Afrotopias para habitar o mundo no antropoceno

Imagem: Serengeti Cyborg (Fanuel Leul Wikimedia/CC)

Por: Ricardo Machado | 19 Julho 2022

 

O Ciclo de Estudos Decálogo sobre o fim do mundo recebe na quarta-feira, 20 de julho de 2022, o professor e pesquisador Felwine Sarr que apresentará a conferência Afrotopia, Ética e Economia. "Habitar o mundo" no Antropoceno. O evento tem transmissão on-line e ocorre a partir das 10 horas, nas plataformas digitais do IHU, dentre elas o YouTube.

 

 

 

 

Em entrevista publicada pelo IHU, Felwine Sarr explica a concepção de afrofuturismo. “O conceito surgiu, inicialmente, para refletir sobre as dinâmicas sociais na África, em suas três dimensões: cultural, política e econômica. Acredito que a África precisa inventar por si mesma sua metáfora de futuro. Historicamente, sofremos um mandato civilizacional, subsumidos à ideia de desenvolvimento e a diversas teleologias do Ocidente”, descreve.

 

“E a verdade é que a noção de desenvolvimento econômico não funcionou. Ou seja, o conceito de 'bem-estar' é uma ideia universal, toda sociedade persegue essa meta. Mas, não existe uma única forma de consegui-la, seu exercício é resultado de uma determinada produção histórica e social”, complementa Sarr.

 

Ciclo de Estudos Decálogo sobre o fim do mundo

 

proposta do Ciclo de Estudos Decálogo sobre o fim do mundo é discutir, de modo transdisciplinar, os desafios que o novo regime climático do planeta impõe às nossas formas de pensar, conceber e habitar o mundo. Dividido em dez conferências, a programação do ciclo retoma questões políticas, filosóficas e teológicas sobre a vida no antropoceno, considerando o ocaso e, em certo sentido, o fim/esgotamento da Modernidade.

 

No centro da crise, o sentido e a autorreferencialidade do ser humano em um mundo em que cada vez mais somos governados pelo que nos habituamos chamar de natureza. Trata-se, portanto, de um debate que leva em conta o deslocamento da política para a dimensão cosmopolítica. Repensar a condição humana diante do novo regime climático e a ameaça da sexta extinção em massa, justamente da espécie humana, pode ser o ponto inicial da discussão aqui proposta.

 

Conferencista - Felwine Sarr

 

Felwine Sarr possui doutorado em Economia pela Universidade de Orléans (França), é professor na Universidade de Gaston Berger, em Saint Louis (Senegal), na qual, em 2011, ficou responsável pela faculdade de Economia e Gestão e criou o Centro de Investigação em Civilizações, Religião, Arte e Comunicação (CRAC), onde ensina Economia Política, Economia do Desenvolvimento, Econometria, Epistemologia e Historia das Ideias Religiosas.

 

É editor do Journal on African Transformation, editado pelo CODESRIA - Conselho para o Desenvolvimento da Pesquisa em Ciências Sociais em África e pela UNECA - Comissão Econômica das Nações Unidas para a África.

 

É autor dos livros Dahij (Gallimard 2009), 105 Rue Carnot (Mémoire d’Encrier 2011), Méditations Africaines (Mémoire d’Encrier 2012), Afrotopia (Philippe Rey 2016), entre outros.

Renato Sztutman (Foto: Reprodução IEA/USP)

 

 

Veja a programação completa e os conferencistas

 

O Ciclo de Estudos Decálogo sobre o fim do mundo se estende até julho. Você pode ver a programação completa a seguir. Para receber certificação, é necessário se inscrever no site do evento.

Todas as conferências serão transmitidas on-line no canal do YouTube do Instituto Humanitas Unisinos – IHU.

  

22 de julho | Multinaturalismo. Da política do conceito a um novo conceito de política

 

 

Mateus Uchôa é bacharel e mestre em Filosofia pela Universidade Federal do Ceará (UFC). É também mestre em Artes pelo PpgArtes da UFC. É doutor em Filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) na linha de Estética e Filosofia da Arte com pesquisa sobre os mundos animais e os limites do anthropos. Tem interesse em Filosofia da Natureza; Pluralismo Ontológico; Pensamento Ameríndio; Multinaturalismo; Estudos Multiespécies; Virada Ontológica na Antropologia; Estética e Pensamento Decolonial; Ecologia e Experiência Sensível; Cosmopolíticas e Questão Ambiental no Antropoceno.

 

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Juliana Fausto possui graduação em Filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2001), mestrado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2012) e doutorado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2017). Atualmente é pós-doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade Federal do Paraná, com bolsa PNPD/CAPES, onde atua como professora visitante, ministrando disciplinas nos níveis de Graduação e Pós-Graduação em Filosofia. Desenvolve pesquisa na área de Filosofia e a Questão Ambiental, com ênfase na relação dos animais outros que humanos com a política, e na área de estudos feministas, com ênfase em epistemologias feministas e nos conceitos de mulheres, natureza e monstruosidade. Tem interesse em temas relacionados a Antropoceno, animais, ecofeminismo, gênero, cinema e literatura. Foi bolsista Nota Dez da FAPERJ (2015-2016).

 

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