68% dos adolescentes morrem no Vale do Sinos por causas externas

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15 Julho 2016

O número de óbitos médios anuais, na faixa etária de 10 a 19 anos, é de 155 no Vale do Sinos, ou seja, quase 1 a cada 2 dias. Ainda assim, 68% dos óbitos são por causas externas, como acidentes de trânsito e violência, e 81,01% dos óbitos são do sexo masculino.

O Observatório da realidade e das políticas públicas do Vale do Rio dos Sinos – ObservaSinos, programa do Instituto Humanitas Unisinos – IHU, acessou os dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade – SIM a partir da base de dados do Tabnet, que é do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde – DATASUS.

Os dados de mortalidade da população adolescente apontam as causas externas como o principal fator para óbitos na região. Na faixa etária de jovens (15 a 29 anos), o homicídio é a principal causa de morte no Brasil. Estes números apontam um número elevado de óbitos que podem ser evitados.

Para a coleta de dados, utilizou-se a faixa etária de 10 a 19 anos, a qual será denominada de faixa etária adolescente. No entanto, o Estatuto da criança e do adolescente considera adolescentes aqueles entre 12 e 18 anos. Ocorre que na coleta de dados há apenas a opção da coleta de dados por faixas etárias de 10 a 14 e de 15 a 19 anos, e não é possível separá-las. Desta forma, neste caso justifica-se o uso da faixa etária de 10 a 19 anos como a faixa etária de adolescentes.

DADOS

A tabela 01 apresenta o número de óbitos da população de 10 a 19 anos nos municípios do Vale do Sinos de 2001 a 2014. Este número tem apresentado oscilações, mas na média são 155 óbitos por ano.

Tabela 01

De 2001 a 2014, o maior destaque deu-se em Novo Hamburgo, onde o número de óbitos passou de 55 em 2001 para 22 em 2013. 2001 foi o único ano, neste período, em que o município registrou mais de 40 óbitos.

Em Dois Irmãos, não foram registrados óbitos desta faixa etária nos últimos dois anos. O município foi o único da região a não registrar óbitos em 2014.

Em São Leopoldo ocorrem, em média, 30 óbitos por ano, sendo o segundo maior município em número de óbitos anuais na região. Quase todos os municípios obtiveram redução de óbitos de 2001 a 2014. Sapucaia do Sul passou de 20 para 18 no período. No entanto, de 2011 a 2014, o número de óbitos no município passou de 9 para 18, ou seja, dobrou.

A tabela 02 apresenta a taxa de óbitos, também conhecida como taxa de mortalidade, da população de 10 a 19 anos nos municípios do Vale do Sinos de 2001 a 2014, a cada 10.000 habitantes. Esta taxa divide o número de óbitos pelo número de habitantes e multiplica por 10.000. Este cálculo facilita a comparação entre municípios com populações muito distintas.

No entanto, esta taxa não é adequada para municípios com poucos habitantes, como é o caso de Araricá, visto que qualquer variação unitária no número de óbitos eleva a taxa drasticamente. Desta forma, a tabela 02 apresenta as taxas para os 14 municípios e para o total da região, mas apenas as taxas dos municípios de Canoas, Novo Hamburgo e São Leopoldo, assim como a taxa do Vale do Sinos, estão mais adequadas, visto que estes territórios possuem populações de mais de 30.000 habitantes nesta faixa etária.

Tabela 02

De 2001 a 2014, a taxa de óbitos foi reduzida no Vale do Sinos. No entanto, ao comparar 2002 a 2014, destaca-se que esta taxa aumenta. Em média, são 7 óbitos a cada 10.000 habitantes adolescentes na região. Em São Leopoldo e em Canoas, a média anual fica em 8 óbitos. Em Novo Hamburgo, são 7.

ÓBITOS POR SEXO

A tabela 03 apresenta o número de óbitos da população de 10 a 19 anos nos municípios do Vale do Sinos em 2014 por sexo. O número de óbitos masculinos neste ano foi aproximadamente 4 vezes maior.

Tabela 03

Em 12 dos 14 municípios, houve mais óbitos de homens do que de mulheres. Apenas em Nova Santa Rita foram registrados mais óbitos femininos do que masculinos, 1 a 0. Em Dois Irmãos, não houve óbitos.

Em São Leopoldo e em Canoas, o número de óbitos masculinos foi quase 6 vezes maior que o de óbitos femininos. Em Novo Hamburgo, ocorreram 3 vezes mais óbitos masculinos que femininos.

CAUSAS DOS ÓBITOS

A concentração de óbitos não se dá apenas quanto ao sexo, mas também quanto à causa do óbito. A tabela 04 apresenta os óbitos da população de 10 a 19 anos nos municípios do Vale do Sinos em 2014 conforme a causa do óbito.

A causa do óbito classifica-se através da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde – CID10. Estas classificações agrupam causas de óbito semelhantes em mesmo grupo, mas na busca não permitem a total desagregação dos dados.

Tabela 04

A tabela 04 mostra que o capítulo XX apresenta o maior número de óbitos nesta faixa etária; 107 dos 158, ou seja, 67,72% dos óbitos. Este capítulo engloba as causas externas de morbidade e de mortalidade (V01-Y98). Inserem-se, por exemplo, neste grupo os óbitos por acidentes de trânsito, outras causas externas de traumatismos acidentais, lesões autoprovocadas intencionalmente e agressões. Portanto, as mortes por acidentes de trânsito, suicídio e através de armas de fogo encontram-se neste grupo.

Apesar de não obter os dados para esta faixa etária populacional específica, sabe-se que 16 (2,32%) dos 691 óbitos de 05 a 19 anos da Região Metropolitana de Porto Alegre – RMPA em 2015 ocorreram via lesões autoprovocadas intencionalmente, segundo o SIM; 69 (10%) ocorreram por acidentes de trânsito e 338 (48,91%) por agressões. Como todos os municípios do Vale do Sinos situam-se na RMPA, estima-se que estes dados não variem muito.

A tabela 05 apresenta o número de óbitos da população masculina de 10 a 19 anos nos municípios do Vale do Sinos em 2014 conforme a causa do óbito. Nesta população, o percentual de óbitos classificados no capítulo XX chega a 77,34%.

Tabela 05

Dos 128 óbitos, 99 classificam-se no capítulo XX. Novamente, em relação aos dados da RMPA, sabe-se que, em 2015, 308 dos 691 óbitos que ocorreram na faixa etária de 05 a 19 anos deram-se quanto a agressões.

A tabela 06 apresenta o número de óbitos da população feminina de 10 a 19 anos nos municípios do Vale do Sinos em 2014. Dos 30 óbitos, 8 também deram-se no capítulo XX.

Tabela 06

Os capítulos I, VI e XVIII apresentaram, cada, 4 óbitos femininos. O capítulo I refere-se a algumas doenças infecciosas e parasitárias (A00-B99); o capítulo VI, a doenças do sistema nervoso (G00-G99); e o capítulo XVIII, a sintomas, sinais e achados anormais de exames clínicos e de laboratório, não classificados em outra parte (R00-R99).

Destaca-se que a maior parte dos óbitos na faixa etária de 10 a 19 anos dá-se no capítulo XX, ou seja, causas externas ao corpo e que, portanto, podem ser evitadas. Em 2014, a cada um mês, ocorrem aproximadamente 10 óbitos por causas externas, ou sejas, evitáveis na população de 10 a 19 anos. 

Por Marilene Maia e Matheus Nienow

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