Os 29 migrantes mortos pelo frio: quase todos mortos nas embarcações da guarda costeira

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12 Fevereiro 2015

Foram mortos pelas dificuldades e pelo frio, muitos quando já estavam nas emabarcações da guarda costeira, recuperados mas não salvos, muito fracos para sobreviver. Na nova tragédia de migrantes no Canal da Sicília, 29 vítimas, nenhuma por afogamento. Mas desesperados, abandonados pelos contrabandistas em meio ao mar de inverno, na tempestade e entre ondas altas como edifícios, atacados pelo gelo e pela falta de alimento.

A reportagem é de Riccardo Bruno, publicada pelo Corriere della Sera, 10/02/2015. A tradução é de Ivan Pedro Lazzarotto.

Na embarcação haviam 106, conseguiram chegar apenas 77. Mas ontem foram avistados mais dois botes à deriva, sempre frente as costas líbias. Num, existiam dois migrantes, no outro sete: foram recolhidos e salvos por um navio mercante. Um deles contou que quando zarparam eram mais de 100 pessoas.

O primeiro alarme chegou no domingo de tarde, com uma ligação via satélite, ao Centro de Socorro da Guarda Costeira de Roma. Os dois navios próximos (um islandês e um patrulhador italiano) estavam no porto para reabastecimento, assim partiram dois barcos de patrulha. Quando alcançaram o primeiro grande bote, sete migrantes já estavam mortos, outros 22 em condições precárias. Foram inúteis os primeiros cuidados por parte do pessoal médico a bordo cos meios da Capitania que encontraram muitas dificuldades para voltar a Lampedusa. O mar com força 7 e ondas de 9 metros colocaram “em risco a própria segurança da tripulação”, como citou uma nota da Guarda Costeira.

Pietro Bartolo, diretor sanitário da ilha, acolhe por mais uma vez corpos sem vida e não se contém, imputando essa última tragédia ao novo sistema com que Bruxelas está enfrentando a emergência. Não mais a operação Mare Nostrum, mas desde o último novembro o programa Triton, vigilância das fronteiras do sul da Europa com menos fundos e um raio de ação mais limitado (somente 30 milhas da costa).

Laura Boldrini, presidente da Câmara e ex porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os refugiados, intervém com um tweet diplomático: “Horror na orla de Lampedusa. Pessoas mortas não em um naufrágio, mas pelo frio. Essas são as consequências do pós Mare Nostrum”.

Muitos concordam sobre a incapacidade da missão, do PD a Sel a SAve the Children (“o fim do Mare Nostrum coloca em risco extremo todos, e em particulares quem está mais vulnerável como mulheres e crianças”). Crítico, mesmo se de um ponto de vista oposto, o legista Matteo Salvini: “Outro sangue na consciência suja dos ‘falsos bons’. A partir de amanhã em Strasburgo, pedirei a Junker de suspender o Triton, operação inútil e de morte”.

A prefeita de Lampedusa, Giusi Nicolini, teme que a sua ilha se torne uma fronteira de dor. “Os 366 mortos de 03 de outubro de 2013 não serviram para nada, as palavras do Papa não serviram para nada. Não podemos continuar assim. Mais uma vez fomos abandonados pela Europa. É uma vergonha”.

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