No rosto de uma criança: a prova da existência de Deus. Artigo de Matias Soares

Foto: ian borg/Unplash

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

07 Janeiro 2026

"No fervor do espírito do Natal do Senhor, temos que nos voltar ao sentido da vida; não só a nossa, como a de cada ser humano, desde a sua concepção até o seu fim natural. Pois, ela é algo estranho e espantosamente querido", escreve o padre Matias Soares, pároco da paróquia de Santo Afonso Maria de Ligório-Natal/RN, Capelão da UFRN.

Eis o artigo.

No contexto das celebrações natalinas, tenho a oportunidade de tornar letra um ensinamento que apresento aos familiares das crianças, às quais batizo com frequência: “Na contemplação do rosto de uma criança, sempre temos a oportunidade de confirmar a nossa fé na existência de Deus”. Que milagre do Criador, com a participação humana! Uma das grandes questões a serem meditadas, não só pelos cristãos, como também por todo e qualquer ser humano de discernimento e com seu reto uso da racionalidade, é a da sublimidade da vida, com seu mistério e sua beleza. A vida humana, que está envolta numa Ecologia Integral (Laudato Si', cap. IV), é o mais belo dom que o Criador projetou (Gn 1,27) e ofereceu à realidade organizada. Com todo o seu significado metafórico, o Senhor nos abençoou com vontade e inteligência. Nos fez livres e capazes de amar. Não somos um amontoado de células desconexas e fadadas ao acaso; mas somos um organismo atraído por um Fim Último, que nos torne bem aventurados - felizes.

No fervor do espírito do Natal do Senhor, temos que nos voltar ao sentido da vida; não só a nossa, como a de cada ser humano, desde a sua concepção até o seu fim natural. Pois, ela é algo estranho e espantosamente querido. Como é bom viver! Tenho ‘autoridade’ para dizer isto, já que passei por uma situação de ‘quase morte’. É maravilhoso viver e, por isso, ser defensor da vida. No rosto de uma criança, temos que perceber a centelha do divino que nos fala, nos revela e nos mostra que temos uma grande responsabilidade de ser amantes de cada pessoa, de cada ser humano e defensores de tudo que seja sinal da obra do Criador. Nas celebrações natalinas, não podemos nos prender a uma história sem alma, ou conversas eivadas de fantasias. O Natal do Senhor é a vitalidade da nossa existência e ponto axial da nossa visão de mundo; é a fonte e o ápice do Espírito do tempo, que agora está qualificado e iluminado com a presença real do Emanuel - o Deus conosco (Is 14,7; Mt 1,23). O evangelista João corrobora a nossa linha de reflexão quando afirma que “a Palavra fez-se carne e veio habitar entre nós (Jo 1,14); e que Ele é “o caminho, a verdade e a vida” (Jo, 14,6).

Liturgicamente, ainda teremos a Oitava do Natal como um prosseguimento destas celebrações. Entremos na espiritualidade destes momentos. Façamos um compromisso de lutar pela vida. Olhemos o rosto das pessoas, especialmente destes “Pequeninos do Senhor”. Nos encantemos com a sua pureza, honestidade e vitalidade. Voltemos as nossas mentes e os nossos corações às crianças que nestes tempos estão inseridas em contextos de guerras e outros dramas sociais. Infelizmente, a nossa condição humana, marcada pelo realidade do pecado, que faz com que, nem sempre façamos o bem; mas pratiquemos o mal (Rm 7,19), obscurece o nosso olhar e as nossas ações, que geram os tantos ressentimentos que nos afastam e nos levam a expulsar Deus das nossas vidas. Que a vivência do espírito natalino nos cure e nos fortaleça na fé e no amor. Assim o seja!

Leia mais