Há 70 anos, a morte de Bonhoeffer em um campo de concentração nazista

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09 Abril 2015

Foto: www.findagrave.com

"O ser cristão não é coisa de um momento, mas exige tempo." "Só a pouca fé pode nos derrotar." São palavras e pensamentos do teólogo evangélico Dietrich Bonhoeffer, morto há 70 anos – no dia 9 de abril de 1945 – no campo de concentração nazista de Flossenburg, sob a acusação de ter participado de uma conspiração contra o regime de Adolf Hitler.

A reportagem é publicada pelo sítio da Radio Vaticana, 08-04-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Sobre a figura de Bonhoeffer, Amedeo Lomonaco entrevistou o teólogo e arcebispo de Oristano, na Itália, Ignazio Sanna.

"Teólogo, cristão, contemporâneo. São três as características que descrevem a personalidade desse grande homem da Igreja. Em primeiro lugar, a sua teologia, porque deu impulso, realmente, ao modo com que a teologia está ligada à vida; é uma teologia que interpreta, realmente, as dimensões da existência cristã. Bonhoeffer disse que é preciso viver de modo cristão, como se Deus, neste momento. não olhasse por nós. Quando Bonhoeffer fala de um cristão adulto, significa que se deve ser capaz de viver em comunhão com Deus, como se Deus não existisse. É essa a maturidade a que ele quer levar o cristão. Que o cristão seja realmente capaz de recorrer – a sua famosa expressão – não a um Deus "tapa-buracos", mas a um Deus que, ao contrário, seja íntimo. E, depois, outra característica distintiva é o fato de ser um contemporâneo. Qual é um ideal que Bonhoeffer nos propõe? Fazer com que Jesus seja nosso contemporâneo."

Eis a entrevista.

O testemunho de vida cristã de Bonhoeffer foi vivido até o martírio...

Diz o médico que assistiu à sua execução que ele esperava de joelhos com uma compostura excepcional. Esse médico disse que, em tantos anos da sua profissão, nunca tinha visto nenhum homem se preparar para a morte com tanta compostura interior. Isso quer dizer que havia na sua pessoa uma profunda vida interior, uma profunda fé e também, naquele momento, uma fé na Ressurreição, a Vida eterna.

Cada cristão é chamado a uma maturidade, mas a Igreja – observava justamente Bonhoeffer – também é chamada a se tornar parte do mundo, a compartilhar as suas lutas e perplexidades...

É precisamente a ideia de uma Igreja que não seja de fachada, mas que esteja envolvida nas vicissitudes das pessoas: o onde das pessoas, o onde do mundo é o onde a Igreja. Penso que esse também é um modo com que o Papa Francisco, atualmente, leva adiante essa realidade. Quando ele usa a expressão de "não ficar na sacada", um pouco é esta ideia de Bonhoeffer: devemos nos envolver e deixar-nos envolver com a vida, com a fadiga, com os sofrimentos das pessoas. O papa até diz: melhor uma Igreja que tropeça do que uma Igreja que permanece fechada e asfixiada dentro das suas estruturas.

Que peso tem hoje o pensamento de Bonhoeffer no diálogo ecumênico?

Gostaria que ele tivesse um grande peso, porque, muitas vezes, onde se encontra uma dificuldade para fazer um caminho comum é na visão cristã do homem, ou seja, em uma antropologia que seja verdadeiramente inspirada na cristologia. Se nós nos deixarmos inspirar no modo como nós concebemos o homem pela própria figura de Cristo, eu diria que, então, a partir desse ponto de vista, é possível encontrar um denominador comum para a defesa da dignidade da pessoa humana. Se mantivermos fixo o olhar em Cristo e menos nas estruturas e também nas normas do direito canônico, provavelmente seremos capazes de dar alguns passos a mais para encontrar motivações e inspirações sobre como caminhar juntos.

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