06 Julho 2026
Seis minutos de publicidade televisiva durante os horários de pico representam um impulso extremamente revigorante para qualquer balanço de lucros e perdas.
O artigo é de Arsenio Escolar, jornalista espanhol, publicado por El Diario, 05-07-2026.
A FIFA está testando uma pausa de três minutos em cada tempo na atual Copa do Mundo, o que tem deixado muitos torcedores indignados. Para mim, os motivos são dois: o efeito na partida, diminuindo o ritmo do time que está jogando bem e dando um descanso ao time que está com dificuldades, e o nome que deram a ela: "cooling break", que a Fundéu RAE recomendou traduzir para falantes de espanhol como "pausa para hidrotación" (pausa para hidratação) e que outros chamam de "pausa para refrescar".
Mais uma vez, o eufemismo e a circunlocução são os principais motores da evolução linguística! Será que é a saúde dos jogadores que está impulsionando essa regra, ou a saúde financeira do negócio? Os críticos suspeitam que, em vez da hidratação dos jogadores — que sempre se refrescaram abordando os roupeiros na lateral do campo quando o jogo permitia —, a FIFA e seu líder, Gianni Infantino, estão buscando hidratar as emissoras de televisão, que lhes pagaram somas enormes pelos direitos de transmissão. Seis minutos de publicidade na televisão durante os horários de pico representam uma dose super-hidratante para qualquer balanço financeiro — tanto das emissoras quanto da FIFA. Um nome mais preciso e apropriado teria sido "intervalo comercial".
Se a intenção era também que os treinadores tivessem uma janela de três minutos em cada tempo para redefinir estratégias, corrigir erros, dar instruções ou repreender...— isto é, figurativamente, hidratar a equipe —, teria sido melhor chamar a pausa de tempo técnico, como no basquetebol ou no futebol americano, e fazê-la de uma forma diferente.
O futebol é um dos esportes mais conservadores no que diz respeito às suas regras básicas. Muitas das que ainda estão em uso hoje têm mais de um século e meio. Elas foram criadas pela Football Association, a federação inglesa, a partir de 1863. O impedimento e a uniformidade dos uniformes datam dessa época. O tiro de meta, de 1869. O intervalo de 15 minutos no meio do jogo, de 1870. O escanteio, de 1872. As dimensões fixas das balizas (7,32 metros de largura e 2,44 metros de altura), de 1875. O apito do árbitro, de 1878…
A mudança mais significativa nas regras nos últimos anos, o VAR (sigla para Árbitro Assistente de Vídeo), ainda tem muitos críticos. Ele foi implementado oficialmente nas competições da FIFA em março de 2018, após vários anos de testes.
Após a Copa do Mundo, a FIFA decidirá o que fazer com a inovadora pausa para hidratação, inicialmente concebida como uma regra temporária a ser aplicada apenas em circunstâncias excepcionais em climas extremos. Diante da aceleração das mudanças climáticas, com temperaturas chegando a quase 40 graus Celsius em muitas regiões do mundo antes temperadas, talvez a regra devesse ser tornada permanente, mas mais como um tempo técnico no basquete: voluntária, a pedido do técnico e limitada a pouquíssimas situações. Em resumo, ela foi criada para melhorar o jogo. Foi o que aconteceu na partida entre Brasil e Marrocos, pela fase de grupos, em 13 de junho, quando Carlo Ancelotti a utilizou para fazer ajustes na seleção brasileira e equilibrar o jogo. Os outros dois efeitos de hidratação, para os jogadores e para as emissoras de televisão, seriam um bônus.
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