Ratzinger pede silêncio: "Deus está envolto no silêncio, mas o mundo nega"

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20 Maio 2017

“A partir dos Evangelhos, sabemos que Jesus continuamente viveu as noites sozinho ‘sobre a montanha’ rezando, em diálogo com o Pai. Sabemos que o seu falar, a sua palavra provém do fato de permanecer em silêncio, e que só nele podia amadurecer. Por isso, é iluminador o fato de que a sua palavra só pode ser compreendida do modo certo se entrarmos também no seu silêncio; só aprendemos a escutá-la a partir do seu permanecer em silêncio.” Bento XVI escreve a partir do mosteiro Mater Ecclesiae. A data que ele assinala é “Semana de Páscoa 2017”.

A reportagem é de Gian Guido Vecchi, publicada no jornal Corriere della Sera, 19-05-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

No último Ângelus, em 24 de fevereiro de 2013, ele disse: “O Senhor me chama a ‘subir a montanha’ para me dedicar ainda mais à oração”. Agora, ele confidencia à carta uma reflexão vertiginosa sobre o silêncio como horizonte e condição da linguagem, espaço interior para acolher a Deus e a sua Palavra.

O texto é o prefácio da edição italiana do último livro do cardeal Robert Sarah, La forza del silenzio. Contro la dittatura del rumore [A força do silêncio. Contra a ditadura do ruído] (com Nicolas Diat, que deve ser publicado em junho pela editora Cantagalli). Porque “as potências mundanas que buscam moldar o homem moderno excluem metodologicamente o silêncio”, diz Sarah, enquanto “Deus está envolto no silêncio e se revela no silêncio interior”.

O papa emérito cita Santo Inácio de Antioquia: “Quem verdadeiramente possui a palavra de Jesus pode perceber também o seu silêncio, de modo a ser perfeito, a agir através da sua palavra e ser conhecido por meio do seu permanecer em silêncio”.

A “competência histórica”, escreve Bento XVI, é “necessária para interpretar as palavras de Jesus”, mas “não basta” captar a sua profundidade: “Quem hoje lê os comentários aos Evangelhos, que se tornaram cada vez mais volumosos, fica desapontado. Aprende muitas coisas úteis sobre o passado, e muitas hipóteses, mas que, no fim, não favorecem em nada a compreensão do texto. Tem-se a sensação de que àquele excedente de palavras falta alguma coisa de essencial: o fato de entrar no silêncio de Jesus, do qual nasce a sua palavra. Se não conseguirmos entrar nesse silêncio, também escutaremos a palavra sempre e somente superficialmente e, assim, não a compreenderemos verdadeiramente”.

Daí “os perigos” que “ameaçam a vida espiritual de sacerdotes e bispos” e “a própria Igreja”, porque, “de modo algum raramente, entra em cena uma verbosidade em que se dissolve a grandeza da Palavra”. A “cada bispo” fará bem um “exame de consciência” sobre as palavras de Sarah: “Devemos ser gratos ao Papa Francisco por ter colocado tal mestre do espírito à frente da Congregação para a Liturgia”.

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