Violência contra trabalhadores humanitários bate novo recorde, alerta ONU

Foto: Abed Rahim Khatib/Anadolu Ajansi

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19 Agosto 2026

O número de trabalhadores humanitários mortos em 2025 chegou a 350 em todo o mundo, informou nesta terça-feira (18) o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA, na sigla em inglês). Entre as vítimas, 186 pessoas morreram em Gaza e 71 no Sudão. A organização também denuncia o impacto crescente de drones armados em zonas de conflito.

A reportagem é publicada por RFI, 18-08-2026.

Segundo a agência da ONU, 2025 registrou um novo recorde de violência contra profissionais envolvidos em operações de assistência. Ao todo, 907 trabalhadores humanitários foram mortos, feridos ou sequestrados ao longo do ano.

Embora o total de mortos seja ligeiramente inferior ao registrado em 2024, quando 377 profissionais perderam a vida, a ONU afirma que a tendência continua alarmante. Dados da organização mostram que, desde o início de 2026, outras 82 pessoas foram mortas, 97 ficaram feridas e 39 foram sequestradas em diferentes regiões do mundo.

"Mais de 1.000 trabalhadores humanitários morreram em apenas três anos. Isso é totalmente inaceitável", declarou o coordenador humanitário da ONU, Tom Fletcher.

Em comunicado, o OCHA alertou que a simples condenação dos ataques não tem sido suficiente para proteger os profissionais que atuam em áreas de crise.

"Os Estados devem respeitar o direito internacional humanitário e usar todos os meios à sua disposição para proteger civis e nossos colegas. E aqueles que violarem as regras devem enfrentar as consequências", afirmou Fletcher.

Drones ampliam riscos para civis

A ONU também manifestou preocupação com a crescente utilização de drones armados em conflitos. Segundo o OCHA, a disseminação de equipamentos de baixo custo e fácil adaptação amplia o acesso de diferentes grupos a um poder de destruição cada vez maior.

No Sudão, os drones armados foram responsáveis por 80% das mortes de civis registradas nos quatro primeiros meses de 2026, atingindo principalmente mercados e instalações de saúde, de acordo com a organização.

Para Tom Fletcher, esses equipamentos representam uma nova ameaça para a população civil.

"Os drones militares se tornaram a nova face de um velho perigo: o dano deliberado ou imprudente à vida de civis", afirmou.

Apesar da rápida evolução tecnológica nos campos de batalha, o chefe humanitário da ONU lembrou que as normas internacionais permanecem as mesmas. "A tecnologia pode evoluir, mas as leis da guerra não", concluiu.

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