Para alguns cardeais eleitores, já estamos no período pré-conclave

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10 Junho 2021

 

Já estamos no período pré-conclave? Sim, porque, observando com atenção os movimentos de alguns eminentes cardeais eleitores, que por idade ainda podem esperar entrar na Capela Sistina, parece que já começou a disputa pela sucessão do Papa Francisco.

A reportagem é de Francesco Antonio Grana, publicada em Il Fatto Quotidiano, 09-06-2021. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

E não há nada para se escandalizar, porque a disputa pelo pós-Wojtyla começou, grosso modo, na segunda metade dos anos 1990, pouco menos de uma década antes da morte de São João Paulo II. O que demonstra que o período pré-conclave sempre trouxe benefícios aos pontífices felizmente reinantes, que viram muitos papáveis à sucessão morrerem antes deles. Nisso, a Sede Vacante de 2005 é um exemplo clássico.

Por outro lado, o caso de 2013 foi diferente com a renúncia repentina de Bento XVI e o total despreparo dos cardeais eleitores para o conclave que ocorreria apenas um mês depois daquele anúncio chocante.

A decisão do cardeal arcebispo de Munique e Freising, Reinhard Marx, que renunciou devido ao escândalo da pedofilia do clero que abalou a Igreja alemã, talvez possa ser contada entre os movimentos do pré-conclave.

Que fique claro, isso não significa que o início da Sede Vacante seja imediato. Longe disso, como demonstrou o fim do longo reinado wojtyliano.

Mas é a demonstração de que a discussão pela sucessão, não fora, mas dentro do Colégio Cardinalício já começou e há muito tempo.

Marx, progressista e membro do chamado círculo mágico dos sete purpurados do Conselho de Cardeais que elaborou a reforma bergogliana da Cúria Romana, certamente não pode ser rotulado banalmente como um opositor de Francisco.

Desta vez, e talvez pela primeira vez, a crítica ao pontificado do papa latino-americano chega não de um purpurado considerado antagonista, mas do círculo estreito daqueles que, com ele, compartilharam a cabine de comando nesses oito anos de governo. E esse é um fato que absolutamente não pode ser subestimado.

Na sua carta de renúncia, Marx faz uma análise implacável da Igreja alemã e não só, referindo-se particularmente ao tema da pedofilia, mas com uma leitura que ele mesmo não exclui que pode ser estendida a muitos outros aspectos problemáticos do catolicismo contemporâneo.

O purpurado escreve: “A minha impressão é de que estamos em um ‘ponto morto’, que – e esta é a minha esperança pascal – também pode se tornar um ‘ponto de virada’”. Palavras que lembram aquelas que um eminente coirmão de Bergoglio, o cardeal Carlo Maria Martini, deixou como seu testamento espiritual. Na época, no trono de Pedro, ainda reinava Bento XVI, e nada levava a pressagiar que, pouco meses depois, ele renunciaria.

“A Igreja – afirmou Martini fortemente antes de morrer – ficou 200 anos para trás. Como é que ela não se sacode? Temos medo? Medo em vez de coragem?”

E acrescentou: “A Igreja está cansada, na Europa do bem-estar e na América. A nossa cultura envelheceu, as nossas igrejas são grandes, as nossas casas religiosas estão vazias, e o aparato burocrático da Igreja aumenta, os nossos ritos e os nossos hábitos são pomposos. Mas essas coisas expressam aquilo que nós somos hoje?”.

Palavras que certamente pesaram muito na escolha do sucessor de Ratzinger. O próprio Bento XVI destacou que “se um papa recebesse apenas aplausos, deveria se perguntar se não está fazendo algo de errado. Nisso, de fato, a mensagem de Cristo é um escândalo que começou com o próprio Cristo. Sempre haverá contradição, e o papa sempre será sinal de contradição. É uma característica distintiva dele, mas isso não significa que ele deve morrer sob a espada”.

Não é por acaso, portanto, que Francisco recentemente enfatizou que “o mundo nos vê de direita e de esquerda, com esta ideologia, com aquela outra; o Espírito nos vê do Pai e de Jesus. O mundo vê conservadores e progressistas; o Espírito vê filhos de Deus. O olhar mundano vê estruturas que devem se tornar mais eficientes; o olhar espiritual vê irmãos e irmãs mendicantes de misericórdia”. Um apelo à unidade que o papa espera que não seja em vão.

 

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