Francisco vai encontrar neste sábado 6.000 avós e netos por “uma nova forma de ver a velhice”

Foto: Marcelo Camargo | Agência Brasil

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23 Abril 2024

O Papa será o orador principal do evento "A Carícia e o Sorriso", que unirá duas gerações para mostrar ao mundo que a velhice "não deve ser descartada".

A reportagem é de Hernán Reyes Alcaide, publicada por Religión Digital, 22-04-2024.

Na Itália, são mais de 14 milhões de pessoas sobre as quais não se pensa, nem em política, nem cultura ou religião. Assim, o evento que acontecerá no sábado com o Papa "não é apenas um evento belíssimo, mas pode significar uma mudança de rumo dentro da cultura, da sociedade, da economia e também da religião".

Será um abraço mundial feito de milhares de pequenos abraços. Avós e crianças de todas as partes do mundo se reunirão no sábado com o Papa Francisco para mostrar ao mundo que a velhice é uma idade "em que ainda há muito a oferecer" e que "não deve ser descartada".

O contexto, conforme anunciado hoje ao apresentar o evento pelo Monsenhor Vincenzo Paglia, organizador da Pontifícia Academia para a Vida, é que "pela primeira vez na história humana que conhecemos, quatro gerações convivem juntas".

"Isso nunca tinha acontecido antes. É como se tivesse aparecido o quarto andar de um prédio. Antes não existia, depois foi construído e aos poucos foi sendo preenchido por inúmeros moradores. Não tínhamos percebido o quão cheio estava, foi durante a pandemia que foi o andar mais afetado. Porque já tínhamos descartado eles", acrescentou Paglia.

Serão 6.000 pessoas reunidas para testemunhar o valor da velhice, "uma idade que ainda tem muito a oferecer", como disse Paglia. Estará o Papa, esse "avô do mundo"; como o definiu hoje o ator Lino Banfi, de 88 anos, um dos organizadores do encontro de sábado.

Segundo Paglia, na Itália são mais de 14 milhões de pessoas sobre as quais não se pensa, nem em política, nem cultura ou religião. Assim, o evento que acontecerá no sábado com o Papa "não é apenas um evento belíssimo, mas pode significar uma mudança de rumo dentro da cultura, da sociedade, da economia e também da religião".

"São anos repletos de pensamentos, de iniciativas que surgem após a aposentadoria", afirmou Paglia.

Nesse contexto, ele lembrou como Jorge Bergoglio não apenas dedicou um ciclo de 19 catequeses à velhice, mas também inventou "a festa dos avós".

"O evento se propõe a dar e começar uma nova visão da velhice. Temos necessidade, antes do dinheiro ou das iniciativas, de uma nova visão. A velhice é uma grande idade, não é um descarte. Não é um peso, é um recurso. Não está desconectada de todas as outras idades da vida. Esse edifício de quatro andares tem um problema muito sério, pois corre o risco de ser um edifício sem escadas ou elevadores, como o tema da falta de comunicação entre gerações", ilustrou.

Além do aspecto afetivo, enfatizou o presidente da PAV, os idosos também contribuem para as famílias por meio de auxílios e do tempo que dedicam aos netos, avaliado em 38 bilhões de euros.

"Isso destaca quão injusto e ruim é falar dos idosos como descartáveis. Eles sustentam as famílias. Proporcionam aos netos a dimensão afetiva que poderiam não ter", acrescentou.

"Este evento tem uma importância particularmente significativa. Este encontro pode trazer um vento de primavera que pode vencer até o inverno demográfico", convocou.

Da fundação Età Grande, coorganizadora do evento, Mario Marazziti afirmou que o encontro busca "ajudar o mundo a redescobrir o sentido dessa grande idade, desses anos para os quais ainda não há uma resposta real na sociedade ocidental".

"O objetivo é que o mundo inteiro dos idosos passe a ser bem considerado na cultura contemporânea, faz parte da capacidade de resiliência de nossa sociedade mesmo diante da crise do estado de bem-estar", incentivou.

Lino Banfi, renomado ator que se reuniu com o Papa para discutir o tema da velhice, considerou que estamos vivenciando uma "regeneração" da velhice e destacou a figura do pontífice como um "avô do mundo" que ajudará a multiplicar a mensagem.

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