O Papa com o clero de Roma: que a homilia não seja nem sofisticada nem um “show”

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Por: André | 20 Fevereiro 2015

Celebrar a missa é “entrar e fazer entrar no mistério”. A afirmação foi feita pelo Papa Francisco, que, como sempre no início da Quaresma, reuniu-se na manhã desta quinta-feira com o clero da sua diocese, Roma, em uma audiência, a portas fechadas, dedicada à “ars celebrandi” e, em particular, à homilia. O momento central da celebração, a homilia, não deve ser nem “sofisticada” nem um “show”, mas, indicaram diferentes padres ao sair do encontro que aconteceu na sala das audiências, deve estar arraigada na vida, na oração e na capacidade do ministro de entrar em comunhão com o “Povo de Deus”, a ponto de chorar com ele. Durante as duas horas de encontro, as perguntas dos padres (algumas preparadas e muitas, por vontade do Pontífice, espontâneas) tiveram um grande espaço. Ao responder, Jorge Mario Bergoglio, com a clareza que o distingue, abordou temas como os padres que deixaram o sacerdócio porque casaram, os fiéis migrantes e o perigo (que deve ser evitado) de acolher nos seminários pessoas com desequilíbrios psíquicos.

 
Fonte: http://bit.ly/1CNskWF  

A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi e publicada no sítio Vatican Insider, 19-02-2015. A tradução é de André Langer.

Depois da saudação inicial do cardeal Agostino Vallini, vigário do Papa para a diocese de Roma, o Papa Francisco “introduziu o encontro – segundo indicou a Sala de Imprensa vaticana – referindo-se a uma intervenção que fez em 1º de março de 2005 na Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos sobre o tema da ‘ars celebrandi’”, cujo texto foi distribuído a todos os participantes do encontro desta quinta-freira e publicado pelo L’Osservatore Romano. Com este texto, indicou o mesmo Jorge Mario Bergoglio, ganhou um “puxão de orelha” do cardeal alemão Joachim Meisner “e também do então cardeal Ratzinger, que me disse que faltava uma coisa importante da ‘ars celebrandi’, que era sentir-se diante de Deus: e tinha razão, eu não havia falado disto”.

Em seu discurso introdutório, o Papa refletiu sobre dois temas: a homilética (“para cada padre a homilia é um desafio”) e a ‘ars celebrandi’, isto é, a arte de celebrar, cujo núcleo é “recuperar o fascínio da beleza” e “a surpresa, essa que se sente no encontro com Deus”, um sentimento que “atrai e te deixa em contemplação”. Neste sentido, “celebrar é entrar e fazer entrar no mistério: é simples, mas é assim”.

Em seguida, o Papa comparou a oração e a celebração: “Quando encontramos o Senhor na oração sentimos este estupor, quando rezamos formalmente ou formalisticamente, não”. Da mesma maneira, na ‘ars celebrandi’ “devemos rezar diante de Deus com a comunidade, mas normalmente como se reza”. Ao contrário, “quando encontramos padres que celebram de maneira sofisticada, artificial, ou que abusam um pouco dos gestos – destacou o Papa –, não é fácil que se dê o estupor”, e assim, “se eu sou excessivamente rígido, não faço entrar no mistério”, e, “se sou um ‘showman’, protagonista da celebração, não faço entrar no mistério”.

Jorge Mario Bergoglio também citou exemplos negativos para explicar-se melhor: o pai de um padre que se alegra porque encontrou, junto com seus amigos, uma Igreja na qual “se celebrava a missa sem homilia”, e a própria sobrinha do Papa, que se queixava porque em vez da homilia havia suportado “uma aula de 40 minutos sobre a ‘Summa’ de Santo Tomás”.

O padre, pelo contrário, provoca os fiéis se ele mesmo vive, na oração e na contemplação, uma relação com Deus. Neste sentido, a ‘ars celebrandi’ não é “‘ars restaurandi’”, mas propõe aos fiéis o que o próprio padre viveu. Para destacar que a homilia tem tanto um valor litúrgico intrínseco como um contributo do padre que a pronuncia, o Papa explicou que não é, como pensava Lutero, apenas “‘ex opere operatur’” (quando a graça é transmitida pelo simples fato de realizar a ação), nem “‘ex opere operantis’” (quando a disposição do sujeito que celebra determina a transmissão da graça), mas “metade e metade”.

Jorge Mario Bergoglio, que deu o exemplo dos padres que se preparam para a homilia dominical desde a segunda-feira anterior, para que “amadureça” dentro de si, também sugeriu a leitura de dois livros sobre a pregação: um de Domenico Grasso e outro de Hugo Rahner (“Não Karl Rahner: Hugo – brincou; distingue-se de seu irmão porque escreve claro”). O Papa, que citou en passant o Diretório Homilético publicado recentemente pelo Vaticano, também destacou a necessidade de uma “pastoral litúrgica de formação”, tanto para o Povo de Deus como para o clero e os seminaristas, e insistiu no magistério dos Papas sobre a homilia na missa.

Depois do discurso introdutório do Papa, o encontro prosseguiu com as perguntas dos padres e as respostas do Pontífice. Foi Francisco quem, depois das primeiras cinco ou seis perguntas “pré-fabricadas”, animou os padres a fazerem perguntas espontaneamente. E cerca de sete ou oito se animaram. Os temas abordados foram os mais diversos.

Voltou-se ao convite que o Papa fez na quarta-feira na cerimônia no Aventino, para a Quarta-Feira de Cinzas: “chorar com o Povo de Deus” para não ser “hipócritas”. O Papa destacou a necessidade de que um padre chore com os fiéis, em comunhão com a comunidade que lhe foi encomendada. Também abordou o tema da formação do clero, e o Papa destacou que, devido à carência de vocações, um bispo tem que ter muito cuidado para não aceitar no seminário pessoas que escolhem o caminho sacerdotal para esconder “desequilíbrios” de natureza psíquica.

Francisco também destacou que se a homilia é “bem feita”, até mesmo os fiéis não tão constantes ou mais distraídos, como aqueles que só vão à missa quando há um funeral ou um casamento, podem ser atraídos pela Palavra de Deus, em vez de ficar fora da Igreja fumando um cigarro.

Um padre perguntou ao Papa porque havia dito uma vez que a homilia era um “ato de justiça”, e o Papa explicou, citando São Paulo, que a homilia nos justifica, ou seja, nos torna justos, porque representa o momento em que a graça de Deus entra em nós, o momento em que a sua Palavra desce sobre nós, e recordou que na celebração é o Senhor que celebra conosco: Ele é “o altar do povo”.

Tomou a palavra, dentre os padres, Giovanni Cereti, que foi dispensado após contrair matrimônio, e perguntou se a Igreja pode readmitir ao sacerdócio: o Papa, segundo indicaram os presentes, explicou que se trata de um problema cuja solução não é fácil, e recordou que este tema está sendo estudado pela Congregação para o Clero, pois é uma questão importante para a Igreja.

Outro padre indicou que participam da missa fiéis de diferentes culturas e origens (chineses, africanos, convertidos do islã...), e perguntou qual era a atitude a ser assumida. O Papa respondeu afirmando que não tinha soluções, mas que considera que o padre deve “entrar na história”, “mergulhar na história” e encontrar soluções no Espírito.

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