A escuridão de Havana, Cuba esgotada pela fome energética. Artigo de Lucia Capuzzi

Havana. (Foto: Denny Rodriguez/Unplash)

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14 Mai 2026

"É paradoxal, no entanto, que mais uma vez os destinos do país estejam nas mãos dos demolidores da normalização, a grande custo conquistada em 2014", escreve Lucia Capuzzi, em artigo publicado por Avvenire, 12-05-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

A emergência humanitária como laboratório geopolítico. É o que está acontecendo, dia após dia, em Cuba, em meio à "grande carestia energética", causada pela interrupção — sob pressão dos EUA — dos fornecimentos de petróleo, dos quais depende mais de 60% da demanda nacional. O blackout, ou "apagón", é uma dimensão existencial para os agora pouco mais de nove milhões de habitantes. Indica não apenas a ausência de luz, mas também de qualquer impulso vital. Movimento, comunicação, trabalho, saúde, educação, higiene básica: a paralisia é total.

A crise já vem se arrastando há uma década devido a uma combinação de fatores: o endurecimento das sanções dos EUA, a pandemia e queda no turismo, os clamorosos erros de gestão do governo da ilha.

Desde o final de janeiro, porém, a suspensão das exportações de petróleo bruto do exterior — exceto casos "autorizados" por Washington — representou um golpe potencialmente decisivo para um sistema já precariamente equilibrado. Não é a primeira vez que os Estados Unidos usam as pressões econômicas para alterar os arranjos de poder em países próximos e distantes.

Desde a primeira intervenção no Reino do Havaí, em 1893, houve dezenas e dezenas de mudanças de regime promovidas pelos EUA, realizadas por meio de ações diretas ou secretas. Somente na América Latina, ao longo de um século, uma mudança foi implementada com sucesso a cada 28 meses. Se durante a Guerra Fria se tratava, pelo menos oficialmente, de operações secretas, no início do novo milênio, George W. Bush fez das intervenções diretas para "exportar a democracia" um dos pilares de sua política externa. No que diz respeito a Cuba, porém, a "Doutrina Donroe" — neologismo criado por Trump para indicar o direito de interferir em todo o continente — está subindo de nível.

De "mudança do regime", estamos assistindo ao "colapso do regime": o colapso do aparato político, institucional e administrativo por meio da asfixia econômica. Uma estratégia teorizada há um ano pelo ex-enviado para a América Latina, Mauricio Clavert-Carone. "Medidas cirúrgicas e criativas", como ele as chamou, para reconquistar a nação caribenha sem recorrer às armas. O Secretário de Estado Marco Rubio reiterou isso perante a Comissão de Relações Exteriores do Senado alguns meses atrás: "Gostaríamos de ver uma mudança de regime em Cuba. Isso não significa que seremos nós a provocá-lo." Pelo menos não formalmente. A ideia é isolar a ilha com uma barreira impenetrável ao fluxo de recursos estrangeiros dos quais depende. E esperar. Uma reedição contemporânea do cerco medieval. Como neste último caso, é a população que suporta o fardo esmagador da fome, no sentido mais amplo.

Um esgotamento contínuo destrói as relações sociais, a vida civil, os projetos individuais e coletivos. A escuridão que, após o pôr do sol, desce sobre uma Havana dolente, saturada de lixo e vazia de pessoas, é uma representação visual do sentimento geral. "O dilema é brutal", disse María Elvira Salazar, deputada republicana e voz dos exilados da Flórida, "ou aliviamos o sofrimento no curto prazo ou libertamos Cuba para sempre." Mais do que liberdade, na realidade, o objetivo do governo parece ser a rendição.

A reconquista da ilha rebelde como prêmio de consolação após o fracasso no Oriente Médio. Um objetivo cobiçado — por todo o seu significado simbólico para o Sul Global — e, ao mesmo tempo, fácil de alcançar, devido à fragilidade estrutural e internacional do país. Ninguém sabe como seria Cuba com o degelo iniciado por Barack Obama e Raúl Castro, se este último tivesse prosseguido no caminho das reformas, resistindo ao medo de perder o controle. E, acima de tudo, se a "primavera" não tivesse sido abruptamente interrompida pelo inverno do primeiro mandato de Donald Trump.

É paradoxal, no entanto, que mais uma vez os destinos do país estejam nas mãos dos demolidores da normalização, a grande custo conquistada em 2014. De um lado, a dupla Trump-Rubio. Do outro, o interlocutor de Washington em Havana é Raúl Guillermo Rodríguez Castro, também conhecido como "El Cangrejo", neto de Raúl e figura proeminente da Gaesa, o conglomerado militar criado pelo próprio Raúl, que controla pelo menos 40% da economia cubana e impede qualquer abertura para evitar a concorrência. Com essas premissas, é difícil imaginar que a negociação seja sobre a democracia. E que a agonia inaceitável dos cubanos seja um meio para alcançá-la.

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