18 Junho 2026
Um novo relatório mostra que mais países registraram picos de hostilidade religiosa por parte de indivíduos e grupos em 2023, o último ano para o qual há dados disponíveis — com o aumento atribuído em parte ao assédio a minorias religiosas e ao impacto contínuo da guerra entre Israel e o Hamas.
A reportagem é de Gina Christian, publicada por OSV News e reproduzida por National Catholic Reporter, 16-06-2026.
Ao mesmo tempo, desde 2007, mais governos têm reprimido a crença e a expressão religiosa.
Os resultados foram divulgados em 15 de junho pelo Pew Research Center em seu 16º relatório anual sobre os níveis globais de restrição religiosa.
As pesquisadoras do Pew Research Center, Samirah Majumdar e Vivian Jacobs, avaliaram dados de 198 países e territórios — representando "quase toda a população mundial" — extraídos de 19 fontes principais, incluindo as constituições dos países, o Departamento de Estado dos EUA, as Nações Unidas, a União Europeia, o FBI, a Human Rights Watch e a Anistia Internacional.
Os dados foram então classificados de acordo com duas métricas: um Índice de Restrições Governamentais, que monitorava as restrições religiosas impostas oficialmente; e um Índice de Hostilidades Sociais, que media atos perpetrados por indivíduos, grupos e organizações, como vandalismo e ataques físicos.
A Pew observou que suas estatísticas resumidas não tinham a intenção de determinar qual grupo religioso específico sofreu mais perseguição religiosa, uma vez que até mesmo um único incidente de assédio em um determinado país era contabilizado.
Atualmente, não existe uma definição internacionalmente aceita de perseguição religiosa, que pode assumir diversas formas.
Segundo o Pew Research Center, 55 dos 198 países estudados apresentaram "níveis elevados (altos ou muito altos) de hostilidades sociais envolvendo religião em 2023", um aumento em relação aos 45 do ano anterior.
Ao mesmo tempo, a Etiópia e as Filipinas viram uma queda nas hostilidades sociais de base religiosa naquele mesmo ano, passando da categoria alta para a categoria moderada do índice da Pew.
Bélgica, Noruega, Rússia, Espanha e Suécia passaram para a categoria "alta" do índice de hostilidades sociais do Pew em 2023, juntamente com a República Democrática do Congo, Guatemala, Serra Leoa, Sudão, Tanzânia, Tailândia e Turquia.
O assédio individual e coletivo contra muçulmanos, judeus e Testemunhas de Jeová elevou a pontuação da Espanha no índice em 2023, afirmou o Pew Research Center.
A Noruega também registrou "ataques repetidos" contra as Testemunhas de Jeová, bem como um "aumento no discurso de ódio" contra judeus e muçulmanos após o ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023 e a subsequente guerra entre Israel e o Hamas, segundo o Pew Research Center.
A violência coletiva na Rússia contra judeus e muçulmanos contribuiu para elevar a pontuação do país no índice de hostilidades sociais do Pew Research Center em 2023. Em um dos incidentes, "várias mulheres russas atacaram uma mulher muçulmana que usava hijab e seus filhos em um parquinho" nos arredores de Moscou, incidente no qual "as agressoras supostamente soltaram seus cães contra a família e os atacaram", afirmou o Pew Research Center.
A empresa de pesquisa afirmou que, em 2023, "o assédio governamental a grupos religiosos (seja verbal ou físico) foi um dos tipos mais comuns de restrições à religião", dando continuidade a um padrão dos últimos anos.
O Pew Research Center afirmou que esse tipo de assédio "ocorreu em 185 países", ou 98% do total de países estudados, em 2023, número quase igual ao do ano anterior, que foi de 186.
Além disso, segundo a Pew, a interferência no culto religioso "foi um tipo muito comum de restrição governamental", observada em 175 (88%) dos 198 países e territórios analisados — "marcando um novo pico para o estudo".
Entre as 25 maiores nações do mundo, a Pew Research Center constatou que aquelas com os maiores níveis de restrições governamentais à religião eram China, Irã, Indonésia, Egito e Rússia.
Entre o mesmo grupo de nações, "África do Sul, Estados Unidos, Japão, Filipinas e Reino Unido apresentaram os níveis mais baixos" de restrições governamentais à religião, afirmou o Pew Research Center.
É importante destacar que o Pew esclareceu que a Coreia do Norte não foi incluída no estudo, embora "as fontes indiquem claramente que o governo da Coreia do Norte está entre os mais repressivos do mundo em relação à religião, bem como a outras liberdades civis e políticas".
A Pew explicou que "a sociedade norte-coreana é efetivamente fechada a estrangeiros" e que "observadores independentes não têm acesso regular ao país", o que torna a coleta de dados nessa nação inviável.
Entre as 25 nações mais populosas, "Nigéria, Índia, Bangladesh, Paquistão e Egito apresentaram os níveis mais altos de hostilidades sociais envolvendo religião", afirmou o Pew Research Center, observando que, com exceção do Egito, esses países obtiveram pontuações "muito altas" nesse índice.
Em contrapartida, segundo a Pew, "China, EUA, África do Sul, Japão e Vietnã" apresentaram "os menores índices de hostilidades sociais" entre os 25 países mais populosos em 2023.
O Pew Research Center observou que, ao longo dos anos em que realizou o estudo, a pontuação mediana para restrições governamentais "aumentou de forma bastante constante", enquanto a pontuação mediana para o índice de hostilidades sociais "flutuou".
Essa tendência, segundo o centro de pesquisa, "sugere que os governos têm reprimido crenças e práticas religiosas de maneiras mais intensas do que em 2007", enquanto "o número de países com hostilidades sociais tende a aumentar e diminuir conforme os acontecimentos".
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