Apenas 36,14% dos trabalhadores que recebem mais de 5 salários mínimos são mulheres no Vale do Sinos

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22 Junho 2016

Mulheres são minoria e recebem menos no mercado formal de trabalho do Vale do Sinos. De 2002 a 2014 houve avanços, no entanto 80,85% dos trabalhadores que recebem mais de 20 salários mínimos são homens em 2014. Nova Santa Rita é o município mais desigual da região e o quinto mais desigual do estado.

O Observatório da realidade e das políticas públicas do Vale do Rio dos Sinos – ObservaSinos, programa do Instituto Humanitas Unisinos – IHU, acessou os dados da Relação Anual de Informações Sociais – RAIS de 2014 do Ministério do Trabalho e da Previdência Social – MTPS para verificar as diferenças salariais entre homens e mulheres no mercado formal de trabalho do Vale do Sinos.

Em 2014, no Vale do Sinos, 44,48% dos homens recebiam até 02 salários mínimos, enquanto 64,58% das mulheres situavam-se nesta faixa etária. O infográfico abaixo apresenta alguns dados que identificam a desigualdade de gênero quanto aos salários na região.

Historicamente, as mulheres têm presenciado diversas desigualdades devido ao seu gênero no Brasil e no Vale do Sinos. Estas desigualdades são concebidas de diferentes formas, sendo atreladas principalmente ao direito e às possibilidades das mulheres como cidadãs, assim como os homens, no cenário brasileiro. Um dos espaços em que as mulheres sofrem as maiores consequências é o mercado de trabalho. Além de receberem salários menores em quase todos os cargos – a diferença salarial entre homens e mulheres no Brasil é de 20,32% segundo o IBGE –, as mulheres também trabalham mais em casa e cuidam mais dos filhos.

Este cenário desigual, no que se refere ao mercado de trabalho formal, pode ser observado a partir dos dados do mercado formal de trabalho obtidos pela Relação Anual de Informações Sociais – RAIS. Estes dados destacam que as mulheres só são maioria no mercado formal de trabalho nas faixas salariais baixas de 0,51 a 1,00 e de 1,01 a 1,50 salários mínimos. Como um todo, no Vale do Sinos, 45,42% dos trabalhadores formais são mulheres. A tabela 01 apresenta a participação de homens e mulheres no mercado formal de trabalho da região em 2002 e 2014.

Neste período, a participação das mulheres aumentou na região, passando de 39,82% em 2002 para 45,42% em 2014. No entanto, em alguns municípios a participação não aumentou ou continua muito baixa. Araricá, Ivoti e Nova Santa Rita apresentam estes resultados.

No município de Araricá, em 2002 a participação feminina era de 49,82%, com uma distribuição quase igual entre os sexos, frente a 44,04% em 2014. Apesar do recuo percentual de participação feminina, o absoluto aumentou no município. Em Ivoti, houve recuo de 45,32% em 2002 para 42,40% em 2014. Enquanto houve aumento de mais de 1.000 postos masculinos, os femininos aumentaram em pouco mais de 400.

No entanto, o menor percentual de participação feminina mantém-se em Nova Santa Rita. No município, houve incremento percentual relativamente baixo de mulheres no período. Em 2002, 28,56% dos trabalhadores eram mulheres frente a 29,67% em 2014. Dos 497 municípios gaúchos, Nova Santa Rita possui a 5ª menor participação feminina no mercado formal de trabalho. Dentre os municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre, o município possuía menor participação.
Em 3 municípios da região, a participação feminina é maior que a masculina, são eles: Dois Irmãos, Sapiranga e Nova Hartz. Nesses municípios, há presença intensiva do setor de calçados na geração de empregos.

A tabela 02 apresenta a participação de homens e mulheres no mercado formal de trabalho do Vale do Sinos em 2002 e 2014 por níveis salariais. De 2002 a 2014, as mulheres aumentaram sua participação em 9 das 12 faixas salariais.

