Os 90 anos do "Comandante Fidel"

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15 Agosto 2016

No último sábado, 13 de agosto, o ex-presidente de Cuba, Fidel Castro, completou 90 anos. Obviamente, é um aniversário importante para o idoso Comandante e para o povo cubano, mas também para a América Latina inteira.

A reportagem é de Luis Badilla, publicada no sítio Il Sismografo, 12-08-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Cuba, a revolução cubana e a liderança de Fidel Castro podem ser lidas e interpretadas com uma perspectiva europeia, fortemente condicionada pela Guerra Fria e podem ser lidas e interpretadas também com uma perspectiva latino-americana.

No fim, são duas panorâmicas históricas diferentes ou, melhor, muito diferentes, assim como os artigos que, em uma e outra margem do Atlântico, lembram esse aniversário.

Obviamente, não pretendemos entrar nessas controvérsias, que, depois, no fim, vão ser resolvidas pela história, a verdadeira, e não a ideológica; a dos historiadores, e não a dos propagandistas.

Ao recordar os 90 anos de Fidel Castro, queremos salientar como, para melhor ou para pior, a sua figura, desde 1956, foi determinante para a história da região nos últimos 60 anos, desde que Castro e os seus homens, após o ataque fracassado no Quartel Moncada, a prisão e o exílio, retornaram do México para dar origem ao "Movimento 26 de Julho", que, em 1959, obrigou Fulgencio Batista a fugir.

Na América Latina, a partir daquele momento, nada mais foi como antes, e muito daquilo que hoje se tornou essa parte do hemisfério americano está ligado à pessoa, às ações e à herança de Fidel Castro.

Podemos concordar ou discordar, mas é assim. O que dizemos também diz respeito à Igreja Católica na região, especialmente em Cuba. Nessas décadas, a história da relação entre catolicismo e revolução cubana marcou fortemente a vida das comunidades eclesiais, até porque, nesse contexto, nasceram muitos desafios e tomadas de consciência.

A própria evolução do catolicismo latino-americano nesses últimos 60 anos, passando pelo Concílio Vaticano II e, depois, pela Conferência Continental de Medellín e as visitas a Havana de três papas e as de dois presidentes cubanos ao Vaticano, traz a marca do encontro-confronto entre o castrismo e as exigências do Evangelho.