Morre padre jesuíta William Brennan, penalizado por celebrar liturgia com mulher padre

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15 Agosto 2014

O padre jesuíta William Brennan, ex-missionário em Belize, que fez de sua vida um trabalho de justiça social, morreu na última segunda-feira na casa de saúde São Camilo, em Milwaukee, Wisconsin. Ele tinha 94 anos.

A reportagem foi publicada no sítio National Catholic Reporter, 13-08-2014. A tradução é de Claudia Sbardelotto.

Brennan, que foi jesuíta por 75 anos e padre por 63 anos, passou os últimos dois anos de sua vida sob o ministério restrito por causa de participar de uma liturgia eucarística com uma sacerdotisa católica romana em novembro de 2012.

Sua morte foi anunciada no site da província jesuíta do Wisconsin.

O velório será no dia 18 de agosto às 18 horas no São Camilo, seguido de missa da Ressurreição às 19 horas.

Brennan teve uma longa história de ativismo pela justiça social, especialmente na comunidade latina e em questões relacionadas com a América Central. Em seus 90 anos, uniu-se regularmente a protestos anuais contra a escola de treinamento do Exército dos Estados Unidos para militares da América Central e do Sul, em Fort Benning, na Geórgia.

O fato de participar de uma liturgia eucarística em novembro de 2012 celebrada por Janice Sevre-Duszynska, uma mulher ordenada na Associação Católica Romana de Mulheres Sacerdotes, o levou a ser penalizado por seus superiores jesuítas e pela arquidiocese de Milwaukee, onde ele residia.

Suas faculdades sacerdotais foram suspensas, e ele foi proibido de deixar Milwaukee sem permissão e de se apresentar como jesuíta em qualquer reunião pública, incluindo protestos e comícios. Ele também foi condenado a não entrar em contato com os meios de comunicação "através de telefone, e-mail ou qualquer outro meio".

Em 2012, quando o NCR entrou em contato com ele para perguntar sobre suas sanções, ele estava hesitante para confirmar a notícia. "Ao conversar com você, estou arriscando minha existência na ordem jesuíta", disse Brennan.

Natural de Wauwatosa, Brennan fez o magistério ("período da formação do jesuíta, que acontece logo depois do curso de filosofia), em Belize. Ele acabou ficando 17 anos em Belize. Depois disso, serviu nas paróquias da região de Milwaukee, principalmente trabalhando com as comunidades latinas.

"Bill foi um grande homem de bom coração que permaneceu incrivelmente ativo mesmo depois de completar 90 anos, e seu corpo começou a falhar", afirma um aviso no sítio da sua província jesuíta. "Ele não se importava com controvérsias e gostava de fazer parte de campanhas. Viveu sua vida com paixão. Era um padre do povo".

A questão de se unir a Sevre-Duszynska na liturgia foi um "problema de consciência real e verdadeiro", disse Brennan ao NCR em 2012. Antes de ingressar na liturgia, ele discutiu o assunto com o seu provincial, Pe. Tom Lawler, que lhe disse para não comparecer.

A Igreja Católica ensina que as mulheres não podem ser ordenadas ao sacerdócio e que a tentativa de fazê-lo é uma ofensa grave que resulta em excomunhão automática. A carta Ordinatio Sacerdotalis, do Papa João Paulo II, de 1994, efetivamente proibiu a discussão do tema, dizendo que o ensinamento da Igreja sobre o assunto devia ser "considerado como definitivo por todos os fiéis da Igreja".

"Eu não estou tentando desafiar a Igreja", disse Brennan a Lawler, acrescentando que via a ordenação de mulheres como uma questão legítima. "Por que esse privilégio de celebrar a missa e de fazer pregação é um privilégio exclusivo do sexo masculino? De onde tiramos isso? Não é válido discutir?".

"Eu só achava que essa era uma questão terrena, e você não pode encobri-la com ditames espirituais ou autoritários", disse ele ao NCR.

"Ele era um homem notável e fiel às suas convicções e lutou até o fim por justiça social para os imigrantes e para as pessoas pobres em todo o mundo", disse Nancy L. Brennan, sobrinha do padre.

"Ele está agora no céu criando confusão com Deus sobre o que está acontecendo na Igreja Católica", disse ela ao NCR.

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