"Os cardeais deixaram os carros de luxo na garagem, mas continuam morando em apartamentos de 500 metros quadrados". Entrevista com Gianluigi Nuzzi

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04 Novembro 2015

Não é a primeira vez que um livro de Gianluigi Nuzzi, jornalista e escritor italiano, enfurece o Vaticano, mas, desta vez, a publicação de Via Crucis (Ed. Chiarelettere) é até precedida por prisões.

A reportagem é de Carlo Tecce, publicada no jornal Il Fatto Quotidiano, 03-11-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.

Por que o Vaticano teme o livro tanto assim?

Eu conto pela primeira vez a "Via Crucis" de Francisco, que começou logo que ele se tornou papa, por levar adiante as reformas, mudar a Cúria, afastar os mercadores do templo. O livro revela a situação dramática que Jorge Mario Bergoglio herdou de Joseph Ratzinger, feita de negócios opacos, privilégios, perseguições. Temem-se os livros que contam os fatos, reconstruindo-os com documentos incontestáveis, que querem dar a conhecer essas realidades que nada têm a ver com o Evangelho, que testemunham os contínuos obstáculos que impedem que esse pontífice alcance os objetivos que ele anuncia. Bergoglio não faz marketing, é ele mesmo, mas se defronta com uma Cúria em que a mudança nos dicastérios, nos postos de comando ocorre lentamente para não criar fraturas.

O que essas relações secretas sobre os orçamentos e sobre as finanças vaticanas demonstram?

Que os cardeais deixaram os carros de luxo na garagem, mas continuam morando em apartamentos de 500 metros quadrados, enquanto o único que quer mudar realmente – Bergoglio, justamente – vive em apenas 50 metros quadrados. É um exemplo banal que explica bem as contradições ainda muito fortes do Vaticano.

O livro também contém gravações do papa. O que elas dizem?

São reuniões das quais participaram cardeais e monsenhores. O papa acabara de ser eleito, mas já mostra que conhece bem as dramáticas criticidades da Cúria. Ele diz que os gastos, as contas estão fora de controle e faz um exame impiedoso da situação, daqueles que se aproveitam dela e daqueles que agem como incompetentes. O simples fato de que um pontífice deva se ocupar – e controlar, como eu descobri – até mesmo os trabalhos de construção e as compras indica qual é a real situação do outro lado do Rio Tibre.

O que você acha das prisões de Vallejo Balda e de Francesca Chaouqui, acusados de terem roubado documentos confidenciais?

O que se pode pensar de quem responde a um livro com as algemas? Depois, certamente, folheando o livro – capítulo por capítulo – eu encontro muitas respostas para essas prisões, para aqueles que têm medo que os escândalos surjam, que se saiba quanto dinheiro dado para a beneficência foi, ao contrário, subtraído das obras de caridade previstas pelo Óbolo de São Pedro ou a história das 400 contas correntes bloqueadas durante a noite no IOR para todas as operações relacionadas com as santificações e as beatificações.

Você acha que o Vaticano pode obstaculizar, de algum modo, a publicação do seu livro?

Ele já está fazendo isso, tentando arrastar a nós, jornalistas, para a telenovela de corvos, urubus, faisões, fofocas e sabe-se lá o que mais, tentando distrair do conteúdo de um livro que se baseia nos fatos, os únicos que importam para mim como cronista.

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