Tibhirine: perícias enfraquecem a versão oficial

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06 Julho 2015

Um relatório pericial foi divulgado no dia 2 de julho em Paris. Segundo os autores, a data da morte dos sete monges assassinados em 1996 não corresponde à data declarada na época pelo Grupo Islâmico Armado (GIA), que tinha reivindicado o seu assassinato.

A reportagem é de Margaux Baralon, publicada no jornal La Croix, 03-07-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Vinte anos de mistério, dos quais 12 de uma investigação judicial "movimentada", e eis que o inquérito sobre o assassinato dos monges de Tibhirine, em 1996, na Argélia, ao menos sobre um ponto, acelera. Uma perícia escrita depois do exame dos restos mortais e apresentada às famílias pelo juiz Marc Trévidic questiona fortemente a versão oficial das autoridades argelinas.

Estas últimas sempre defenderam que os sete monges sequestrados em março de 1996, em plena guerra civil, tinham sido executados pelo GIA. Este último, no dia 23 de maio de 1996, tinha reivindicado o seu assassinato, que datava de 21 de maio.

Agora, essa hipótese é questionada pela perícia médico-legal que examinou as fotos tiradas no fim de maio de 1996, depois da descoberta das cabeças das vítimas – cujos corpos nunca foram encontrados.

"O estado de decomposição observável nessas imagens sugere que a morte remonta a cerca de um mês antes do dia 21 de maio", especifica Patrick Baudouin, advogado de duas famílias das vítimas. "Isso poderia concordar com o testemunho de Karim Moulai."

Esse ex-agente do departamento de informação e segurança argelino afirmou que os sete monges haviam sido executados no fim de abril de 1996 pelos serviços secretos argelinos.

Além disso, "os especialistas pensam que há uma forte probabilidade de que a decapitação de monges tenha ocorrido post-mortem", continua o advogado Baudouin. Os crânios também teriam sido enterrados uma primeira vez antes de serem desenterrados e transferidos.

São todas observações que tendem a sugerir uma manipulação para acusar o GIA. Ao contrário, de acordo com o advogado das famílias, "não havia impacto de balas nas cabeças". Isso enfraquece a terceira hipótese, a de um erro do Exército argelino, "embora sem excluí-la totalmente". Apesar desses resultados "interessantes", o juiz Marc Trévidic declarou que, para continuar a investigação, a justiça "verdadeiramente precisaria das amostras" que as autoridades argelinas não lhes permitiram levar para a França.

"Os especialistas puderam tirar conclusões, eu diria de 80%, sobre as causas da morte e sobre a data da morte. Mas, para ter certezas, realmente precisamos dessas amostras", insistiu o magistrado antiterrorista, que em breve deixará o cargo.

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