EUA e o Irã cancelam as negociações de hoje na Suíça, enquanto Israel mata 18 pessoas no Líbano

Foto: Wikimedia Commons

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19 Junho 2026

As negociações previstas entre EUA e Irã nesta sexta-feira na Suíça foram canceladas abruptamente. Uma vez assinado o acordo de paz pelos presidentes de ambos os países, Washington e Teerã iriam começar a tratar o desenvolvimento técnico do memorando. No entanto, a Casa Branca informou nesta noite que o vice-presidente JD Vance não partiu para o encontro, justificando o atraso em problemas logísticos, enquanto o Exército israelense continua sua ofensiva no sul do Líbano, onde ao menos 18 pessoas morreram em ataques lançados nesta sexta-feira.

A informação é publicada por elDiario.es, 19-06-2026.

O governo suíço confirmou nesta sexta-feira que a reunião prevista entre Estados Unidos, Irã e os dois mediadores nas negociações para um cessar-fogo — Catar e Paquistão —, foi adiada. O encontro estava previsto para esta sexta-feira na localidade alpina de Bürgenstock, onde já havia sido montado um dispositivo de segurança em previsão da chegada das delegações.

A Casa Branca informou à imprensa que a logística desse tipo de negociações "nunca foi simples nem previsível" e evitou confirmar uma nova data de partida, ao mesmo tempo que assegurou que informará quando houver atualizações concretas sobre os próximos passos do processo. Segundo informa The Guardian, o cancelamento foi tão repentino que a equipe de JD Vance e um grupo de jornalistas já se encontravam no aeroporto para partir rumo à Suíça.

Em uma declaração anterior, Vance havia indicado que existia a possibilidade de viajar neste fim de semana à Suíça para participar do início das conversações técnicas com o Irã, no âmbito de um processo ainda em fase de organização. "Nosso plano é ir à Suíça; não sei exatamente quando. A forma como estamos organizando essa negociação técnica implica, obviamente, a participação dos líderes políticos de ambos os países", acrescentou o vice-presidente sobre um diálogo que se presume complicado.

Vance assegurou que também haverá "pessoal no terreno que impulsione diretamente as conversações técnicas e as conversações sobre o tema nuclear, ou seja, como destruir o urânio altamente enriquecido e todos esses detalhes práticos que requerem uma análise aprofundada".

No memorando de entendimento já assinado pelos EUA e pelo Irã, as partes se dão a partir de hoje um prazo de 60 dias para negociar um acordo de paz definitivo, que deverá ser ratificado por meio de uma resolução vinculante do Conselho de Segurança da ONU.

Suíça confia em que o encontro seja retomado

O Ministério de Assuntos Exteriores da Suíça indicou que, apesar desse revés, "os trabalhos preparatórios pertinentes em Bürgenstock continuam" e que mantém toda a sua disposição para facilitar as conversações.

Jornalistas de vários meios internacionais haviam chegado — agora se sabe que em vão — para tentar cobrir o evento, apesar de as autoridades terem indicado que não estava previsto acesso à imprensa.

Conforme as indicações recebidas, as autoridades suíças haviam colocado em marcha um plano para garantir a segurança dos negociadores e mediadores em Bürgenstock, um exclusivo resort de montanha localizado no alto do Lago de Lucerna, que inclui dois luxuosos hotéis e residências, bem como um espaço termal com impressionantes vistas ao lago e aos Alpes.

O local, além de seu caráter exclusivo, apresenta uma singular vantagem em termos de segurança: seu acesso pode ficar completamente bloqueado se for cortada a única estrada que leva até ele e se for interrompido o serviço do histórico teleférico que o conecta à margem do Lago de Lucerna, situada 500 metros abaixo. A polícia cantonal já havia feito ambas as coisas: colocado um posto de controle para filtrar as entradas e a impedir a passagem de qualquer pessoa que não estivesse hospedada em Bürgenstock ou que não fizesse parte de forças de segurança adicionais; e havia sido anunciado que o teleférico estava fechado desde a noite de quarta-feira até a próxima segunda-feira.

Nesse complexo turístico foi realizada em 2024 a Cúpula de Paz para a Ucrânia, à qual compareceram numerosos chefes de governo e delegações de 92 países num esforço para avançar na reflexão sobre sua reconstrução uma vez terminada a guerra com a Rússia.

Israel mantém ataques no Líbano

O Exército israelense confirmou em breve comunicado nesta sexta-feira que continua atacando infraestruturas da milícia xiita Hezbollah em diversas zonas do sul do Líbano. Segundo a Agência Nacional de Notícias (ANN) libanesa, ao menos 18 pessoas morreram e 33 ficaram feridas pelos ataques, numa violação dos termos do memorando de entendimento alcançado entre Irã e Estados Unidos para o cessar-fogo que entrou em vigor imediatamente após sua assinatura na madrugada de quinta-feira, e que estende o cessar-fogo ao Líbano. O Irã leva semanas advertindo que a frente libanesa é uma das linhas vermelhas que pode fazer descarrilar o acordo com os EUA caso Israel continue atacando o Líbano.

O líder do Hezbollah, Naim Qassem, disse nesta semana que o "limite para as negociações" entre Israel e o Líbano deve ser a "segurança mútua", e chamou a aproveitar o acordo de paz entre Irã e Estados Unidos para "expulsar" o Estado hebreu do sul do Líbano e restaurar a soberania.

Por sua parte, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, sentenciou na quinta-feira que o Exército manterá a "zona de segurança" nos territórios ocupados do sul do Líbano, dos quais Israel não se retirará "enquanto as necessidades de segurança assim o exigirem".

Nesta sexta-feira, tanto o Exército israelense quanto o Hezbollah se acusaram mutuamente de violar o cessar-fogo — que no papel está vigente entre Israel e Líbano, intermediado pelos EUA —, e justificaram assim seus intercâmbios de fogo cruzado.

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