Mongólia: uma etapa para a China?

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01 Setembro 2023

Neste momento a visão mais recorrente na imprensa a respeito da viagem do Papa à Mongólia, de 1º a 4 de setembro, é a expressão “geopolítica”. Essa palavra já perdeu o seu significado preciso e, no caso do Papa, tornou-se uma espécie de código. Serve para destacar a liderança do Pontífice, o seu papel político, e para dar à viagem à Mongólia um contexto capaz de explicá-la, ou seja, que Ulaanbaatar é uma etapa de aproximação com Pequim. O cerne dessa leitura é a própria Mongólia, que foi província chinesa entre o século XVII e 1924. Hoje ainda é uma região espremida entre dois impérios - Moscou e Pequim - mas as suas relações com a China são inseparáveis.

A reportagem foi publicada por Il sismógrafo, 31-08-2023.

A veracidade da análise geopolítica, muito popular e de fácil compreensão, só será possível avaliar gradativamente após o término da viagem. Muito dependerá do comportamento do Papa Francisco, das suas palavras e dos seus gestos. Por enquanto há um aspecto que ajuda a compreender algo mais sobre esta viagem que muitos ainda consideram inesperada: a figura e o papel do Prefeito Apostólico da diocese mongol, o cardeal Giorgio Marengo. Parece que o novo cardeal seja uma personalidade chave por suas muitas, diversificadas e intensas relações com a China.

Além disso, o card. Marengo está consciente do significado de uma visita papal a 1.500 católicos num país de maioria budista. Para confirmar esses irmãos na fé era mais fácil e econômico fazer com que todos viessem a Roma. Ir à Mongólia corresponde a uma visão mais ampla, que olha para além das limitações de uma visita pastoral do Papa e que exorta os fiéis da Igreja local a serem uma minoria criativa na peregrinação da fé.

Essa perspectiva, decididamente vaticana, é bastante razoável e também muito relevante para a Igreja. No entanto, ainda é preciso ver, após a nomeação do bispo de Xangai feita por Pequim sem o consentimento da Santa Sé, conforme estipulado nos Acordos de 2018, o que a China quer entender dessa linguagem. Esse passo hoje faz parte das lutas internas do Partido Comunista Chinês onde a questão não foi resolvida.

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