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25 Junho 2015

"Os drones se converteram em uma aplicação militar tão importante que houve quem afirmasse que daqui a alguns anos a maioria dos pilotos militares dos EUA só terá voado em sua vida a partir de uma instalação em terra. Depois veio a economia para corrigir essas previsões", escreve Jorge Marirrodriga, jornalista, em artigo publicado pelo jornal El País, 23-06-2015.

Eis o artigo.

A aprendizagem das palavras, mais ainda quando não acontece na infância, costuma nos remeter a situações e objetos concretos. Milhões de pessoas em todo o mundo souberam o que era um drone antes mesmo de conhecer a palavra. Descobriram na poltrona de um cinema no início dos anos 80. Os protagonistas de Guerra nas Estrelas começavam sua segunda aventura em um planeta hostil e gelado, tentando se esconder das tropas imperiais. O filme se chamava O Império Contra-Ataca. E como contra-atacava. Para procurar os rebeldes lançavam umas cápsulas contra o planeta e de dentro saía uma espécie de medusa voadora equipada com câmeras e raios laser que localizavam e, se pudessem, destruíam as posições dos insurgentes. Seus pilotos? Instalados comodamente a milhares de quilômetros dali.

De maneira que, para muitas pessoas, foi difícil não evocar aqueles fascinantes aparelhos – George Lucas adora todos seus personagens: faz com que os malvados sejam terríveis, mas, em compensação, elegantes e sofisticados – quando os drones começaram a aparecer no mundo real com fins militares. Os aparelhos que podem bombardear posições dos talibãs no Afeganistão são pilotados a partir de instalações em Nevada; os céus do Iraque são patrulhados a partir de uma base militar em Djibuti. Os drones se converteram em uma aplicação militar tão importante que houve quem afirmasse que daqui a alguns anos a maioria dos pilotos militares dos EUA só terá voado em sua vida a partir de uma instalação em terra. Depois veio a economia para corrigir essas previsões. O certo é que hoje a Força Aérea dos EUA tem problemas para encontrar pilotos de drones. O motivo? Ganham muito menos e trabalham muito mais que seus companheiros que voam fora das telas.

Seguindo o caminho trilhado por outras invenções, o passo seguinte na evolução – e rentabilização – do drone é sua aplicação civil. Vigilância de incêndios, busca de vitimas de catástrofes em lugares remotos, controle de pragas, estudos topográficos, vigilância de redes elétricas, fumigação... o céu é o limite, literalmente. Do envio de desfibriladores em caso de infarto a encomendas de livros e até pizzas. Tudo que puder ser levado, será levado. E serão necessários pilotos, designers, engenheiros de manutenção, analistas de dados... Um novo mundo profissional, impensável para a maioria das pessoas há apenas uma década, vai aparecendo na difícil paisagem do emprego.

Também surgirão as complicações. Os drones ainda não podem voar sobre regiões habitadas, mas isso vai acabar acontecendo. Teremos engarrafamentos? Advogados especialistas em acidentes de drones? Uma carteira de motorista e uma drone-escola? Seguros contra objetos que caem do céu? No fundo, tudo isso tão novo nos leva de volta à antiguidade. O direito romano já previa indenizações se caíssem em cima do transeunte resíduos humanos líquidos (effusum) ou sólidos (deiectum). Avançamos um pouco: agora é uma pizza de quatro queijos que pode nos matar. E tudo isso é culpa do Darth Vader.

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