Nicarágua: eliminar a Igreja Católica

Polícia de Nicarágua intimida o bispo de Matagalpa em 2022 (Foto: Vatican Media)

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02 Junho 2023

Após novas prisões de sacerdotes e outras perseguições destinadas a criar obstáculos para a missão pastoral e social da Igreja nicaraguense, o regime de Ortega iniciou uma verdadeira decapitação econômica das dioceses do país. De fato, todas as contas bancárias das Igrejas locais da Nicarágua foram bloqueadas, impossibilitando-as assim arcar com as despesas administrativas de necessidade diária - como o simples pagamento das contas de luz, gás e água.

A reportagem é de Marcelo Neri, publicada por Settimana News, 01-06-2023. A tradução é de Luisa Rabolini.

Ao forçar a Igreja a uma condição de inadimplência, Ortega tenta neutralizar sua obra e presença na Nicarágua. Em essência, é uma espécie de homicídio econômico da instituição eclesial – a única que, até o momento, havia sobrevivido ao despotismo totalitário do regime de Ortega.

Diante desse ato, levantou-se a voz dos crentes e dos defensores dos direitos humanos na Nicarágua. A advogada Martha Patricia Molina, expoente católica em exílio, afirmou que, com essa medida, Ortega pretende sufocar "a Igreja do ponto de vista financeiro", por meio de escolhas "arbitrárias, ilegais e desconsideradas". Este é o momento em que nós, católicos leigos, devemos intensificar nossas orações e cooperar economicamente com as nossas Igrejas para que possam atender suas obrigações financeiras e administrativas”.

Para justificar essa operação, Ortega acusou a Igreja Católica da Nicarágua de estar envolvida em atividades de lavagem de dinheiro. Mas os procedimentos utilizados pelo regime são, segundo o advogado Yonarki Martínez, empenhado na defesa dos direitos humanos face à repressão governamental, completamente ilegais: "A quebra do sigilo bancário ocorre quando há indicação de crime e para tanto, é necessária a autorização de um juiz, o procedimento utilizado não é aquele estabelecido pela Superintendência bancária. Dizem que estão investigando, mas no comunicado já condenam. O Ministério do Interior controla todas as ONGs. Nesse caso, o Ministério Público, a Polícia e a Unidade de Análise Financeira estão limpando as contas sem seguir um trâmite legal. Onde está a natureza do crime? Ajudar as pessoas?".

Para Molina, nesse ataque à Igreja Católica, fica ainda mais evidente o "uso arbitrário das leis do país". É urgente que instituições como a GAFILAT denunciem o uso indevido das leis bancárias para criminalizar pessoas e instituições. A Igreja Católica não lava dinheiro, não é terrorista e não financia a proliferação de armas. É urgente que a Conferência Episcopal da Nicarágua lance um apelo internacional, porque depois do congelamento das contas, o regime de Ortega prenderá outros religiosos e confiscará os bens imóveis da Igreja”.

O que rapidamente se tornou realidade. Há poucos dias, de fato, chegou a notícia de que o regime de Ortega, usando as forças policiais, invadiu o Instituto Técnico Santa Luisa de Marillac, uma fundação das freiras da Congregação das Filhas de Santa Luisa de Marillac, confiscando todos os bens imóveis e afastando as freiras envolvidas na administração e gestão do centro educacional.

Três religiosas estrangeiras foram privadas da residência na Nicarágua e receberam ordem de expulsão do país; aquelas de cidadania nicaraguense foram levadas à força para outras comunidades da Congregação.

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