Petróleo venezuelano para os EUA para expulsar Pequim e Moscou

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03 Setembro 2026

Caracas e a empresa americana Nabep chegaram a um acordo para explorar os campos de petróleo enquanto o preço do petróleo bruto ultrapassa os 90 dólares por barril.

O artigo é de Paolo Mastrolilli, jornalista, publicado por La Repubblica, 02-09-2026. 

Eis o artigo.

A pergunta fundamental a se fazer "é muito simples: queremos que a Rússia e as empresas chinesas controlem a riqueza de um país em nosso hemisfério, ou queremos que os Estados Unidos o façam, em conjunto e em parceria com o povo venezuelano?" Um alto funcionário do governo Trump foi muito direto ao explicar a lógica por trás do acordo recentemente firmado com Caracas para a exploração de suas reservas de petróleo, ontem, durante uma reunião informal com jornalistas.

Certamente, garantir o fornecimento de 65 bilhões de barris é importante do ponto de vista econômico e para a segurança energética futura, enquanto a crise de Ormuz de ontem fez com que os preços do Brent e do WTI voltassem a ultrapassar os US$ 90. Mas, segundo Washington, isso também poderia ajudar na transição democrática do país, ainda governado pelos remanescentes do regime chavista. A principal motivação para o acordo, no entanto, foi geopolítica: expulsar Pequim e Moscou da América Latina, talvez até prejudicando Cuba, na esperança de provocar também uma mudança de regime em Havana em breve.

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Plano de Trump

O plano do governo Trump, segundo a própria Casa Branca, baseia-se em uma empresa privada chamada North American Blue Energy Partners (NABEP), administrada pelo executivo venezuelano Alejandro Betancourt. Pelo acordo, o governo de Caracas concedeu à Nabep concessões de 100 anos para perfurar 17 campos de petróleo. Destes, cinco já eram operados por empresas chinesas e um pela Rússia. Em troca, Pequim recebeu petróleo a um preço reduzido de US$ 21 por barril, enquanto Moscou quitou sua dívida com a Venezuela. Esse sistema permitiu que Cuba recebesse petróleo bruto no valor entre US$ 40 e US$ 60 bilhões gratuitamente. De acordo com a Casa Branca, o Pentágono terá uma participação de 35% na empresa, o que lhe dá o direito de comprar 20% do petróleo bruto da Nabep ao custo de produção, além do direito de preferência na compra do restante, se necessário.

A operação tem um valor econômico significativo, confirmado pela reunião de ontem de Trump com líderes da indústria energética americana para encontrar maneiras de conter a alta dos preços provocada pela guerra no Irã. No entanto, o prazo não será imediato, embora a fonte aposte que será menor do que os cinco a dez anos previstos para a exploração das novas reservas.

Um golpe para Pequim

A principal motivação, no entanto, é geopolítica: retirar esses recursos da China e da Rússia, penalizando também Cuba. Os críticos acusam o governo de, com isso, favorecer a legitimidade e a sobrevivência do regime chavista, alertando que essa medida pode custar ao Secretário de Estado Rubio a chance de concorrer à Casa Branca em 2028, pois seus apoiadores cubanos e hispânicos não o perdoarão.

O alto funcionário, no entanto, respondeu que o oposto é verdadeiro, pois assumir o controle dos recursos venezuelanos coloca os EUA em posição de promover uma transição duradoura para a democracia e pressionar Havana rumo a uma mudança de regime. Talvez, mas a verdade é que, por ora, essa operação legitima e consolida Delcy Rodríguez e os chavistas que permanecem no poder.

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