“Uma oração pela Querida Amazônia”

Foto: Marcelo Camargo | Agência Brasil

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

06 Setembro 2023

  • “Um território sagrado que contém abundantes sinais do amor de Deus”.

  • “As imagens dos povos indígenas em situação de insegurança alimentar e desnutrição, as consequências do desmonte das políticas públicas e do andamento de projetos que destroem rios e terras, indignação”.

  • “ Parar a destruição, ouvir os povos originários, guardiões das florestas e levar em conta as diretrizes da ciência são responsabilidades que todos devemos assumir”.

  • “Sentimos a urgência de dar a conhecer as belezas e riquezas deste bioma , do qual depende de alguma forma o futuro do planeta”.

A reportagem é de Luis Miguel Modino, publicada por Religión Digital, 05-09-2023.

Na data em que se comemora o Dia da Amazônia no Brasil, Dom Jaime Spengler, Arcebispo de Porto Alegre e Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), quis refletir sobre a realidade desta região em texto publicado pela Folha de São Paulo, intitulado “Uma oração pela amada Amazônia”.

Responsabilidade e coragem

“Um território sagrado que contém sinais abundantes do amor de Deus”, é como o define Dom Spengler, que recorda as palavras do Papa Francisco em Querida Amazônia: “A amada Amazônia aparece aos olhos do mundo em todo o seu esplendor, drama e mistério". O Arcebispo de Porto Alegre destaca que “ a celebração desta data nos convida a olhar para o bioma Amazônico com responsabilidade e coragem, reconhecendo a necessidade permanente de um compromisso ousado diante de seus dramas ”.

Dom Jaime Spengler discursando na CELAM. (Foto: Divulgação)

Nas suas palavras, o presidente do episcopado brasileiro denuncia “a destruição sistemática da Amazônia, coração biológico do planeta”, o que vê no facto de “o aumento vertiginoso da desflorestação e dos incêndios que se alastraram, destruindo a fauna e a flora, Além de escurecer o ar das cidades amazônicas, representam sérios riscos à saúde de seus habitantes.” Junto a isso, o texto relata que “as imagens dos povos indígenas em situação de insegurança alimentar e desnutrição, as consequências do desmonte das políticas públicas e do avanço de projetos que destroem rios e terras, indignam-se”.

Aquecimento global e mudanças climáticas

Nesta perspetiva, o presidente do Celam chama a atenção para o fato de “o abuso míope e egoísta da criação, com o objetivo de explorar até à exaustão o ambiente, tem contribuído, como mostram os estudos científicos, para o aquecimento global e para as alterações climáticas”. O grito da terra é ouvido quando se abrem clareiras que devastam as florestas e danificam este extraordinário ecossistema”.

Perante esta realidade, o prelado brasileiro vê um sinal de esperança no facto de no primeiro semestre deste ano ter havido uma redução de 60% no desmatamento florestal. Situação que “não deve diminuir a atenção e a vigilância, já que a perversidade de alguns continua em busca de subterfúgios que interfiram no equilíbrio deste importante bioma”. Dom Spengler relembra a celebração da cúpula dos presidentes amazônicos realizada recentemente em Belém, uma iniciativa que considera louvável, mas diante da qual insiste que “só será eficaz se os governos e os povos amazônicos assumirem compromissos viáveis ​​para deter a destruição ”.

Ouça os povos originários

É por isso que apela à sociedade, aos líderes locais e mundiais, para que “demonstrem sensibilidade à atenção e aos cuidados essenciais que a região clama”. Nesta perspectiva, “travar a destruição, ouvir os povos originários, guardiões das florestas e ter em conta as orientações da ciência são responsabilidades que todos devemos assumir”.

Por fim, o presidente da CNBB insiste que “a Igreja no Brasil continuará trabalhando incansavelmente para promover vida abundante para todos. O compromisso de seguir Jesus Cristo, especialmente diante das ameaças à vida, compromete-nos a preservar, cultivar, proteger e cuidar deste patrimônio que pertence a todos. Para isso, diz que “inspirados no princípio de uma ecologia integral e retomando os sonhos do Papa Francisco na Exortação Apostólica Pós-Sinodal, sentimos a urgência de dar a conhecer as belezas e as riquezas deste bioma, sobre o qual o futuro depende de alguma forma."

Leia mais