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24 Outubro 2015

A Palavra deste domingo é um convite à alegria. Deus nos convida a responder a ela, colocando nossa confiança em Jesus, sejam quais forem as nossas dificuldades. Temos de gritar para ele assim como o Bartimeu: "Jesus, Filho de Davi, tenha piedade de nós!"

A reflexão é de Marcel Domergue, sacerdote jesuíta francês, publicada no sítio Croire, comentando as leituras do 30º Domingo do Tempo Comum (25 de outubro de 2015). A tradução é de Francisco O. Lara, João Bosco Lara e José J. Lara.

Eis o texto.

Referências bíblicas:
1ª leitura: «Eu os trarei e os reunirei desde as extremidades da terra; cegos, aleijados...» (Jeremias 31,7-9)
Salmo: Sl 125(126) R/Maravilhas fez conosco o Senhor, exultemos de alegria!
2ª leitura: «Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedec.» (Hebreus 5,1-6)
Evangelho: «Rabbuni! Que eu possa ver novamente!» (Marcos 10,46-52)

Os obstáculos na caminhada

Os cegos e aleijados, as grávidas e parturientes da primeira leitura são pessoas que, evidentemente, têm deficiências ou apresentam dificuldades no caminho para a liberdade. O sentido do texto é claro: nenhuma deficiência ou obstáculo pode impedir alguém de tomar este caminho. Por um lado, porque todo o mundo é capaz de "recuperar as pernas", quando o desejo é forte o bastante e, por outro lado, porque o próprio Deus "faz os coxos andarem" e "os cegos recuperarem a visão". O caminho está preparado para que os viajantes não tropecem. E de que viagem se trata? De imediato, da volta do exílio na Babilônia. Mas esta volta é toda ela calcada no Êxodo, que criou Israel como um povo. Por fim, trata-se da caminhada de todos nós e de cada um de nós rumo à nossa criação perfeita e acabada. O evangelho nos mostra Jesus a caminho da sua Páscoa que será o cumprimento dos tempos, a geração do homem novo, a passagem do homem para Deus. Com Jesus, a criação que vem se completando torna-se efetiva, e todas as antigas figuras são agora realizadas.

O cego de Jericó

Acabo de dizer que ninguém deve se considerar incapaz para a caminhada da criação: o cego de Jericó ilustra bem isto. Primeiro, “estava sentado à beira do caminho” (imóvel, portanto, e marginalizado em relação à caminhada pascal do Cristo). Fora da "grande multidão", era apenas um “mendigo”, o que sublinha a sua dependência. No final da história, reencontrou a sua mobilidade e, assim, foi seguir Jesus. Devemos notar o contraste entre o "à beira do caminho", do versículo 46, e o "pelo caminho", do versículo 52. E sua situação com respeito à multidão também mudou: no princípio estava à margem, para mendigar e, no final, já estava no meio do povo. Entre um ponto e outro, temos a imagem estranha, de um cego capaz de saltar, dirigindo-se a Jesus. Pouco importa a materialidade dos fatos: a fé já havia começado a agir. A fé que salva (versículo 52) e que o põe a caminho. A fé nascente, que lhe permite ir até Jesus que havia "parado" (versículo 49); e a fé plena, que lhe permite seguir Jesus que caminha para a Páscoa. Outro detalhe significativo é o "levanta-te" (a palavra da ressurreição, no versículo 49) oposta à palavra "sentado" do versículo 46. Há a passagem também do "filho de Davi" (versículo 48) ao "Rabbuni" ou “Mestre” (versículo 51), nome usado para designar o próprio Deus. Ainda aí, a maturação da fé.

"Chamai-o" (versículo 49)

Vemos Jesus se deslocar com frequência, para impor as mãos, etc. Esta imagem de Jesus que se desloca é muito rica: põe em evidência a ação de Deus que vem encontrar o homem em suas aflições. Jesus, aqui, exigiu que o movimento partisse do cego e, já o disse, este movimento colocou em caminhada este homem que estava paralisado. E mais: a multidão que o seguia também foi mobilizada: teve de chamar o cego e dizer-lhe "Levanta-te!". Foi a conversão da multidão, pois, no versículo 48, as pessoas buscavam fazer o cego calar-se. Há aí, talvez, uma imagem da necessária conversão da Igreja, dos discípulos, e a imagem também da função de mediação, dos intermediários, dos crentes: o amor de Deus chega até os homens através de outros homens, facilitando aos mensageiros a sua conversão para o amor.

"O que queres que eu faça por ti?" (versículo 51)

É uma questão surpreendente! Jesus não podia de fato ignorar o que o cego queria dele. Porque, então, fez com que falasse? Jesus não disse: "Vosso Pai sabe do que tendes necessidade antes de lho pedirdes"? (Mateus 6,8). Pois esta é justamente a explicação: Deus sabe desde antes, e devemos estar conscientes disto, pois é o que funda a nossa confiança. Mas não nos dispensa de pedir, porque, pedindo, saímos do silêncio e estabelecemos uma relação. Ou, antes, ratificamos a relação que já existe. O ex-cego segue Jesus: um novo laço nasceu entre eles, mas, para isso, foi preciso que o homem se dirigisse ao Cristo e lhe contasse o seu desejo. Assim como, em Marcos 5,33, Jesus não se contenta com uma cura sem palavras, mas obriga a mulher (a hemorroíssa) a dizer-lhe "toda a verdade". É preciso ler também Filipenses 4,6. A relação que se estabelece entre Deus e o homem é mais importante até do que o objeto mesmo da oração.

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