Reforma do conclave desagrada hierarquias eclesiásticas

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08 Fevereiro 2021

Já faz algum tempo que se discute a oportunidade de uma reforma do conclave que dê a possibilidade de votar no novo papa não só aos cardeais com menos de 80 anos. Uma reforma que concretize a dimensão sinodal impressa na Igreja por São Paulo VI, depois do extraordinário período do Concílio Ecumênico Vaticano II, e fortemente solicitada novamente por Francisco.

A reportagem é de Francesco Antonio Grana, publicada em Il Fatto Quotidiano, 06-02-2021. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Não é por acaso, de fato, que Bergoglio, recebendo em audiência no Vaticano a cúpula do Escritório Catequético Nacional da Conferência Episcopal Italiana (CEI), pediu para recomeçar daquilo que ele havia afirmado, evidentemente em vão, em 2015, em Florença, ao episcopado da península.

“Depois de cinco anos – explicou o papa – a Igreja italiana deve voltar ao Congresso de Florença e deve começar um processo de Sínodo nacional, comunidade por comunidade, diocese por diocese: este processo também será uma catequese. No Congresso de Florença, está precisamente a intuição da estrada a ser feita nesse Sínodo. Agora, retomá-lo: é o momento. E começar a caminhar.”

Uma reforma do conclave em chave sinodal hoje faz as hierarquias eclesiásticas torcerem o nariz. Mas João Paulo I “projetava uma reforma do conclave, para permitir a entrada como eleitores também dos presidentes das Conferências Episcopais”. Quem lembra isso é Gian Franco Svidercoschi, jornalista desde 1959 e ex-vice-diretor do L’Osservatore Romano nos anos wojtylianos, no livro “Un Concilio e sei papi” [Um Concílio e seis papas] (Ed. Edb), no qual repassa os últimos 60 anos da vida da Igreja com os olhos do cronista que os contou dia após dia.

Svidercoschi lembra que, “para a reforma do conclave, além da inserção dos presidentes das Conferências Episcopais, e com direito ao voto, para que ‘o sufrágio tenha um valor mais universal e completo’, João Paulo I pensava também em mudanças, por assim dizer, ‘logísticas’, que lhe foram sugeridas evidentemente pela experiência recém-feita pessoalmente. ‘A colocação dos Padres dentro do conclave deve ser mais decorosa e mais eficiente. Não é possível trancar 100 pessoas, mais ou menos idosas, em um lugar tão restrito, obrigando-as a dormir em uma cama de ferro e a se lavarem em uma bacia com um jarro d’água’”.

Sabe-se que São João Paulo II, que compartilhou a mesma experiência de Luciani no primeiro conclave de 1978, resolveu esse problema com a construção da Casa Santa Marta. De fato, a residência onde Bergoglio mora atualmente foi pensada pelo papa polonês precisamente como um lugar para hospedar os 120 cardeais eleitores durante o conclave.

No seu livro, Svidercoschi também lembra que Luciani “projetava uma reforma da Cúria Romana, por meio de uma descentralização e de uma maior responsabilização dos escritórios individuais. Ele também tinha em mente uma implementação da colegialidade episcopal em termos novos, mais eficazes, mais concretos, transformando a Secretaria do Sínodo dos Bispos em um órgão que, representando o episcopado inteiro, colaborasse de forma estável com o papa no governo da Igreja universal”.

Svidercoschi destaca que “não se tratava apenas de reformar as estruturas, as instituições. O objetivo era mais amplo, mais alto. Esse papa ‘diferente’ pensava em uma Igreja ‘diferente’. Uma Igreja que voltasse às origens, àquilo que há de verdadeiramente dito e de escrito no Evangelho. Portanto, uma Igreja humilde, simples, transparente, que reconheça as próprias culpas. Uma Igreja a serviço das pessoas e, portanto, próxima dos mais frágeis, dos mais indefesos, dos mais sofredores: os pobres, acima de tudo, mas também os jovens, também as mulheres. E João Paulo I queria que tudo isso não só fosse ‘proclamado’, mas que também fosse ‘visto’”.

É incrível a sintonia com o magistério de Francisco, sinal eloquente de que ambos os pontífices estão em perfeita continuidade com aquilo que foi afirmado pelo Concílio Ecumênico Vaticano II. Svidercoschi lembra também que Luciani, “aos colaboradores mais próximos, muitas vezes confidenciava a sua amargura em relação àquilo que descobria no Vaticano. ‘Todo mundo aqui fala mal do outro. Aqui falariam mal até de Jesus Cristo’. Bem ao contrário daquele modelo de ‘verdadeira comunidade cristã’, que Luciani descreveu no discurso em Latrão, na posse da cátedra de bispo de Roma”.

Um texto que Svidercoschi convida a reler porque “poderia ajudar a entender um pouco mais o porquê daquele pontificado-meteoro nos planos da providência: isto é, que bastavam apenas 33 dias para João Paulo I para levar a termo a missão que lhe havia sido confiada”.

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