“Matteo Ricci é o modelo de Francisco para a China”

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10 Março 2015

Francisco segue na China as pegadas de seu irmão Matteo Ricci”. Gianfranco Vecerrica, bispo de Fabriano-Matelica e criador da peregrinação Macerata-Loreto, analisa para a aproximação entre a Santa Sé e Pequim.

A entrevista é de Giacomo Galeazzi, publicda pelo Vatican Insider, 07-03-2015. A tradução é de Benno Dischinger.

A cinco séculos da missão do jesuíta Matteo Ricci ao Celeste Império, pode-se retomar os seus passos para o atual diálogo entre a Santa Sé e a China?

Sim, Matteo Ricci e um modelo ainda válido hoje em dia. Isto, sobretudo, por sua disponibilidade a assumir modelos de vida chineses e sua cultura correspondente; pelo constante diálogo com as autoridades locais e centrais do Estado, apesar das dificuldades. O que pode ser tomado principalmente como modalidade de evangelização é a imersão da própria vida nos modelos correntes da vida e da mentalidade chinesas.

O modelo de evangelização do padre Matteo Ricci incluía tanto o encontro com as pessoas como o diálogo com as autoridades. E isto o demonstram os seus intentos para reunir-se com as autoridades centrais da China e com o próprio imperador (coisa inimaginável naquela época). Este método pode ser considerado na atualidade para as relações entre a Santa Sé e a China.

O diálogo entre a Santa Sé e a China também passa pelas vias da cultura. Nas últimas semanas, na biblioteca Casanatense de Roma, foram apresentados os primeiros 44 volumes da “Coleção das obras históricas e literárias chinesas” da época Ming (1368-1644) da Biblioteca Apostólica Vaticana. O aspecto cultural pode ajudar o aspecto diplomático?

Para o padre Matteo Ricci tanto a ação cultural como a ação diplomática deviam ir juntas, e ambas eram indispensáveis. A ação diplomática é eficaz, pois se pode penetrar e elevar as ações humanas da cultura chinesa. Ambas as atividades eram necessárias e se sustentavam mutuamente, eram consideradas interdependentes. O aspecto cultural era essencial para que as ações diplomáticas pudessem ter êxito, e vice-versa. O Padre Matteo Ricci se interessava atentamente pela antiquíssima civilização chinesa. E pretendia identificar os eventuais pontos de contato com o cristianismo. Estava convencido de que a revelação cristã do mistério de Deus podia dar valor e completar todo o belo e bom, justo e santo, que havia intuído a antiga tradição chinesa.

O cardeal Agostino Casaroli, responsável da “Ostpolitik” vaticana durante a Guerra Fria, sustentava que aqueles que vivem firmes sua identidade podem dialogar com quem quer que seja. A inculturação do jesuíta Matteo Ricci é a linha guia inclusive para seu irmão Jorge Mario Bergoglio, que como jovem queria ser missionário na Ásia e que agora como Papa indicou que o futuro da cristandade está no Extremo Oriente?

A missão atual do Extremo Oriente, quer dizer para os povos da Ásia, se inspira claramente no testemunho dos primeiros padres jesuítas, e isto sucede particularmente com o Papa Francisco. Os métodos do atual Pontífice estão em continuidade com a ação do padre Matteo Ricci. Parece-me que a evangelização do jesuíta italiano é um dos pilares centrais, uma guia ainda válida e que segue iluminando. Como Ricci em sua época, o Papa Francisco vê no extremo Oriente o futuro da cristandade. Eu creio que o Papa Francisco poderá obter muito da China (e nisto confio), por sua capacidade de diálogo e de paixão pelo bem do povo chinês. Rezo muito e peço orações pela extraordinária ação missionária deste nosso grande Papa.

O que exige a nova evangelização da China do ponto de vista pastoral?

A nova evangelização na China exige hoje, principalmente, a formação de pessoas dispostas a oferecer testemunho de Jesus com a própria vida. Este é o anúncio fundamental da vida cristã. Em segundo lugar, se necessita a introdução de escritos, textos que ofereçam motivos justos sobre a fé em Jesus Cristo, textos tanto filosóficos como teológicos em língua chinesa. Há extrema necessidade disto. Na China de hoje se necessita verdade, justiça e uma humanidade digna do homem.

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