Apenas nas faixas salariais de 1,51 a 2,00, de 2,01 a 3,00 e de mais de 20,00 salários mínimos houve perda de participação das mulheres. No entanto, destaca-se que há uma presença muito maior de mulheres nas faixas salariais mais baixas, principalmente nas de 0,51 a 1,00 e de 1,01 a 1,50, onde as mulheres são, inclusive, maioria dos trabalhadores.

Se somados todos os trabalhadores que recebem mais de 5 salários mínimos, há 24.255 homens frente a 13.726. Desta forma, apenas 36,14% dos trabalhadores que mais recebem são mulheres no mercado formal de trabalho.

Esta diferença salarial é acentuada em municípios específicos da região. Novamente, Nova Santa Rita possui a maior desigualdade. A tabela 03 apresenta a participação de homens e mulheres no mercado formal de trabalho de Nova Santa Rita em 2014 por níveis salariais.

Neste município, o percentual de mulheres nas faixas salariais mais altas é de apenas 9,09% e 8,11% nas faixas de 15,01 a 20,00 e mais de 20,00 salários mínimos, respectivamente. Por outro lado, nas faixas salariais mais baixas, a participação feminina é quase a mesma que a masculina. Na faixa de 0,51 a 1,00 salários mínimos, 45,38% dos trabalhadores são mulheres.

Apesar dos avanços apresentados nos últimos anos, a desigualdade de gênero persiste no mercado de trabalho. Além disso, recentes pesquisas da Fundação de Economia e Estatística – FEE mostram que, na Região Metropolitana de Porto Alegre – RMPA, o rendimento das mulheres em relação aos homens é ainda menor no mercado de trabalho informal.

Mesmo nos setores tradicionalmente femininos, a desigualdade salarial persiste. A tabela 04 apresenta a participação de homens e mulheres no mercado formal de trabalho por níveis salariais em 2014 no setor da Administração Pública. As mulheres representam 68,83% dos trabalhadores deste setor, mas ainda assim apenas 20,34% do remunerados com mais de 20 salários mínimos são mulheres.

As mulheres só são minoria em três faixas salariais, sendo as duas mais altas e a mais baixa, de 0,51 a 1,00 salário mínimo. Em uma das faixas salariais mais baixas, a de 1,01 a 1,50 salários mínimos, as mulheres representam quase 84% dos postos de emprego formais. Nesta faixa salarial, há 6 mulheres para cada homem, enquanto na faixa de mais de 20 salários mínimos, há uma mulher para cada 4 homens.

O setor da indústria de calçados, um dos maiores geradores de empregos formais na região, também mantém a desigualdade salarial alta. As mulheres também são maioria neste setor, representando 55,92% dos postos de emprego formais. Ainda assim, são extrema minoria nas faixas salariais mais altas.

Na faixa salarial de 4,01 a 5,00 salários mínimos, 22,47% são mulheres. Em Nova Hartz, este percentual chega a apenas 14,67%. De uma forma geral, neste setor, Campo Bom é o município menos desigual, visto que possui o maior percentual de mulheres nas faixas salariais de 4,01 a 5,00 e de 5,01 a 7,00 salários mínimos, 27,32% e 30,72%, respectivamente, mesmo esta participação sendo pequena, uma vez que é grande a presença de mulheres neste setor.

Assim como nestes setores, em outros as mulheres também sofrem desigualdades em relação ao nível salarial. Aliado a isso, em alguns setores, a própria entrada da mulher como trabalhadora formal pode ser barrada, dada a não assimilação da mulher como trabalhadora tal qual o homem em alguns setores marcados pelo machismo.

Saiba mais

O Observatório da realidade e das políticas públicas do Vale do Rio dos Sinos – ObservaSinos, programa do Instituto Humanitas Unisinos – IHU, acessa dados de diversas bases de dados para tratar das realidades do Vale do Sinos. Recentemente mostrou-se que as mulheres não estão em situação desigual apenas no mercado de trabalho, mas também na representação política. Dos 164 vereadores eleitos em 2012 nos municípios da região, apenas 14 foram mulheres!

Por Marilene Maia e Matheus Nienow

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