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16 Março 2015

Publicamos um extrato de “Libertação pessoal, comunitária, transcendente”. Trata-se da homilia pronunciada pelo arcebispo Oscar Arnulfo Romero aos 23 de março de 1980 na Catedral de San Salvador. O texto é tirado do livro Óscar Arnulfo Romero, a Missa inconcluída. As últimas homilias de bispo assassinado com o prefácio de Jon Sobrino (Ed. Bolonha, 80 páginas). O extrato do livro é publicado no jornal Avvenire, 12-03-2015.

É para render graças a Deus que uma mensagem, que não quer ser nada mais do que uma modesta reflexão sobre a palavra de Deus, encontra canais maravilhosos para difundir-se e atingir muitas pessoas [a referência é à difusão da homilia trâmite Radio Ysax “A voz pan-americana”, ndr]. 

Penso que, no contexto da Quaresma, tudo é uma preparação à nossa Páscoa. E que já por si a Páscoa é um grito de vitória, porque ninguém pode extirpara aquela vida que Cristo ressuscitou, nem a morte, nem todos os sinais de morte, de ódio contra ele e contra a sua Igreja poderão vencer. E ele o vencedor!

Assim como ele refulgirá numa Páscoa de ressurreição sem fim, igualmente é necessário acompanhá-lo numa Quaresma, numa Semana santa, que é cruz, sacrifício, martírio. Ele o disse: “Bem-aventurados aqueles que não se escandalizam com a própria cruz!” A Quaresma, de fato, é uma chamada a celebrar a nossa redenção neste difícil conúbio de cruz e vitória. O nosso povo é atualmente muito provado, tudo em torno nos fala de cruz. Mas, quantos têm fé e esperança cristã sabem que, além deste calvário de El Salvador, está a nossa Páscoa, a nossa ressurreição.

Esta é a esperança do povo cristão.

Durante estes domingos de Quaresma tentei descobrir na revelação divina, na Palavra que se lê aqui na Missa, o projeto de Deus para salvar os povos e os homens. Por isso, hoje que emergem vários projetos históricos para o nosso povo, podemos estar certos: será vencedor aquele que melhor respeitar o projeto de Deus. E esta é a missão da Igreja. Por isso, à luz da Palavra que revela o projeto de Deus para a felicidade dos povos, temos o dever, amados irmãos, de reconhecer as coisas como são, isto é, ver como dentro de nós se reflete ou é desprezado o projeto de Deus. Ninguém leve a mal se, à luz da Palavra de Deus que lemos na nossa Missa, iluminamos as realidades sociais, políticas, econômicas, já que não fazê-lo não seria para nós cristianismo. E é por isso que Cristo quis encarnar-se, para que esta luz que recebe do Pai se transforme em vida para os homens e os povos.

Eu sei que são muitos aqueles que se escandalizam por esta palavra e querem acusá-la de ter abandonado a pregação do Evangelho para meter-se em política. Mas não aceito esta acusação, antes, faço um esforço para que tudo o que o Concilio Vaticano II, as assembléias de Medellin e de Puebla quiseram promover não o tenhamos só nos livros para estudá-lo em teoria, mas o vivamos e o traduzamos dentro desta realidade conflitiva, a fim de pregar o Evangelho como se deve... para o nosso povo. Por isso prego o Senhor ao longo de toda a semana, enquanto acolho o clamor do povo e a dor por tantos crimes, a ignomínia de tanta violência, afim de que me dê a palavra oportuna para consolar, denunciar, convidar ao arrependimento. Embora sendo uma voz que grita no deserto, sei que a Igreja está fazendo esforços para cumprir com sua missão.

Nos domingos da Quaresma temos, portanto, visto um projeto de Deus que poderemos realizar assim: Cristo é o caminho. Por isso nos é apresentado enquanto jejua e vence as tentações no deserto. Cristo é a meta e a vida, o movente, por isso nos é apresentado transfigurado, como para chamar-nos a esta meta à qual todos os homens são chamados. Nestes domingos, terça, quarta e quinta, vemos a colaboração que Deus pede aos homens para salvá-los: sua conversão, sua reconciliação com ele. Com exemplos belíssimos – como a figueira estéril, o filho pródigo e, nesta manhã, a adúltera que se arrepende e é perdoada – Deus nos chama e nos diz que virá ao nosso encontro como o pai do filho pródigo, como o salvador da adúltera: não existe pecado que não seja perdoado, não há inimizade que não se possa reconciliar, quando haja uma conversão e um retorno sincero ao Senhor. É a voz da quaresma!

As leituras da Quaresma nos dizem também como Deus aplica o seu projeto na história, para fazer da história dos povos a sua história de salvação. E, na medida em que estes povos acolhem o projeto de Deus de salvar-nos em Cristo com a conversão, nesta medida os povos se salvam e se tornam felizes. Por isso, na primeira leitura de todos os domingos da Quaresma está a história de Israel, o povo paradigma, o povo exemplar, exemplar mesmo nas suas infidelidades e nos seus pecados, para que neles também aprendamos como Deus castiga a infidelidade. É modelo também no revelar a promessa de salvação de Deus. Após Abraão temos re-percorrido com Moisés a peregrinação no deserto, com Josué chegamos à celebração da Páscoa na Terra prometida. E hoje nos convida a um segundo êxodo: o retorno da Babilônia. [...] À luz das palavras divinas de hoje vos apresento esta reflexão de título “A igreja, um serviço de libertação pessoal, comunitária, transcendente”.

Estes três adjetivos sublinham os três pensamentos da homilia de hoje:

1) a dignidade da pessoa é a coisa principal a libertar;

2) Deus quer salvar todo o povo;

3) A transcendência dá à libertação sua verdadeira e definitiva dimensão.

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