"Eleições em Israel e na Palestina: precisamos virar a página". Entrevista com Pierbattista Pizzaballa

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06 Agosto 2026

Entrevista com o Patriarca Latino de Jerusalém, que em Assis, onde o Papa chega amanhã, visita um museu multimídia inter-religioso promovido por um rabino. "No Oriente Médio, precisamos reconstruir o que foi destruído nos últimos anos."

A entrevista é de Iacopo Scaramuzzi, publicada por La Repubblica, 05-08-2026.

"Precisamos virar a página." O cardeal Pierbattista Pizzaballa espera que israelenses e palestinos aproveitem a oportunidade das próximas eleições, que se aproximam para ambos os países, para uma mudança de liderança capaz de promover a paz.

"Precisamos de vinho novo, mas também de odres novos", diz, usando uma metáfora evangélica, o Patriarca Latino de Jerusalém, que em Assis, onde o Papa Leão XIV chega amanhã para se encontrar com jovens participantes de uma peregrinação franciscana, visitou a Casa Global da Amizade e da Esperança, um museu multimídia inter-religioso promovido pelo rabino Alon Goshen-Gottstein. "Certo ou errado", disse o cardeal franciscano, acompanhado pelo bispo de Assis, dom Felice Accrocca, "as religiões são consideradas um obstáculo ao encontro e à paz, no Oriente Médio e em outras regiões. Em vez disso, é importante dizer que as religiões não apenas podem, mas devem promover o diálogo."

Eis a entrevista.

Na Cisjordânia, colonos israelenses incendiaram diversas mesquitas: como é possível o diálogo nesse contexto?

É precisamente por isso que o diálogo inter-religioso é importante: para evitar deixar a discussão para eles.

Taybeh, a última aldeia inteiramente cristã na Cisjordânia, tem sido repetidamente atacada por colonos israelenses.

Não é só Taybeh: muitas aldeias estão sendo atacadas. Essa tendência, a violência dos colonos, não é novidade, mas está se expandindo por todo o país. A violência está criando uma forte tensão na população palestina, mas também na própria sociedade israelense. Taybeh se tornou um símbolo dessa situação que se agrava. Os palestinos estão assustados e furiosos, e exigem apoio nessa tentativa de defender sua terra e seu lar.

O que acha das provocações no Monte do Templo promovidas pela ala messiânica do governo israelense?

A comunidade muçulmana está cada vez mais irritada com isso. É muito importante respeitarmos os lugares sagrados e as sensibilidades de todas as religiões e, especialmente em Jerusalém, respeitarmos o que há muito tempo é chamado de status quo, ou seja, o ambiente tradicional e vital das três comunidades religiosas. Mexer com esse status quo cria tensões que se tornarão cada vez mais difíceis de administrar.

O que o senhor diz aos cristãos que querem deixar a Terra Santa?

Se eu entender do ponto de vista humano, porque eles têm famílias, têm filhos, também digo que não devemos parar de pensar, sonhar e trabalhar por uma forma diferente de ser.

O que isso significa?

Render-se é exatamente o que o diabo quer, exatamente o que esta narrativa quer. Não precisamos lutar, mas permanecer nesta situação sem perder nosso estilo e nossa proposta, mas também nossa determinação de ficar.

A eleição ocorre em Israel no dia 27 de outubro e na Palestina até o fim do ano. Quais são as suas expectativas?

Precisamos virar a página. Espero que essas duas datas cruciais tragam à tona algo que possa nos ajudar, pouco a pouco, a reconstruir o que foi destruído ao longo dos anos, não tanto em termos de infraestrutura, mas de relacionamentos, da devastação humana em que nos encontramos.

Será que as atuais lideranças são incapazes de promover a paz?

Acho que é óbvio. De qualquer forma, o Evangelho diz: vinho novo em odres novos. Precisamos de vinho novo, mas também de odres novos.

O senhor esteve recentemente de volta a Gaza, onde a violência continua. Netanyahu disse discordar do plano proposto pelos Estados Unidos. Como o senhor pretende sair dessa situação?

Não sei. Enquanto isso, a população é a vítima de tudo isso. A reconstrução ainda não começou: a reconstrução é a segunda fase, mas até que a primeira fase deste famoso acordo seja concluída, a segunda não pode começar. Estamos esperando para ver o que acontece.

Entretanto, o antissemitismo está se espalhando, como aconteceu nos últimos dias na Bulgária, com um grupo de jovens judeus ameaçados por skinheads nazistas: o que diz a Igreja?

Sempre dissemos não a qualquer forma de violência: violência física, violência verbal, violência cultural, violência religiosa. Queremos dialogar. Podemos também expressar nossa discordância com as políticas de um governo, mas isso não deve se tornar um ostracismo para tudo o que se relaciona ao mundo judaico, ao mundo islâmico, ao mundo cristão.

Nos próximos dias, o senhor irá a Salento, onde receberá um prêmio em homenagem a Dom Tonino Bello, um bispo muito comprometido com a promoção concreta da paz: como esse exemplo pode ser atualizado?

Precisamos manter vivo o desejo de paz, evitando slogans e a adesão a diversas ideologias. Precisamos de pessoas que saibam falar sobre a paz e testemunhá-la. Neste momento, mais do que discursos sobre a paz, precisamos de pessoas capazes de testemunhar e impactar positivamente suas respectivas populações.

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