10 Junho 2026
"Pessoalmente, com um doutorado de pesquisa, não sinto ter nenhuma autoridade, muito menos reconhecida, na Igreja. E portanto, os títulos têm realmente autoridade em si mesmos? E aqui o discurso não se torna teórico (o que dá autoridade aos títulos), mas estritamente prático: onde se vê reconhecida (se realmente o é) essa autoridade? E em quais condições?"
O artigo é de Stefano Fenaroli, doutor em teologia, publicado por Settimana News, 09-06-2026.
Eis o artigo.
O confronto com a prosa clara, lúcida, linear e ao mesmo tempo provocadora de Andrea Grillo nunca é uma perda de tempo. Especialmente quando com maestria ele consegue entrelaçar história, teologia e análise do presente. Mas o que me impele a tomar a palavra é a tentativa de continuar (mais do que reagir) o percurso traçado por Grillo, voltando o olhar não apenas para a parte do caminho a percorrer para chegar aos títulos (e em quais condições), mas também para aquela ao longo da qual se deveria ser capaz de colocá-los a frutificar (e em quais condições). Falo por experiência, como jovem doutor em teologia que pode se dar o luxo de dizer que hoje, por vicissitudes alternadas e muitas vezes fruto do acaso, pode viver de teologia. Mas a quantos é permitido? E sobretudo: trabalha-se em vários níveis para que isso possa acontecer?
Qual autoridade para quais títulos?
Uma expressão de Andrea Grillo me chamou a atenção: "Se se institui um curso que não oferece nenhum título, exclui-se uma parte significativa de possíveis sujeitos de chegar ao reconhecimento de um título, de ter uma autoridade reconhecida na Igreja." Concordo com isso, mas gostaria de elevar a aposta: de qual autoridade estamos falando?
Pessoalmente, com um doutorado de pesquisa, não sinto ter nenhuma autoridade, muito menos reconhecida, na Igreja. E portanto, os títulos têm realmente autoridade em si mesmos? E aqui o discurso não se torna teórico (o que dá autoridade aos títulos), mas estritamente prático: onde se vê reconhecida (se realmente o é) essa autoridade? E em quais condições?
Utilidade real
Hoje, na Igreja, que margem de utilidade real têm os títulos que são conferidos? Diria praticamente nenhuma. E quando falo de utilidade não entendo "tornar-se útil", mas efetivamente "viver disso", com um salário, uma renda econômica. O primeiro desdobramento, obviamente, é o do ensino, mas sabemos bem que está fortemente blindado e sobretudo — com pesar — vinculado mais às relações, aos contatos, ao saber-se ligar aos professores certos, do que aos títulos acadêmicos. Sem considerar que, nesse ritmo, se não se programa uma séria atualização da ciência teológica no quadro público das ciências, também esse âmbito tenderá a desaparecer, quando também o último dos seminaristas decidir se retirar.
Reconhecimento
A este fato logo se acrescenta um segundo: o reconhecimento. Uso uma expressão um pouco seca, mas creio mais eficaz: muitas vezes, o que é reconhecido não é o título, mas o estado. Um doutor em teologia presbítero ou religioso/a será sempre "mais doutor" do que um leigo ou uma leiga. Não se pode negar. E creio que esta seja a verdadeira "carta fraca" que derruba todo o nosso castelo: perceber que no fim de tudo, apesar dos anos, dos estudos, do empenho, das disciplinas, há sempre aquele "algo", aquele fator, que embaralha as cartas em jogo e faz com que sejam sempre aqueles a vencer.
Os títulos
Gostaria de fazer uma reflexão sobre os títulos. Bacharelado, licença e doutorado. Três nomes que talvez Andrea Grillo identificasse como a assinatura de uma sociedade da honra numa sociedade da dignidade. Um legado bastante pesado, que já por si mesmo requer um investimento de energias considerável.
Três coisas diria em particular. Antes de mais, a forma: creio ser indispensável repensar o currículo dos estudos simplificando-o, em termos de tempo e de títulos. Uma licenciatura de cinco anos de ciclo único e um doutorado parecem-me mais do que suficientes. Segundo, o estilo: há um sequestro teórico da teologia acadêmica, que nasce de anos de estudo e de reflexão sobre os livros para depois se ver precipitada numa sociedade (e numa comunidade) que pede respostas imediatas, soluções pastorais e capacidade comunicativa. Que sentido tem pedir para saber escrever uma tese de quinhentas páginas, se depois o ministério (em sentido amplo) requer algo totalmente diferente? Terceiro, a tipologia dos títulos: por que não prever a instituição de outros títulos, mais acessíveis mas de facto reconhecidos e válidos, para poder participar na gestão da comunidade? Por que então não prever um envolvimento gradual, também ministerial se quisermos, mas real, daqueles que se formam a nível teológico?
Idade
Não posso deixar de mencionar um último ponto, que também desta vez me é particularmente caro por experiência pessoal: a idade. A teologia, assim como em geral a comunidade cristã, é um país para velhos, é inútil ir por rodeios. Onde não chega o sacramento da ordem, muitas vezes chega a idade: além de uma certa margem pode-se falar, antes não. Daí a importância de escolher o porta-voz certo, o mentor certo, na esperança de poder beneficiar da sua voz para fazer ressoar a própria. Fala-se frequentemente dos jovens… mas quanto falam os jovens? Quanto os deixamos falar?
São estas algumas perguntas, alguns pontos de reflexão que quis propor para continuar o confronto. Tenho consciência de que tudo isso requer realmente um repensar da comunidade, da gestão, do sentido das coisas que fazemos. A esperança, porém, é que, apesar do silêncio sinodal sobre estes temas, o continuar a falar deles possa suscitar o desejo de uma verdadeira reforma — porque é algo que não diz respeito apenas a uma minoria, mas traz consigo uma oportunidade para toda a sociedade e, de modo mais geral, para uma maneira diferente de pensar a fé, a cultura e o "estar" do cristão no mundo.
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