Evento é promovido pela Comissão para Ecologia Integral e Mineração (CEEM), da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e o Instituto Humanitas Unisinos - IHU
A crise ecológica é o principal problema da nossa era. Enquanto essa afirmação é repetida por pesquisadores de diversas áreas do conhecimento, os efeitos das mudanças climáticas são sentidos não apenas nas altas temperaturas e ondas de calor cada vez mais frequentes e intensas, mas também em eventos climáticos extremos recorrentes em todo o mundo: secas, enchentes, inundações, ciclones, furacões, elevação do nível do mar, acidificação dos oceanos e degelo das calotas polares.
A falta de políticas de mitigação faz com que milhões de pessoas sejam deslocadas de seus territórios todos os anos. De acordo com o relatório Sem Escapatória II: o caminho a seguir [No Escape II: The Way Forward], publicado pelo ACNUR, Agência da ONU para Refugiados, em novembro do ano passado, “os choques climáticos estão minando as chances de recuperação, aumentando as necessidades humanitárias e amplificando os riscos de deslocamentos repetidos”.
No caso brasileiro, a degradação socioambiental é agravada por empreendimentos predatórios, como o da mineração, seja legal ou ilegal. Para refletir sobre esse cenário e as formas de enfrentá-lo, a Comissão para Ecologia Integral e Mineração (CEEM), da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e o Instituto Humanitas Unisinos - IHU estão promovendo, em parceria, o Ciclo de Estudos – Ecologia Integral em tempos de colapso ambiental. Profecia, resistência e propostas pastorais.
O painel de abertura foi conduzido por Dom Vicente Ferreira, bispo da Diocese de Livramento de Nossa Senhora (BA), por Moema Miranda, do Instituto Teológico Franciscano e da CNBB, pelo Frei Rodrigo Peret, OFM e pelo Pe. Dario Bossi, da CEEM-CNBB, em dezembro do ano passado. Os painelistas fizeram um balanço da COP30 à luz da Laudato Si’ e enfatizaram a atuação da Igreja na proteção dos territórios atingidos pela mineração.
O evento, segundo a equipe organizadora, “pretende compreender a conexão entre o extrativismo predatório, que atenta ao equilíbrio da Ecologia Integral, e os graves desafios globais, como as guerras entre os povos e com a natureza, a crescente voracidade energética e a irrupção da inteligência artificial”.
Em 17 de março deste ano, o ciclo abordará o extrativismo à luz da Inteligência Artificial (IA). O neurocientista Miguel Nicolelis ministrará a videoconferência “A Inteligência não é Artificial. Intenções humanas, extrativismo e o poder por trás das máquinas”. O pesquisador vai problematizar os aspectos envolvidos no desenvolvimento desse tipo de tecnologia. Segundo ele, somente 2024 “foram 300 bilhões de dólares investidos em empresas de IA; fora a água, a energia, o solo, a poluição atmosférica e o fato de que um data center moderno não gera emprego e não tem retorno nenhum”.

De acordo com reportagem da Agência Pública no fim do ano passado, “quase um terço dos 195 data centers em instalação ou funcionamento do Brasil estão no estado de São Paulo” e “tem preocupado especialistas e ambientalistas em razão do alto consumo de água das operações, diante das sucessivas crises hídricas enfrentadas” no estado. A água é utilizada para impedir o superaquecimento dos servidores.
Em 28 de abril, o economista e jesuíta Gäel Giraud, professor na Georgetown University, nos Estados Unidos, apresentará uma leitura sistêmica da Ecologia Integral em tempos de colapso ambiental. Giraud tem insistido na necessidade de incluir os bens comuns no debate sobre o enfrentamento da crise ecológica e a transição energética. Os bens comuns, diz, são “todos os recursos simbólicos, culturais, materiais e ecológicos que queremos gerir em conjunto. (…) O que proponho é uma terceira via: nem tudo privado, nem tudo público, mas a sociedade civil na linha de frente para a invenção dos ‘comuns’”.


Na interpretação do jesuíta, no magistério do Papa Francisco houve uma tentativa de promover os comuns. Essa linha de raciocínio, exemplifica, está presente em textos como Laudato si', Fratelli tutti, Laudate Deum e Querida Amazonia. “Como podemos imaginar que a Amazônia se torne um ‘comum’ global? Como podemos garantir que a água se torne um ‘comum’? Estamos avançando na Igreja, mas também fora dela, na promoção dos ‘comuns’. Não para substituir a propriedade privada, certamente não para aboli-la, mas para dar aos ‘comuns’ aquele lugar que nos permita resolver os grandes problemas de hoje”. Essa problemática foi aborda recentemente na entrevista reproduzida no site do IHU, disponível aqui.
A atividade é gratuita. Será fornecido certificado a quem matricular-se em cada conferência e, no dia do evento, preencher o formulário de presença disponibilizado somente durante a transmissão. O aluno poderá matricular-se apenas nas conferências que desejar assistir. O certificado informará a carga horária total cursada e estará disponível no Portal Minha Unisinos a partir de 20 dias após o término do Ciclo de Estudos (todas as conferências).
O evento é aberto ao público para assistir na página inicial do IHU, no YouTube, no Facebook e no Twitter. Não é necessária inscrição para acompanhar a transmissão.
Mais informações sobre o Ciclo estão disponíveis na página do evento.