Com novas nomeações, arcebispo de Chicago poderá reorientar ainda mais a sua diocese

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24 Julho 2015

As implicações da nomeação pelo Vaticano de três novos bispos auxiliares para Los Angeles, a maior arquidiocese dos Estados Unidos, será sentida fortemente em Chicago.

A reportagem é de Michael O'Loughlin, publicada no sítio Crux, 22-07-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Dois sacerdotes da arquidiocese de Los Angeles – monsenhor Joseph V. Brennan e monsenhor David G. O'Connell – ajudarão o arcebispo José Gomez a dirigir a arquidiocese de quase cinco milhões de membros.

Quem se unirá a eles é o Pe. Robert Barron (foto ao lado), um sacerdote da arquidiocese de Chicago, amplamente conhecido pelo seu trabalho de evangelização através do seu ministério de cinema e televisão, Word on Fire.

Através de vídeos no YouTube vistos milhões de vezes e de uma série exibida em vários canais da rede PBS chamada Catholicism, Barron tem oferecido uma perspectiva católica sobre Hollywood, cultura popular, teologia, filosofia e afins.

Desde 2012, Barron também era o retiro do Seminário Mundelein de Chicago. A sua saída do prestigioso seminário, que forma padres das dioceses de todo o Centro-Oeste estadunidense, abriu talvez o posto com mais consequências para que Dom Blase J. Cupich (foto abaixo), arcebispo de Chicago, 65 anos, crie sacerdotes do "estilo Papa Francisco" para uma arquidiocese que atualmente está sendo conduzida pela única escolha pessoal do papa nos Estados Unidos, assim como para as outras 33 dioceses que enviam seus homens para serem formados lá. Mais de 200 seminaristas estão atualmente matriculados no Mundelein, tornando-o o maior seminário católico dos Estados Unidos.

Também é mais uma oportunidade para que Cupich (foto abaixo), instalado em novembro passado, deixe a sua marca na equipe de liderança da arquidiocese, um processo que entrou em alta velocidade no início deste ano.

Cerca de 50 empregados da arquidiocese receberam um pacote de aposentadoria prematura há poucos meses, um processo iniciado pelo antecessor de Cupich, o cardeal Francis George, e, em abril, a arquidiocese anunciou a nomeação de vários novos altos administradores, cujas responsabilidades variam de ajudar Cupich a gerir um orçamento de quase um bilhão de dólares a liderar pastorais étnicas em toda essa Igreja de 2,3 milhões de membros.

Entre essas nomeações estava Betsy Bohlen, uma ex-sócia da gigante consultoria McKinsey, como chefe de operações da arquidiocese, um cargo criado recentemente. Bohlen, que havia feito o trabalho sem remuneração para a arquidiocese sob Dom George, disse no início deste mês que colocar as finanças da arquidiocese em forma era sua principal prioridade.

"Obviamente, nós não somos uma empresa, mas enfrentamos muitos desafios estratégicos de estilo empresarial", disse Bohlen. "Em geral, trata-se de tentar melhorar as operações de negócios da Igreja para melhor servir à missão da Igreja."

O Pe. Stephen Kanonik foi nomeado moderador da Cúria, supervisionando os componentes não financeiros da arquidiocese. (A nomeação de Kanonik veio depois de uma recusa por parte do Pe. Clete Kiley, um padre de Chicago sediado em Washington, onde ele trabalha no âmbito das políticas de imigração para o sindicato Unite Here, que tinha sido nomeado moderador da Cúria em abril. Depois, ele mudou de ideia e vai continuar com o Unite Here, mas agora sediado em Chicago.)

Além de Bohlen e Kanonik, Cupich nomeou uma dezena de outras pessoas para altos cargos de liderança, incluindo o chefe de um escritório para trabalhar com as congregações de fala espanhola, assim como ministérios para as comunidades católicas originárias americanas, afro-americanas e asiáticas.

Barron era um protegido do falecido George, a quem ele chamou de "mentor" durante uma coletiva de imprensa em Los Angeles. Barron disse que George lhe ensinou a "evangelizar a cultura" e a apresentar o catolicismo à "política, ao direito, às artes, ao ensino superior e ao entretenimento", dizendo que ele não poderia pensar em um lugar melhor para esse trabalho do que Los Angeles, que ele chamou de "uma das maiores capitais culturais do mundo".

Cupich, cuja nomeação para Chicago foi uma escolha pessoal do Papa Francisco, divulgou um comunicado sobre a nomeação de Barron: "O Pe. Barron tem sido uma bênção singular para a nossa Igreja local e é reconhecido nacionalmente por suas grandes habilidades e talentos. Sabemos que ele vai continuar a nos orgulhar quando começar o seu novo ministério na Costa Oeste", disse.

Barron também emitiu uma declaração, assegurando aos fãs do Word on Fire que o trabalho "certamente vai continuar," embora não esteja claro qual papel ele vai desempenhar.

Durante a coletiva de imprensa em Los Angeles, Barron respondeu a uma pergunta de um repórter sobre o seu envolvimento com Hollywood e disse acreditar na promoção de uma "ortodoxia afirmativa", uma ideia atribuída ao Papa Bento XVI.

A teoria é de que a melhor maneira de evangelizar é sustentar crenças ortodoxas fortes, mesmo diante daquela que alguns veem como uma cultura hostil, e tentar se engajar com essa cultura.

Barron é frequentemente descrito como de centro-direita, o que talvez o coloque em desacordo ideologicamente com Cupich, mais de centro-esquerda. De fato, o que esteve ausente nas declarações de Barron e nos seus comentários na coletiva de imprensa em Los Angeles foi qualquer reconhecimento a Cupich.

Como reitor do Mundelein, Barron reformulou o currículo para se concentrar na Nova Evangelização, uma ideia promulgada pelo Papa João Paulo II e institucionalizada no Vaticano em 2010 pelo Papa Bento XVI, visando a se engajar a cultura contemporânea com a fé católica.

Os observadores da Igreja certamente avaliarão de perto se a escolha de Cupich para substituir Barron irá mudar o foco desse currículo – e para qual direção.

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