem sua própria vida. E, além disso, ele gostava também, segundo se conta, falar a Deus daquelas e daqueles que tinha encontrado, com quem tinha conversado sobre o Evangelho da Paz.

E aí, em sua conversação com Deus, encontrava a força para sair para pregar novamente. Sair para pregar era, para ele, como mostra o mosaico de Santa Sabina, pregar a unidade. A unidade entre a circuncisão e a gentilidade, a unidade entre aqueles que creem e aqueles que não creem, a unidade de todos, porque todos somos capazes de uma mesma comunhão.

Era isto que Domingos queria anunciar. E ele encontrava a convicção para fazê-lo na visão de Pedro e Paulo: Paulo entrega-lhe a Escritura, a revelação, a unidade e o desígnio de Deus, ao passo que Pedro entrega-lhe o bastão do peregrino para que possa partir. Então, Domingos sai e abre a porta!

O Jubileu na Ordem consiste nisto: ele abre a porta, olha a porta e vê nela a primeira representação da crucifixão. Pregar o Evangelho da paz é pregar a vida dada em abundância por um Messias crucificado. Então, ele sai e vai ao encontro de todos aqueles e aquelas nos quais Cristo o precede.

Um lema para este Jubileu: vê e prega!”

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