Trono e altar. O putinismo como religião de Estado. Mas a direita clerical se divide sobre a Rússia cristã

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11 Outubro 2022

 

Cesaropapismo, nunca tão atual. Trono e altar unidos na mesma pessoa. Há aquele no papel, principalmente simbólico, relançado pela morte de Elizabeth II: o filho sucessor, Charles III, será de fato coroado rei e chefe da Igreja (anglicana) da Inglaterra, nascida do cisma de Henrique VIII em 1534.

 

O comentário é de Fabrizio D'Esposito, publicado por Il Fatto Quotidiano, 10-10-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

E há, sobretudo, aquele de fato entre Vladimir Putin e a Igreja Ortodoxa de Moscou e de toda a Rússia, um cesaropapismo de matriz czarista e cimentado pela guerra na Ucrânia. Assim, enquanto o papa e muitos católicos se mobilizam a favor de uma negociação pela paz, com o pesadelo da escalada nuclear, o patriarca Kirill reitera frequentemente o apoio cristão ortodoxo ao czar Putin, ignorando deliberadamente a palavra paz.

 

Ambos ex-KGB, ambos muito ricos, Sua Santidade e o presidente russo têm uma relação simbiótica, onde a fé em Deus não é mais um caminho pessoal, mas se torna o destino coletivo e guerreiro de um povo. E é até pertinente, deste ponto de vista, elevar então orações ao Altíssimo pelo líder político. Aconteceu em 7 de outubro, no aniversário de 70 anos de Putin. Kirill divulgou duas mensagens para o aniversário.

 

A primeira contém uma bênção especial, que foi pronunciada nas liturgias de todo o país. "Sua Santidade o Patriarca Kirill de Moscou e toda a Rússia convida todos os arquipastores, pastores, monges e leigos a oferecer uma oração fervorosa em casa neste dia pela saúde do Chefe de Estado russo". Esta: "Nós também vos pedimos, nosso Senhor Deus, para o chefe do estado da Rússia, Vladimir Vladimirovich, (...) que lhe conceda a vossa rica misericórdia e generosidade, que lhe conceda saúde e longevidade e nos liberte de toda a resistência dos inimigos visíveis e invisíveis, para afirmar com sabedoria e força espiritual, com a ajuda de todos, Senhor, escutai e tendes piedade”.

 

Mas o putinismo elevado ao status de religião do Estado também exalta uma parte dos clérigos católicos de direita.

 

Um de seus líderes é o ex-núncio apostólico nos EUA, D. Carlo Maria Viganò, a quem incrivelmente ainda é permitido usar título, cruz e emblema episcopal enquanto insulta frequentemente o Papa Francisco. Na sua última mensagem - depois de acusar a "fúria satânica” e maçônica de ter colocado Bergoglio no trono papal - invoca Nossa Senhora de Fátima a favor de Putin: “Se olharmos de um ponto de vista sobrenatural os eventos a que estamos assentindo, devemos reconhecer que a Rússia é hoje a única realidade que luta contra a meretriz globalista, e justamente por isso é hoje objeto dos ataques e provocações do deep state internacional, da fúria ideológica do Fórum Econômico Mundial que vê quase concluído seu golpe de estado subversivo para instaurar a ditadura sinárquica". Uma ditadura oculta e planetária, segundo o pensamento conspiratório.

 

Pelo contrário, em nome da Virgem de Fátima, outro conhecido clérigo de direita, Roberto de Mattei (Raízes Cristãs) observa: "O triunfo que Nossa Senhora prometeu à Igreja em Fátima será, com a conversão da Rússia, também a grande restauração do Ocidente cristão”. Uma conversão católica, contra o cesaropapismo de Putin e Kirill.

 

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