A ressurreição afeta o corpo

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18 Abril 2015

Quem sabe, neste momento, estejamos um pouco como os discípulos, na primeira noite de Páscoa: «tomados de espanto e temor». Deixemos que o Ressuscitado venha até nós, mesmo arriscando a nos confundir. E que Ele possa, sobretudo, «abrir-nos à inteligência das Escrituras».

A reflexão é de Marcel Domergue, sacerdote jesuíta francês, publicada no sítio Croire, comentando as leituras do 3º Domingo da Páscoa - Ano B. A tradução é de Francisco O. Lara, João Bosco Lara e José J. Lara.

Eis o texto.

Referências bíblicas:
1ª leitura: «Vós matastes o autor da vida, mas Deus o ressuscitou dos mortos» (Atos 3,13-15.17-19)
Salmo: 4 - R/ Sobre nós fazei brilhar o esplendor de vossa face!
2ª leitura: «É Ele que obtém o perdão dos nossos pecados e dos pecados do mundo inteiro» (1João 2,1-5)
Evangelho: «Assim está escrito: que o Cristo sofrerá e ressuscitará dos mortos ao terceiro dia» (Lucas 24,35-48)

 

O difícil nascimento da fé

Foi preciso tempo para que os discípulos chegassem à fé, como descrita nas duas primeiras leituras. Estas se situam após o Pentecostes, a vinda do Espírito que só se realizou depois dos quarenta dias simbólicos, nos quais Jesus acostumou os seus ao caráter indescritível de sua nova presença. Quando os discípulos de Emaús retornam a Jerusalém, estamos ainda longe da maturidade da fé, que consiste em crer sem ver, em acreditar na palavra. É certo que haviam visto Jesus vivo, e de uma vida na verdade misteriosa. Encontraram os onze apóstolos que também acreditavam na ressurreição de Jesus. E eis que Jesus revela a sua presença no meio deles, quando estavam prestes a contar como o haviam reconhecido ao partir o pão. Imediatamente, a fé de todos desmorona-se e são de novo «tomados de espanto e temor». A vida nos faz percorrer muitas vezes este itinerário, da fé ao medo, à semelhança do caminho invertido que faziam aqueles dois, indo de Jerusalém para Emaús. O versículo 41 é a princípio um pouco estranho; ao verem Jesus, os discípulos passam do medo à alegria, antes de passarem à fé: «Não podiam acreditar porque estavam muito alegres». Quer dizer que a presença de Deus desperta em nós alegria, antes de tomarmos uma consciência mais clara da sua presença? A fé supõe de fato conhecimento e decisão. É um ato completo que mobiliza todo o homem.

A carne e o Espírito

Corremos o risco de ler ou ouvir esta passagem do evangelho sem que coloquemos a questão. Ora, a coisa não é assim tão simples. Os discípulos acreditaram estar vendo «um espírito»; em grego, «pneuma», palavra que serve também para designar o Espírito Santo. E Paulo, a propósito da Ressurreição, nos fala de «corpo espiritual» (1 Coríntios 15,44). Deste modo, ao acreditarem «ver um espírito», os discípulos não estão assim tão longe deste fato, se é que um espírito possa ser visto! No versículo 50, Paulo escreve que «a carne e o sangue não podem herdar o Reino de Deus, nem a corrupção herdar a incorruptibilidade.» A «carne», ou seja, a humanidade em estado bruto, está em constante oposição ao espírito. Vemos, pois, que Jesus, provido de um corpo espiritual, não é mais tributário do espaço e tempo. Ora, Lucas nos mostra Jesus comendo um peixe assado. Então, o conjunto do relato nos quer fazer compreender que a ressurreição não afeta apenas o que chamamos «alma», mas também o corpo. Não se trata da imortalidade, mas da ressurreição. Desde aí, se põe a questão: o que é um corpo espiritual? Os primeiros cristãos já se perguntavam isto. «Mas, dirá alguém, como ressuscitam os mortos? Com que corpo voltam?» (1 Coríntios 15,35). Confessemos a nossa ignorância. A resposta de Paulo, comparando o nosso corpo atual com o grão que se decompõe na terra e o seu novo corpo que surge na espiga, é somente uma imagem. Mas que tem o mérito de sublinhar uma continuidade entre o corpo atual e o corpo por vir e, também, a opulência extraordinária deste último em relação ao primeiro.

Ressurreição universal

O alimento é a expressão maior da nossa relação com a natureza, com o universo criado. Comendo o peixe assado, Jesus nos faz compreender que a sua ressurreição não é uma evasão para fora do nosso universo. A sua relação com o cosmos alcança um grau inimaginável. De fato, o alimento que absorvemos é apenas uma parte ínfima do que o mundo nos oferece e este alimento torna-se interior a nós. Na ressurreição, o Cristo é que se torna interior a todas as coisas. De repente, os nossos alimentos terrestres podem tornar-se imagem da nossa união com Deus e, até mesmo, o caminho para esta união. A Eucaristia inscreve-se nesta linha. Jesus, ao comer, passa para Deus o pão e o vinho que está comendo; então, este pão e este vinho tornam-se substância divina. O que significa que o universo inteiro emigra para Deus e, assim, encontra-se «consagrado». Ficamos sabendo por aí que a ressurreição do Cristo implica na ressurreição de todas as coisas e que esta ressurreição está em ação desde sempre. Moisés e os profetas testemunham isto: anunciam com certeza o cumprimento que se fará com o Cristo, mas veem que a vitória da vida sobre a morte já está em ação no mundo em que vivem, e isto desde o começo. Com Jesus, esta ressurreição de sempre e de todas as coisas «manifestou-se», como diz o Prefácio da segunda Oração eucarística, enquanto estivera secreta até ali, à espera da revelação.

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