09 Setembro 2022
“Vou tentar ser fiel a ele. Ajudarei as pessoas que me lerem a manter viva a esperança que há nelas”. A reflexão é de Jean-Claude Guillebaud, jornalista, escritor e ensaísta, em artigo publicado por La Vie, 29-08-2022. A tradução é do Cepat.
Eis o artigo.
Mudanças climáticas, fracassos políticos, falta de médicos e professores, retorno da guerra na Europa e da inflação em toda a Europa... Para o nosso colunista, neste novo ano letivo o quadro é sombrio e é mais do que necessário manter bem vivo em nós a chama da esperança.
Há algum tempo somos vítimas de uma ansiedade particular. Digamos que se acumularam tantas notícias ruins em poucos meses que não sabemos mais onde estamos. Em primeiro lugar, há as intempéries ligadas às mudanças climáticas. Grandes incêndios, enchentes, chuvas de granizo. Os especialistas do IPCC não param de dizer que isso está apenas começando. As tempestades serão mais violentas e as inundações mais devastadoras.
A ausência de uma personalidade política tranquilizadora
Contemos também os fracassos políticos. Os partidos perderam a maior parte da sua coesão e já não sabemos qual é a sua visão do futuro. Eles são levados pelo curtoprazismo. Falta-nos uma personalidade capaz de tranquilizar os franceses, unindo-os diante das dificuldades. É certo que Emmanuel Macron é inteligente, culto, mas permanece imprevisível e muda de ideia com bastante frequência. Talvez demais. Ele mesmo deu a entender que não estava otimista em relação ao futuro. No dia 24 de agosto, ele reconheceu que estávamos vivendo “o fim da abundância”, sem precisar quais eram os franceses que viviam até então na abundância.
De resto, faltam-nos médicos e professores. Acostumamo-nos a falar do “deserto médico” francês. As autoridades locais já não sabem o que fazer para atrair alguns jovens médicos. Quanto aos professores, o novo ministro da Educação, Pap Ndiaye, é obrigado a formar em poucos dias “contratuais”. Ele também promete aumentar os salários em 2023 e pagar aos professores iniciantes acima de 2.000 euros líquidos por mês.
Uma guerra longa e onerosa para todos
Acrescentemos a tudo isso que a guerra está de volta na Europa com o ataque à Ucrânia liderado por Vladimir Putin em 24 de fevereiro de 2022. A França e a Europa, com razão, vieram em auxílio dos ucranianos. Os Estados Unidos, por sua vez, financiaram em grande parte as compras de armas de Kiev. Após mais de seis meses de combate, os russos não alcançaram seus objetivos, longe disso. Portanto, sabemos que esta guerra será longa. E onerosa.
É claro que o crescimento pagará o preço na França, mas também no Velho Continente. Os analistas, mais ou menos unanimemente, acreditam que a volta às aulas será difícil. A inflação já está em alta e os mais pobres serão as primeiras vítimas. Muitas famílias já entenderam que neste inverno não poderão mais se aquecer ou se alimentar normalmente. Elas terão que escolher. Será que percebemos o que essa regressão significa em um dos países que foi classificado entre os quatro ou cinco países mais ricos? Já não é mais.
Custa-me escrever isto. Sempre fui habitado pela esperança. Nos meus livros, eu apresento isso. E nunca esqueci de citar Georges Bernanos, que leio desde o colegial. Ele não mediu suas palavras. Em sua obra-prima, Diário de um Pároco de Aldeia (Editora É Realizações, 2011), ele nos lembra, a nós cristãos, um fato óbvio. “A tristeza é o maior vício do mundo moderno. O mundo moderno é triste, por isso é tão inquieto. A tristeza não é cristã. Cristãos tristes são impostores”.
Vou tentar ser fiel a ele. Ajudarei as pessoas que me lerem a manter viva a esperança que há nelas.
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