Ecologia integral: “sempre há uma saída, sempre podemos mudar de rumo”

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Por: Jonas Jorge da Silva | 22 Outubro 2016

“Neste ‘deserto’ atual, pois, eis que surgiu esse texto que vejo bem estruturado, e que responde a esta complexidade! Francisco definiu a ‘ecologia integral’, que não é, sobretudo, esta ecologia profunda que pretende converter ao culto da Terra e subordinar tudo a ela. Ele mostra que a ecologia toca profundamente as nossas vidas, a nossa civilização, os nossos modos de agir, nossos pensamentos”. Foi com esta contundente interpretação de Edgar Morin acerca da encíclica Laudato Si’, que André Langer (FAVI) deu início à sua exposição Ecologia integral: um novo olhar, pelo ciclo de estudos organizado pelo CJCIAS/CEPAT, em parceria com as Comunidades Eclesiais de Base, Cáritas - Regional Paraná, Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Curitiba e o apoio do Instituto Humanitas Unisinos (IHU).

A emergência de um novo olhar e da necessidade de novas práticas diante da grande crise socioambiental em que a humanidade está imersa, torna esta encíclica papal um importante subsídio para todos os homens e mulheres de boa vontade, que lutam incessantemente em favor da justiça socioambiental.

Na análise de André Langer, progressivamente, uma parcela muito reduzida da Humanidade, que tomou as rédeas do processo por meio do Capitalismo, passou a submeter os seres vivos e grandes parcelas da Humanidade e a espoliar os recursos abundantemente disponíveis, numa escala planetária sem precedentes e insustentável. Diante de tal quadro, são os pobres os primeiros a pagar a conta, sendo os mais afetados pelas mudanças climáticas. De acordo com as estatísticas apresentadas por Langer, enquanto o um bilhão mais rico do planeta é responsável por 60% do aquecimento global, os três bilhões mais pobres provocam apenas 6% deste fenômeno.

Entre os aspectos que compõem a raiz desta crise ecológica está a redução da natureza a objeto, vista como coisa; a emergência do antropocentrismo; a autonomização da economia e a hegemonia arbitrária da ciência e da técnica sobre todos os demais elementos da vida.

Langer ressalta que “na encíclica Laudato Si’, Francisco faz ecoar o risco que correm o sistema-vida e o sistema-Terra, quando capitaneados pelo sistema-Capitalismo. Ele convida para “sair da espiral de autodestruição onde estamos afundando” (L. S., 163). E acolhe, para isso, o convite já feito na Carta da Terra: “A Carta da Terra convidava-nos a todos, a começar de novo deixando para trás uma etapa de autodestruição, mas ainda não desenvolvemos uma consciência universal que torne isso possível. Por isso, atrevo-me a propor de novo aquele considerável desafio: ‘Como nunca antes na história, o destino comum obriga-nos a procurar um novo início...” (L. S., 207).

Francisco coloca no centro do debate socioambiental uma abordagem que rompe com as fragmentações e compartimentos, apresentando a ecologia integral como a chance primordial da humanidade reencontrar-se consigo mesma e com a natureza ao seu redor. Daí a importância da palavra interligar, já que Francisco enfatiza a necessidade da instauração de um novo paradigma cosmológico e ecológico, no qual tudo é relação e todos os seres estão interligados.

Nesta perspectiva, este “novo paradigma deve ser capaz de compaginar o grito dos pobres com o grito da Terra, como diz no n. 49: “Uma verdadeira abordagem ecológica sempre se torna uma abordagem social, que deve integrar a justiça nos debates sobre o meio ambiente, para ouvir tanto o grito da Terra como o grito dos pobres””, enfatiza André Langer, citando a encíclica papal. No número 141 da encíclica o Papa recorda: “Toda análise dos problemas ambientais é inseparável da análise dos contextos humanos, familiares, trabalhistas, urbanos e da relação de cada pessoa consigo mesma que cria um determinado modo de relação com os outros e com o ambiente”.

André Langer apontou alguns desafios para uma aproximação inicial desta perspectiva apresentada a partir da ecologia integral:

- Novos estilos de vida, com profundas mudanças nos modelos de produção e consumo, a partir de uma vida mais sóbria e solidária, prezando pelo bem comum;

- Repensar o que significa ser humano, abandonando o prisma do antropocentrismo, já que não estamos separados nem mesmo acima da grande teia da vida e não podemos existir sem a Terra;

- Reforma do pensamento, na perspectiva do pensamento complexo, tão bem abordada por Edgar Morin, que nos coloca o exercício do pensar como um ato de religação: religar as partes ao todo, o todo às partes.  

Ao final da exposição de André Langer, houve um riquíssimo debate entre os participantes, muito desejosos de que esta encíclica chegue a todas as pessoas espalhadas pelo planeta, já que é uma mensagem crucial para as nossas problemáticas atuais.

Apesar de todo pessimismo avassalador proveniente dos rastros da economia capitalista, André Langer encerrou o encontro com uma mensagem de otimismo, retirada do próprio texto do Papa:  “A esperança convida-nos a reconhecer que sempre há uma saída, sempre podemos mudar de rumo, sempre podemos fazer alguma coisa para resolver os problemas” (L. S, 61), desde que assentada em uma nova epistemologia, nova antropologia, nova economia...

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