Os chilenos perderam a confiança na Igreja

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Por: André | 10 Abril 2015

“A perda de confiança dos chilenos nos bispos ocorre principalmente a partir de abril de 2009, quando 46% dos chilenos confiavam no episcopado. O fato determinante da vertiginosa perda de confiança dos chilenos e chilenas nos pastores são os abusos de menores cometidos pelo clero e seu acobertamento, em alguns casos, por seus bispos”, analisa o Editorial de Reflexión y Liberación, 08-04-2015. A tradução é de André Langer.

Eis o texto.

Entre os dias 13 e 30 de março de 2015 foi realizada uma pesquisa de opinião nas 15 Regiões do país, para compor o Barômetro da Política CERC-MORI, dando continuidade a um estudo que se faz desde 1986. A pesquisa abarca diversos temas de interesse político, assim como questões de importância social e faz um acompanhamento de um conjunto de parâmetros sociopolíticos dos últimos 29 anos.

Seus resultados revelam uma preocupante deterioração da percepção pública sobre o agir político e da gestão do governo. Na segunda parte, elabora um mapa completo das confianças, onde avalia as principais instituições do país.

A pesquisa revela que em 2015 registra-se uma crise das confianças cidadãs, uma vez que 87% dos chilenos não têm confiança. Este atributo não compromete a relação dos chilenos entre si, mas refere-se à confiança dos chilenos nas elites. A virtude da confiança anda tão depreciada que apenas 10% dos chilenos confiam nas instâncias de elite.

Entre as diversas instituições avaliadas (Igreja católica, bancos, organizações empresariais, Banco Central, AFP, Senado, Câmara de Deputados, Judiciário, Isapres, jornais, FONASA, CUT, sindicatos, televisão, partidos políticos, rádios, Marinha, Exército, Força Aérea, Carabineiros do Chile e Polícia de Investigação), a queda mais severa da confiança atinge a Igreja católica, que caiu 40 pontos porcentuais entre 1996 e 2015, seguida pelos bancos (37 pontos porcentuais).

Isso determina que apenas 20% dos chilenos confiam na Igreja católica, enquanto que em 1996 60% manifestavam sua confiança na instituição. Os chilenos confiam mais no Banco Central, nos jornais, na FONASA, na CUT, nos sindicatos, na televisão, nas rádios, nas Forças Armadas, nos carabineiros e na polícia de investigação, do que na Igreja católica. Cabe assinalar que em 1990 76% dos chilenos confiavam na Igreja.

Na hora de indagar em que instância eclesial acontece a falta de confiança, a pesquisa revela que isso ocorre em relação aos bispos. Com efeito, em 1988 58% dos chilenos manifestavam confiança nos bispos, ao passo que em março de 2015 apenas 18% dos chilenos expressavam confiança nos pastores. Isto significa que 82% dos cidadãos chilenos não confiam nos bispos.

Considerando que pela primeira vez a pesquisa mede a confiança nos padres, esta registra que apenas 20% dos chilenos confiam neles em março de 2015. Isto significa que a falta de confiança que os chilenos têm em relação à Igreja está primariamente nos bispos.

A perda de confiança dos chilenos nos bispos ocorre principalmente a partir de abril de 2009, quando 46% dos chilenos confiavam no episcopado. O fato determinante da vertiginosa perda de confiança dos chilenos e chilenas nos pastores são os abusos de menores cometidos pelo clero e seu acobertamento, em alguns casos, por seus bispos.

Considerando que o período da amostragem abarca entre 13 e 30 de março, é evidente que a nomeação e imposição do bispo Barros em Osorno contribuiu para a perda de confiança dos chilenos nos bispos. Também o impacto provocado pela investigação canônica secreta empreendida contra três padres muito queridos (José Aldunate SJ, Mariano Puga e Felipe Berríos SJ) e a decisão do cardeal Ricardo Ezzati de não renovar a missão canônica do Pe. Jorge Costadoat SJ, contribuíram para a perda da confiança nos bispos chilenos.

Os resultados do Barômetro da Política CERC-MORI são devastadores para a Igreja católica chilena ao mostrar que o principal atributo de uma Igreja, a confiança, foi gravemente danificado pela atuação dos bispos. Considerando que no último censo populacional, realizado em 2012, 67,4% dos chilenos se declaravam católicos, os resultados da pesquisa CERC-MORI revelam que 73% dos católicos chilenos não confiam em seus próprios bispos.

A situação descrita deve levar a uma séria autocrítica dos bispos chilenos, que nos próximos dias realizarão a 109ª Assembleia Plenária da Conferência dos Bispos do Chile em Punta de Tralca.

A Igreja Povo de Deus espera gestos concretos de conversão pessoal e pastoral dos bispos chilenos, necessita ver atitudes coerentes com uma vontade de diálogo sincero, acolhida do discernimento crítico em toda a Igreja, valorização do laicato, respeito ao sensus fidelium, liberdade para proclamar o Evangelho, atuação profética frente aos poderosos, desprendimento dos bens econômicos, transparência em suas atuações, manifestação de uma opção preferencial pelos pobres e marginalizados, assim como o compromisso de fazer a justiça que as vítimas dos abusos do clero contra menores merecem, além de dar um testemunho incondicional de misericórdia para com todos, especialmente os mais afastados da Igreja.

É justo reconhece que a Igreja faz muito bem anonimamente no Chile, o que desperta gratidões inumeráveis. No entanto, quando as confianças são feridas todo o bem fica obscurecido. Então, a Igreja necessita urgentemente expressar todo o seu potencial evangélico.

Só assim poderemos construir, no Chile, uma Igreja na qual “o pastor chama cada ovelha pelo seu nome e as ovelhas reconhecem a sua voz. Ele as conduz para fora do redil. Depois de fazê-las sair, ele caminha na frente delas, e as ovelhas o seguem porque conhecem a sua voz. Ao contrário, não seguem um estranho, mas fogem dele porque não conhecem a voz dos estranhos” (Jo 10, 3-6).

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