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Por: Jonas | 15 Outubro 2015

Marcos Pearson, coordenador do Programa de Economia Social e Solidária, da Secretaria de Extensão da Universidade Nacional do Centro da província de Buenos Aires (UNICEN), afirma que apesar do desenvolvimento conquistado, representado em um milhão de postos de trabalho e 10% do PIB da Argentina, a economia social ainda não conseguiu superar as barreiras da comercialização e sustenta que é necessário gerar estratégias de comunicação para vencer este obstáculo. Seu artigo é publicado por Página/12, 14-10-2015. A tradução é do Cepat.

Eis o artigo.

São 27.000 cooperativas, 4.900 mutualistas, 500.000 ‘monotributistas’ sociais, mais de 300 empresas recuperadas e autogeridas por seus trabalhadores, 1.600 organizações de microcrédito, 400.000 produtores da agricultura familiar, que produzem 70% dos alimentos que consumimos, 600 feiras de comércio livre e/ou da economia social e solidária, com seu característico formato “do produtor ao consumidor”, 100 armazéns e mercados populares: esta é a economia social e solidária que, em nosso país (Argentina), representa mais de um milhão de postos de trabalho, contribuindo com aproximadamente 10% do PIB.

Como se observa nos números, a economia social e solidária representa hoje, na Argentina, uma importante capacidade de geração de trabalho e de produção de bens e serviços para nossa comunidade. Mais ainda: seus esquemas de organização abastecem nossas comunidades com uma alternativa cada vez mais consolidada para pensar em outros modelos de desenvolvimento: mais justos, mais humanos e, claramente, mais sustentáveis.

Apesar do cenário descrito, dentro das organizações da economia social e solidária nos deparamos com uma problemática que se repete na boca de pequenos produtores, empreendedores, cooperativas de trabalho e organizações dedicadas à construção desta outra economia: é o problema da comercialização.

Mercedes Caracciolo, docente e pesquisadora da Universidade Nacional de San Martín, destaca algo muito certo sobre este tema: “A busca de outras formas de produzir mais solidárias não pode abrir mão do requisito de outras formas de consumir com as mesmas características”. Isto nos leva a pensar que, após o desenvolvimento de todos estes anos, um dos desafios centrais para a economia social e solidária se encontra do outro lado do mostruário.

Em nosso país, ainda que a partir do Estado Nacional se realizem consideráveis esforços para reverter esta situação, nas diversas áreas da economia, contamos com mercados muito concentrados, atravessados por uma altíssima dinâmica de intermediação e por uma lógica sumamente especulativa. Neste contexto, é natural que os produtos e serviços que são gerados pela economia social e solidária – onde a busca desta está em não explorar o trabalho (nem próprio e nem alheio), distribuir equitativamente as rendas, produzir em harmonia com a natureza e com vínculos baseados em valores de solidariedade e ajuda mútua – se encontrem com um mercado hostil, onde possui uma difícil participação. A isto se soma a maquinaria publicitária que durante anos construiu um consumidor que, em muitos casos, encontra-se incapaz de decidir sobre suas compras para além do preço, a marca e a comodidade a que está habituado.

Deste modo, advertimos que o problema da comercialização tem como fundo, entre outras questões, um limite natural e um desafio comunicacional. Na medida em que não construamos – em paralelo à produção – uma cidadania crítica que seja capaz de ponderar o diferencial que tem para oferecer à nossa sociedade as propostas provenientes do campo da economia social e solidária, continuaremos nos deparando com este problema. Necessitamos que conheçam, que valorizem e que escolham de forma consciente e responsável. Para avançar neste ponto, a comunicação pode ser uma grande aliada.

Durante todos estes anos, conseguiu-se incorporar ao mercado uma vasta quantidade de experiências de produção de bens e serviços da economia social e solidária, no entanto, não se conseguiu desenvolver – ao menos não na mesma escala e qualidade – cidadãos consumidores dispostos a valorizar essa oferta diferenciada.

Para o futuro, no debate pela criação de um Ministério da Economia Popular e na tarefa que lhe caberia, emerge como desafio, então – além de continuar aprofundando as políticas públicas para a promoção do trabalho –, destinar esforços para a construção de propostas comunicacionais de longo alcance, que tenham a missão de contribuir na construção de novos paradigmas de consumo na sociedade.

Campanhas de comunicação e sensibilização junto aos meios de comunicação comunitários; desenvolvimento de ferramentas para a maior visibilidade das cooperativas e empreendedores em cada comunidade; apoio nas universidades e casas de estudo, fincando o pé em seu papel social e em seu forte capital simbólico, para a capitalização destes temas em cada território... Em definitivo, que uma mensagem clara e eloquente ganhe cada vez mais presença na sociedade: como cidadãos e consumidores temos o poder de decidir que sociedade queremos por meio de cada um de nossos atos, inclusive no ato de comprar.

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