"É nosso filho": por um olhar não clerical sobre a homossexualidade

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07 Outubro 2015

Quem deveria falar sobre a homossexualidade na Igreja são as famílias, muito mais do que os padres. Para buscar na vida concreta o caminho para um encontro real e realmente aberto ao mistério.

A reportagem é de Giorgio Bernardelli, publicada no sítio Vino Nuovo, 04-10-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

"Alguns dos nossos amigos estavam organizando a sua reunião natalina de família, quando o seu filho gay disse que queria trazer também o seu parceiro. Essas pessoas acreditavam plenamente no ensino da Igreja e estavam conscientes de que os seus netos iriam vê-los acolher o filho e o seu parceiro na família. A sua resposta pode ser resumida em três palavras: 'É nosso filho'."

Lembram-se dessas frases? E lembram-se também onde ela foi pronunciada? Eis uma pequena memória: isso aconteceu exatamente há um ano, no Vaticano, na Sala do Sínodo (não fora), onde, como vocês vão se lembrar, já se estava discutindo a família. Para ser mais preciso, quem a proferiu foi o primeiro casal que – na qualidade de auditores – tomou a palavra: os cônjuges australianos Ron e Mavis Pirola, casados há 55 anos. E foi pronunciada no âmbito de uma fala que também dizia muitas outras coisas importantes sobre o tema da atração sexual na vida de casal (e que – lembremo-nos – nós, do Vino Nuovo, fomos um dos primeiros a retomar).

Essas palavras me vieram à mente no sábado passado, enquanto eu lia o surpreendente relato do Mons. Krzysztof Charamsa sobre a sua homossexualidade, incluindo até uma coletiva de imprensa na véspera do início do novo Sínodo. Eu pensava novamente nela e via nela toda a diferença entre duas abordagens diferentes sobre um tema que certamente, como Igreja, ainda custamos (todos) a abordar seriamente.

Por um lado a desarmante simplicidade de um casal que – a partir da própria vivência de pais – se dá uma resposta que abre um caminho totalmente a ser construído. Por outro, o gesto ostensivo de um teólogo que até ontem estava em um dos dicastérios mais em vista da Cúria Romana, que, para colocar o problema, abre as gavetas de um mundo que certamente, hoje, descobrimos como um pouco asfixiante demais. E que – tomando como metro de julgamento a própria situação (e provavelmente outras similares) –, com a intenção de esclarecer, mistura duas questões que são diferentes entre si: a atitude da Igreja para com as relações homossexuais e o celibato do clero.

Eu acho que se intui claramente qual é a minha opinião sobre os dois modos de levantar a questão. Eu sei que sou decisivamente drástico, mas parece-me ver na "saída do armário" do Mons. Charamsa a quintessência do clericalismo. Uma atitude que não muda simplesmente pelo fato de entrar em cena na versão LGBT: a busca de um púlpito muito grande e nas primeiras vésperas da festa para lançar luz sobre uma história pessoal, o Vaticano (público e privado) como o único critério para julgar a atitude católica média em relação a esse tema, a crença de que, se "um padre importante" finalmente se expõe, essa questão será discutida na Igreja.

Pois bem: eu acredito que esse modo de agir, no fim, precisamente não ajuda ninguém a esclarecer. Basta ler as reações do dia seguinte para encontrar substancialmente três posições: os entusiastas ("finalmente alguém que tem a coragem de dizer como as coisas são"), os teóricos da conspiração ("eis o que inventaram para atacar o Sínodo") e os flagelantes ("só nos faltava essa..."). Obviamente, omitindo a quarta reação que também circula na rede – a dos homofóbicos assumidos – embora, no fim, eu acho que hoje essa seja a categoria que mais se satisfaz com o grande alvo que, inesperadamente, ela percebe ter entre as mãos.

Então eu me pergunto: na aceitação (verdadeira e recíproca) das diversidades, a Igreja – e, dentro dela, a comunidade homossexual – tem mais possibilidades de avançar com a saída do monsenhor ou com a ceia de Natal citada no seu testemunho um ano atrás no Sínodo pelos cônjuges Pirola?

Eu tenho nos meus ouvidos a objeção: "Mas eles nem estão no Vaticano...". Pois bem, justamente. Acho que o problema está aqui, mais do que em outros lugares. Que é hora de realmente levar as famílias para o Vaticano e não só com uma vela na mão na Praça de São Pedro. De dar mais espaço para a vida e para as relações concretas (incluindo uma afetividade vivida dia a dia em um relacionamento de casal) do que às lições de antropologia na elaboração do magistério.

Vou tentar dizer isso de outra forma, espero que suficientemente clara: eu tenho a impressão de que, sobre esse tema da homossexualidade, quem deveria falar são as famílias, muito mais do que os padres. Não pelo gosto de silenciar aqueles que tem um colarinho branco, mas porque, na própria experiência, há algo que deveria torná-las mais abertas a se fazer perguntas sobre a esfera sexual na vida das pessoas.

Claro, eu também sei que as famílias hoje vivem milhares de dificuldades. Mas quem mais, senão elas – a partir das próprias histórias concretas, como a da ceia de Natal – pode contar que é possível descobrir valores até mesmo dentro de um relacionamento homossexual, sem, ao mesmo tempo, pôr em discussão a unicidade da própria vocação, a de um homem e de uma mulheres que optaram no matrimônio por se abrirem para a vida?

Certamente não é um caminho fácil.

É mais simples o caminho do padre que, no Vaticano, vem à tona com o mais clássico "no fundo, no fundo, todos fazem isso...". Eu não sei se é verdade ou não, mas ainda seria preciso explicar-lhes que o mundo não acaba no Vaticano e nas sacristias. E que não pode ser esse o ponto de vista para abordar uma questão que é muito mais ampla em relação à suposta inobservância do celibato (homossexual ou não) por parte do clero.

É mais simples o caminho das famílias que o identificam imediatamente como a única maçã podre, continuando a olhar para aquilo que tem a ver com a homossexualidade como uma forma de agressão. Continuando a dividir claramente o campo entre "nós" e "eles". Exceto, depois, quando olham com comiseração (ou mantém bem escondido) o amigo, o parente ou a situação que nos leva a abordar essa questão não por causa da última polêmica que transborda na rede, mas por algo que tem a ver com a vida de alguém que conhecemos bem.

E também é mais simples o caminho daqueles que, no movimento LGBT, hoje, pensam que a saída de Charamsa é um sucesso. Desmascara algumas hipocrisias, certamente. Mas realmente ajuda a nos entendermos reciprocamente? Ou, no fim, não vai se tornar um álibi a mais para continuarmos não debatendo a sério sobre o significado da sexualidade no projeto de Deus para o homem e para o mundo?

"É nosso filho." Acho que parte daí o único caminho que a Igreja tem pela frente para sair das ambiguidades na relação com a homossexualidade. Com o "nosso filho", é hora de começar a buscar um caminho juntos. Já existem experiências importantes nesse sentido (na Itália, por exemplo, essa). Façamo-las dialogar com a vivência das nossas famílias. Tentemos, com humildade, nos fazer perguntas juntos, antes de despejar respostas. É o nosso filho, e não o monsenhor de plantão que pede isso. Por que não deveríamos lhe responder?

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