'Francisco não deve abordar disputa com o Chile', diz jesuíta boliviano

Revista ihu on-line

Diálogo interconvicções. A multiplicidade no pano da vida

Edição: 546

Leia mais

Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

Edição: 545

Leia mais

Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

Edição: 544

Leia mais

Mais Lidos

  • Papa lança ataque frontal ao nepotismo e ao feudalismo no Vaticano

    LER MAIS
  • Basta! Manifesto de juristas contra o governo Bolsonaro

    LER MAIS
  • “Deus, Pátria e Família”: um retorno ao futuro dentro da globalização

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


08 Julho 2015

Um dos momentos mais simbólicos da visita de dois dias do papa Francisco à Bolívia está previsto para o fim da tarde de hoje. A caminho do centro de La Paz, o papa fará rápida visita ao local onde, em 22 de março de 1980, foi encontrado o corpo do padre jesuíta Luís Espinal, torturado e assassinado durante a ditadura do general Luis García Meza. "Espinal é para a Bolívia um símbolo da luta pela liberdade e direitos humanos. Essa visita tem grande valor simbólico para o povo e para a Igreja Católica da Bolívia", disse o teólogo jesuíta Víctor Codina, espanhol que vive desde 1982 na Bolívia.

A entrevista é de Luciana Nunes Leal, publicada no jornal O Estado de S. Paulo, 08-07-2015.

Eis a entrevista.

Qual o significado desta viagem do papa à América Latina, em especial à Bolívia?

Francisco é latino-americano, conhece bem a região e sabe que é um continente majoritariamente católico, mas que necessita reavivar a fé. Sabe também que é um continente pobre, com grandes desigualdades sociais, que necessita de profundas reformas. A viagem do papa à América Latina responde a seu desejo de reforma da Igreja e da sociedade, desejo de comunicar a alegria do Evangelho, a abertura da Igreja ao mundo, uma Igreja de portas abertas, que sai para as ruas, missionária, que favorece os pobres.

O sr. espera alguma mensagem específica do papa à Bolívia?

Existem muitas expectativas, algumas um pouco irreais. Esperamos que ele anime o povo boliviano a trabalhar unido, sem polarizações, em busca de um país justo e pacífico, respeitoso das diversidades culturais, com um progresso que não danifique a terra nem discrimine os fracos.

E temas sensíveis, como a disputa marítima com o Chile e a produção de cocaína?

Não creio que ele aborde a questão marítima, mas sim que pretenda incentivar o diálogo construtivo entre Bolívia e Chile em busca de soluções que olhem para o futuro. Em relação às drogas, o papa sabe muito bem que uma coisa é o uso da folha de coca, medicinal e tradicional. Outra é a cocaína. É possível que condene o narcotráfico e o vício, sem condenar o uso medicinal da folha de coca.

Que outros compromissos do papa na Bolívia o senhor destacaria?

Depois que descer no Aeroporto de El Alto, ele fará parada perto do lugar onde foi encontrado o corpo do padre jesuíta assassinado Luís Espinal (1932-1980). Espinal é para a Bolívia símbolo da luta pela liberdade e direitos humanos. Depois da beatificação do monsenhor Romero, em El Salvador, o povo boliviano começa a pedir que também Espinal seja beatificado como mártir da fé unida à justiça. A ida do papa (ao local onde Espinal foi encontrado) tem grande valor simbólico para o povo.

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

'Francisco não deve abordar disputa com o Chile', diz jesuíta boliviano - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV