Napier, a voz da verdade sobre a carta dos 13 cardeais

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Por: André | 22 Outubro 2015

Foi preciso contar com a ajuda deste arcebispo africano para esclarecer publicamente as verdadeiras razões da carta, da qual ele é um dos signatários. Tudo começou no Sínodo de 2014 e nas manobras de alguns para forçar os resultados do mesmo. Seguem suas palavras textuais.

A reportagem é de Sandro Magister e publicada por Chiesa.it, 21-10-2015. A tradução é de André Langer.

Quatro dias antes que a carta dos 13 cardeais a Francisco passasse a ser de domínio público, ele já estava sendo apontado como um dos “conspiradores” que queriam sabotar o Sínodo e atacar o Papa.

Após a publicação da carta, a agressão contra ele e os outros signatários foi ainda mais virulenta, com o ativo apoio de quem administra, no Vaticano, a informação sinodal.

Até que chegou o dia 20 de outubro, dia em que o cardeal Wilfrid Fox Napier, arcebispo de Durban, África do Sul, pôde finalmente dizer sua verdade sobre o Sínodo e a carta dos 13 ao Papa, no marco oficial da coletiva de imprensa diária moderada pelo Pe. Federico Lombardi.

Napier interveio na coletiva de imprensa na qualidade de co-presidente delegado do Sínodo. Uma presença obrigatória. Era a primeira vez que um dos 13 signatários da carta aparecia na Sala de Imprensa vaticana depois da explosão do caso.

Não podia faltar uma pergunta “ad hoc” para ele. E de fato foi feita, pontual e polêmica, feita por um destacado jornalista do catolicismo “liberal” americano, Robert Mickens, fundador e diretor da Global Pulse Magazine.

A pergunta de Mickens e a resposta do cardeal Napier, ambas em inglês, foram transcritas e traduzidas integralmente mais abaixo. Mas, para que se entenda melhor o que está em jogo, são necessárias algumas observações.

O livro que Mickens suspeita ter sido inspirado pelo cardeal Napier é The Rigging of a Vatican Synod, do vaticanista Edward Pentin do National Catholic Register, publicado no verão passado em forma de E-book pela Ignatius Press: uma reconstrução detalhada da “manipulação” do Sínodo de 2014.

Efetivamente, em sua resposta para explicar os motivos da carta dos 13 cardeais, Napier parte precisamente das manobras que ele mesmo revelou e desmascarou publicamente no Sínodo do ano passado.

Napier recorda a dinâmica essencial destas manobras. Desenvolveram-se em particular na redação e publicação da Relatio da metade do Sínodo e, depois, na redação da Relatio final.

A comissão encarregada para redigir as duas Relatio, nomeada inteiramente pelo Papa Francisco, era então formada pelos seguintes padres sinodais:

– Cardeal Peter Erdò, relator-geral do Sínodo:

– Cardeal Lorenzo Baldisseri, secretário-geral;

– Bruno Forte, secretário especial;

– Cardeal Gianfranco Ravasi, presidente do Pontifício Conselho para a Cultura;

– Cardeal Donald W. Wuerl, arcebispo de Washington;

– Víctor Manuel Fernández, Argentina;

– Carlos Aguiar Retes, México;

– Peter Kang U-Il, Coreia;

– Pe. Adolfo Nicolás Pachón, prepósito-geral dos jesuítas.

Forte, Wuerl e Fernández foram os mais ativos e inescrupulosos em levar adiante sua “agenda”, como hoje a chama Napier. Mas as reações da aula sinodal foram tão duras que induziram Francisco a incluir na comissão, na fase final do Sínodo, o próprio Napier e um bispo australiano, Denis J. Hart.

Também este ano a comissão para a redação da Relatio final foi toda ela nomeada por Francisco; nela incluiu novamente os três padres sinodais que acabamos de citar. Um deles foi, Wuerl, nos dias precedentes, o mais ofensivo, atacando publicamente os 13 signatários da carta ao Papa, incluindo o Napier.

Não surpreende, portanto, que Napier atribua precisamente aos acontecimentos de outubro de 2014 as “preocupações” submetidas este ano à atenção do Papa na carta dos 13 cardeais, para que não se repitam os abusos cometidos naquela época.

Napier julga positiva a resposta obtida de Francisco, já no dia seguinte à entrega da carta.

Mas ele também esclarece ter despertado novamente a atenção do Sínodo sobre os riscos expostos na carta desempenhou em favor de uma execução mais correta dos trabalhos, dado o consequente maior controle exercido por todos sobre a comissão que tem a tarefa de escrever a Relatio.

Mas deixemos a palavra com Mickens e Napier.

-------

MickensCardeal Napier, você respaldou um livro escrito por um dos nossos companheiros de profissão. Nesse livro, no qual suponho que você colaborou, e que substancialmente acusa a secretaria do Sínodo e a outros de terem manipulado o Sínodo. Treze cardeais escreveram uma carta ao Papa no início desta assembleia manifestando preocupação sobre irregularidades na metodologia. Você se dissociou? Ou, talvez, possa nos esclarecer se colaborou também com esta carta? Hoje acaba de nos dizer que está gostando da metodologia. O que mudou neste Sínodo em relação à última assembleia? Foi suficiente que o Papa tenha garantido que vai bem? Ou, então, tem algum outro motivo? Porque não parece que a metodologia tenha mudado de maneira drástica. Pode, pelo menos, nos explicar o que mudou em sua mente, visto que agora se considera satisfeito em relação à última assembleia? Obrigado.

Napier – Penso que a primeira coisa que é preciso dizer é que no Sínodo anterior havia alguns elementos que eram motivo de preocupação. E um deles foi apresentar a relação intermediária como se tivesse sido um produto do Sínodo, como se fizesse parte da deliberação do Sínodo. E isto não era verdade, porque recebemos o documento quase uma hora depois de vocês, os meios de comunicação. Só nesse momento pudemos começar a lê-lo. E esse documento já dizia coisas que eu sabia que tinham sido ditas na aula por duas ou três pessoas, no máximo, mas que, ao contrário, eram apresentadas como se tivessem sido reflexão do Sínodo. Bem, isto dava certamente a impressão de que o Sínodo tinha tomado uma certa direção. Eu fazia parte também da comissão que redigiu o documento final. E também ali havia algumas matérias que, novamente, tomavam uma certa direção. Por conseguinte, neste sentido, parecia que uma particular ideologia, ou agenda, ou como se queira chamá-la, estava em andamento.

E a carta à qual você faz referência é, certamente, uma carta privada de cardeais e bispos dirigida ao Papa e escrita no espírito daquilo que o Papa Francisco disse no início do Sínodo do ano passado, quando disse: “Por favor, falem aberta e honestamente, mas escutem com humildade”. E era dirigida a ele com este espírito. O Papa Francisco respondeu com a declaração que fez no dia seguinte, penso, de tê-la recebido. E isto marcou uma diferença muito grande no grau de segurança e confiança, porque as preocupações foram levadas em consideração, prestou-se atenção às mesmas e a partir desse momento todos fomos ao Sínodo para trabalhar com todo o nosso potencial.

Penso que foi isso que experimentei e é o motivo pelo qual considero que este Sínodo retoma sua caminhada desde onde a deixou a primeira semana do Sínodo precedente, quando todos estávamos otimistas e ansiosos para trabalhar juntos seriamente, como uma equipe, sobre as questões, com essa sinodalidade – o Papa gosta tanto de usar estas palavras, colegialidade e sinodalidade –, trabalhando juntos como colegas na direção do que é melhor para a Igreja.

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