25 Fevereiro 2026
380 milhões de cristãos em todo o mundo estão expostos ao risco de perseguição por causa de sua fé; isso significa que, globalmente, 1 a cada 7 cristãos pode perder a vida se afirmar ser crente em Jesus.
O artigo é de Luigi Sandri, jornalista italiano, publicado por L’Adige, 16-02-2026. A tradução de Luisa Rabolini.
Eis o artigo.
Palavra de papa: esses números, aliás, foram apresentados por ele em janeiro, ao receber o Corpo Diplomático acreditado junto à Santa Sé, e explicados com mais detalhes por fontes do Vaticano nos últimos dias. Qualquer pessoa que pensasse, portanto, que a perseguição anticristã só estava na moda na época de Nero, há dois mil anos, ou no século XX, devido aos regimes nazistas ou comunistas, ficará surpresa com os números divulgados por Leão XIV; mas esses dados são confirmados por institutos e centros que analisam o preocupante fenômeno, país por país. Por exemplo, na Coreia do Norte, ser cristão pode ser punido, no mínimo, com pena de trabalhos forçados (mas — vale ressaltar — por cortesia ao presidente russo Vladimir Putin, o regime permitiu, em 2006, a construção da Catedral da Santíssima Trindade em Pyongyang, frequentada por cristãos ortodoxos russos).
Na África, desponta o problema da Nigéria. Esse caso é particularmente estudado porque, segundo as previsões dos demógrafos, o país — que atualmente conta com 216 milhões de habitantes — chegará a 400 milhões em 2050, tornando-se o terceiro país mais populoso do mundo, depois da Índia e da China.
Será que a iminente tensão religiosa será superada, então? Hoje, nesse país africano, 53% dos habitantes são muçulmanos e 45% cristãos (principalmente protestantes, seguidos por católicos). As frequentes violências, motivadas por pretextos religiosos, na verdade se fundamentam em conflitos sociais entre agricultores (cristãos) e pastores (muçulmanos). Mas também existem violências tremendas, especificamente "anticristãs", organizada pelo chamado Boko Haram, um grupo fundamentalista islâmico que incendeia igrejas com as pessoas dentro, condenando dezenas de homens, mulheres e crianças a mortes atrozes.
Contudo, sempre com uma mistura de pretextos religiosos e culturais, a perseguição anticristã ocorre na Somália, Eritreia, Líbia, Afeganistão, Iêmen, Sudão, Mali, Paquistão, Irã, Índia, Mianmar, Síria e Arábia Saudita. Neste último país, qualquer muçulmano que se converta ao cristianismo é considerado "apóstata". Ainda assim, a minoria cristã é bastante numerosa: aproximadamente um milhão de trabalhadores, homens e mulheres, das Filipinas, Vietnã, Índia e Síria. Eles sequer têm o direito de frequentar uma igreja; aos domingos, reúnem-se aqui e ali nas casas, por sua própria conta e risco. A mesma situação dolorosa se aplica aos milhares de fiéis ortodoxos e protestantes.
Mas os governos ocidentais não veem problemas: para eles, comprar petróleo saudita é mais importante do que perturbar as relações com a monarquia de Riad, abrindo dossiês problemáticos para ela.
A China também está longe de reconhecer a plena liberdade religiosa para seus cidadãos; mas os líderes estadunidenses e europeus geralmente não levantam essas questões quando visitam Pequim.
Leia mais
- Cristãos em todo o mundo estão mais ameaçados do que nunca
- Perseguições – cristianofobia: verdade e remoção. Artigo de Lorenzo Prezzi
- No século XXI, 1.624 cristãos foram mortos por causa da sua fé
- Um cristão em cada sete no mundo é perseguido por sua fé
- Organizações preveem crescimento da perseguição religiosa a cristãos em 2022
- O Ocidente e a cristianofobia. Artigo de Lorenzo Prezzi
- Perseguições a cristãos crescem em 2020
- Apesar das perseguições, cristianismo cresce na África
- Cinco mitos sobre a perseguição anticristã
- Fulanis perseguem cristãos na Nigéria e Estado se omite
- Papa Francisco reza pelos cristãos perseguidos. Veja o vídeo
- Terremoto político na Índia pode pôr em risco a minoria cristã
- América Latina desmascara o mito de que cristãos não são perseguidos
- ‘Cristofobia’ como discurso de proteção aos fundamentalismos
- ‘O cristianismo como padrão se foi’: a ascensão de uma Europa não cristã
- Aumenta o ódio antirreligioso na Europa