11 Abril 2026
"Jesus não foi em sua vida um mestre entre outros, mas um evento-encontro que transformou a vida daqueles que visitou. Nesse sentido, ele não pode ser procurado entre os mortos, porque na forma do encontro ele sempre permanece vivo."
O artigo é de Massimo Recalcati, psicanalista italiano e professor das universidades de Pávia e de Verona, publicado por La Reppublica, 05-04-2026. A tradução de Luisa Rabolini.
Eis o artigo.
Como podemos, enquanto leigos, ler o mistério cristão da ressurreição? Que impacto pode ter para nós esse evento se não possuirmos o dom da fé? O cinismo cientificista do nosso tempo, nesse ponto, levantaria a mão com desencanto para afirmar com certeza peremptória que nenhum homem pode ressuscitar da morte porque a morte é nosso destino inexorável. O evento-relato da ressurreição de Cristo não passaria de uma triste história de consolo diante da natureza finita e imperfeita de nossa existência? Seria, mais simplesmente, uma fuga da realidade incontornável do nosso fim?
Bem, contra esse reducionismo, não poderíamos, em vez disso, tentar extrair lições da experiência do ressuscitado? Enquanto isso, podemos ressaltar uma profunda contradição que permeia a narrativa do Evangelho. Jesus não é um imortal, mas, mesmo assim, vence a morte. Sua posição não é aquela atribuída mitologicamente aos deuses pagãos, nem aquela reconhecida pela filosofia grega para a alma, cuja natureza espiritual não pode ser aprisionada na prisão do corpo, segundo uma famosa imagem platônica. Jesus não evita a morte, mas vai ao seu encontro e a atravessa. O impacto diante de sua iminência desperta nele a angústia que acomete todos os seres humanos à medida que se aproximam do fim. Isso é ainda mais verdadeiro, visto que todos os seus ensinamentos foram inspirados por um profundo desejo de vida.
É por isso que ele devolve a visão aos cegos e a audição aos surdos, é por isso que permite que os paralíticos voltem a andar e que os leprosos sejam curados, é por isso que liberta homens e mulheres de suas relações de dependência, é por isso que liberta a Lei do espírito de vingança e da represália patibular.
Em suma, ao longo de todo seu ensinamento, jamais cessa de fazer ressurgir a vida da morte.
A ressurreição, portanto, não é o evento em que culmina a sua pregação, pois esta é constantemente inspirada pela necessidade diária da ressurreição. Os seres humanos não são feitos para morrer, argumentava Hannah Arendt, mas para nascer, para nascer uma infinidade de vezes. Não, portanto, para morrer, mas para ressuscitar, para ressurgir uma infinidade de vezes. Por essa razão, sua primeira oração no Jardim do Getsêmani é uma súplica dirigida ao Pai para que sua própria vida possa continuar a viver, para que a festa da vida não termine, mas continue eternamente, para que Ele afaste de sua boca o cálice amargo da morte. Se Jesus experimenta a morte, da Sexta-feira Santa e do Sábado Santo, a cruz e o sepultamento de seu corpo sem vida, é porque sua vida é radicalmente humana. No Getsêmani, ele tremeu como um homem, suou sangue como um homem, chorou como um homem, suplicou ao Pai como um homem, experimentou a traição dos seus e o abandono absoluto como um homem. Nenhum Deus o poupou de ser homem. Nenhum Deus o salvou de ser homem. Sua cruz é, nesse sentido, a nossa cruz. Dos crentes e dos não crentes.
Mas é aqui que nos deparamos com outra profunda contradição na narrativa-evento da ressurreição.
Após sua deposição da cruz e seu sepultamento, após sua separação da vida humana, Jesus reaparece para os seus. Seu corpo, ceifado pela morte e escondido dos olhos no Sábado Santo, perdido na escuridão, retorna à luz do dia. Mas não se trata de uma reanimação mágica de um morto ou a vida de um fantasma que retorna do Hades. O sepulcro, de fato, permanece vazio, não exibe uma presença, mas uma ausência. Mas essa ausência se torna uma presença que irradia. Seu significado é — e esta, a meu ver, é a lição laicamente mais profunda da Páscoa cristã — que na morte nem tudo morre. Existe um remanescente indestrutível que nunca deixa de irradiar luz. É um grande tema bíblico: o que permanece não é simplesmente o que sobrevive — o corpo do ressuscitado não é um corpo que sobreviveu à morte — mas aquilo que permite um novo começo.
Aconteceu com Noé, aconteceu com Moisés, aconteceu com Jesus. Um remanescente indestrutível testemunha que a morte não pode ser a última palavra sobre a vida. O que está em jogo não é um episódio sobrenatural, mas um encontro que nunca deixa de se repetir. É por isso que o corpo de Cristo insiste em suas aparições pós-Páscoa na margem do Mar de Tiberíades, caminhando ao lado de dois de seus discípulos a caminho de Emaús, ou mostrando seu lado transpassado aos discípulos reunidos. Mas — e aqui reside a segunda profunda contradição — embora insista em se mostrar, não pode deixar de se retirar. "Noli me tangere!", diz peremptoriamente, voltando-se para Maria Madalena após aparecer a ela do lado de fora do sepulcro. Isso sinaliza que o que continua a existir após a morte não se enquadra mais na ordem de uma simples presença, mas do encontro que nunca deixa de se repetir.
Jesus não foi em sua vida um mestre entre outros, mas um evento-encontro que transformou a vida daqueles que visitou. Nesse sentido, ele não pode ser procurado entre os mortos, porque na forma do encontro ele sempre permanece vivo. Mas ninguém pode possuir ou reter sua vida. É o que acontece nos encontros que deixaram uma marca indelével em nós. Ela não está mais aqui, ele não está mais aqui, eu não posso mais tocá-lo, não posso mais alcançá-lo. Mas sua morte não coincide com seu desaparecimento ou sua decomposição, porque aquele que não está mais aqui ainda está aqui, ainda está conosco, nunca deixa de se encontrar conosco. É por isso que Jesus pode dizer aos seus após a sua morte: "Estarei sempre com vocês".
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