09 Janeiro 2026
O projétil, que tem capacidade para transportar armas nucleares, tinha como alvo a cidade ucraniana de Lviv, no oeste da Ucrânia, perto da fronteira com a Polônia.
A reportagem é publicada por El Diario, 09-01-2026.
Na sexta-feira à noite, a Rússia bombardeou território ucraniano com um míssil balístico hipersônico Oreshnik em resposta ao suposto ataque com drones ocorrido no final de dezembro contra uma das residências do presidente russo Vladimir Putin, informou o Ministério da Defesa russo nesta sexta-feira.
O comunicado militar explica que a operação é uma “resposta ao ataque terrorista do regime de Kiev contra a residência do presidente russo na região de Novgorod, em 29 de dezembro”. Acrescenta que Moscou atacou na noite anterior “infraestrutura vital em território ucraniano”, utilizando mísseis de médio e longo alcance, tanto terrestres quanto marítimos, além de drones de ataque, que, segundo relatos, atingiram seus alvos. De acordo com o comunicado, os alvos incluíam infraestrutura energética e instalações de fabricação de drones em território inimigo.
O míssil hipersônico Oreshnik, que percorreu sua trajetória a uma velocidade de cerca de 13.000 quilômetros por hora, atingiu a cidade de Lviv, de acordo com o prefeito local, Andri Sadović.
“Esta é a primeira vez que este tipo de ataque é usado contra Lviv durante uma guerra em larga escala. A cidade está localizada a menos de 70 quilômetros da fronteira com a União Europeia. Este é um sinal claro para nossos parceiros internacionais: a guerra da Rússia não conhece fronteiras”, alertou o prefeito em uma mensagem no Telegram.
Esta é a segunda vez que Moscou usa o míssil Oreshnik para atingir a Ucrânia, que nega sistematicamente ter atacado a residência de Putin, alegação também contestada pelo presidente dos EUA, Donald Trump.
O Kremlin acusou Kiev de sabotar as negociações de paz entre a Rússia e os EUA com o ataque, embora aliados do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky tenham respondido que é Moscou que se recusa a parar de lutar até que o inimigo se renda.
O míssil Oreshnik, que Putin anunciou que entraria em serviço até o final de 2025, foi usado pela primeira vez em dezembro de 2024 contra uma fábrica militar na região ucraniana de Dnipropetrovsk.
Este míssil de médio alcance, capaz de transportar ogivas nucleares, poderia teoricamente atingir alvos localizados a milhares de quilômetros de distância com uma margem de erro de apenas algumas dezenas de metros.
Putin, que enfatiza que a prioridade da doutrina nuclear russa é manter a paridade estratégica com os EUA, afirma que o armamento hipersônico russo não tem paralelo no mundo.
A Ucrânia está atualmente negociando garantias de segurança com o Ocidente, que incluiriam o envio de tropas europeias, com vistas a um futuro acordo de paz com a Rússia.
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