#os hábitos. Artigo de Gianfranco Ravasi

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06 Junho 2026

"A gente não se liberta de um hábito atirando-o pela janela: é preciso fazê-lo descer a escada, degrau por degrau", escreve Gianfranco Ravasi, ex-prefeito do Pontifício Conselho para a Cultura, em artigo publicado por Il Sole 24 Ore, 31-05-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

Hábito é hábito. 'A gente não se liberta de um hábito atirando-o pela janela: é preciso fazê-lo descer a escada, degrau por degrau'.

Muitas vezes nos encontramos realizando gestos inconscientes, marcados por hábitos de longa data. Hábitos. Muitos são gestos habituais necessários: basta pensar na respiração, que, felizmente, nos é natural, sem qualquer consciência específica. Outras ações não são obrigatórias; aliás, em algumas situações podem ser prejudiciais. Nesse último caso, transformam-se de hábitos em vícios. O romancista estadunidense Mark Twain (1835-1910) – que muitas vezes foi autor de frases brilhantes – nos propõe a citação acima mencionada. Ela foi extraída da obra "Pudd'nhead Wilson". A moral a ser deduzida é bastante simples (mas colocá-la em prática é um pouco mais complexo). Superar um defeito, seja físico ou moral, é, de fato, o resultado de uma longa prática. Não se perde um vício – basta pensar no cigarro, no álcool ou nas drogas – com uma única decisão irreversível.

É preciso, como diz o escritor estadunidense, descer degrau por degrau, quase como fazem as crianças que primeiro testam o terreno, depois fazem várias tentativas e só no final conquistam o novo espaço para recomeçar todo o processo. Não é à toa que a palavra "ascese", em sua origem grega, significa "exercício". Antes de poder fazer piruetas livremente no ar, o acrobata precisa passar dias e dias em uma série de atos modestos e repetidos que o libertam progressivamente das dificuldades e da limitação. Caso contrário, ficamos presos ao chão, aprisionados na nossa própria gravidade até o paradoxo denunciado por outro escritor, o francês Max Jacob (1876-1944), em sua obra "O copo dos dados": "Um velho não tem mais vícios; são os vícios que o têm!".

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