A China está vencendo a guerra comercial. Artigo de José Eustáquio Diniz Alves

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09 Fevereiro 2021

"A vantagem chinesa é inquestionável mesmo diante de toda a tentativa de reverter o desequilíbrio na balança comercial", escreve José Eustáquio Diniz Alves, doutor em demografia e pesquisador titular da Escola Nacional de Ciências Estatísticas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – ENCE/IBGE, em artigo publicado por EcoDebate, 05-02-2021.

Eis o artigo.

“A humanidade vai sair mais fortalecida da pandemia se trabalhar unida, respeitando diferenças entre países sem preconceitos ideológicos e promovendo o multilateralismo em oposição ao isolamento arrogante que leva a uma nova Guerra Fria” Xi Jinping (janeiro de 2021)

O presidente da China, Xi Jinping, fez um discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, contra os preconceitos ideológicos, defendo o multilateralismo e alertando para a possibilidade de uma nova Guerra Fria. Este tipo de pronunciamento significa uma grande mudança na diplomacia chinesa. A China que já se isolou do mundo no passado (durante o período da Revolução Cultural), agora é o país líder no comércio internacional e a economia que mais cresce no mundo nos últimos 40 anos, desde o início das reformas econômicas promovidas por Deng Xiaoping.

O sucesso da estratégia chinesa tem provocado grande inquietação no Ocidente e gerou uma forte retaliação durante o governo de Donald Trump. Mas a despeito de todas as sanções internacionais, a China continua avançando, mesmo no ano passado, quando a pandemia da covid-19 provocou uma grande recessão global. A China foi o epicentro original da doença do novo coronavírus, mas foi também um país que conseguiu controlar a difusão do vírus no território chinês e conseguiu minimizar os impactos negativos da pandemia.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou o Worlgd Economic Outlook (WEO) em 26/01/2021 mostrando que a China teve um crescimento de 2,3% do PIB em 2020, desempenho muito melhor do que os países do G-7 que tiveram queda entre -3,4% dos EUA e -10% no Reino Unido, conforme mostra o gráfico abaixo. A previsão é que a China também cresça 8,1% em 2021, muito mais rápido do que as economias avançadas que devem ter um aumento de 4,3%.

(Foto: EcoDebate)

No comércio bilateral com os EUA, o superávit chinês é impressionante e teve uma média de US$ 311 bilhões durante os 8 anos do governo Obama e aumentou para uma média de US$ 364 bilhões no governo Trump, conforme mostra o gráfico abaixo. A vantagem chinesa é inquestionável mesmo diante de toda a tentativa de reverter o desequilíbrio na balança comercial.

(Foto: EcoDebate)

A capacidade produtiva chinesa é realmente impressionante. O site Bloomberg informa que o domínio das exportações da China durante a pandemia do coronavírus é mais bem refletido pelo item que se tornou essencial na proteção contra o vírus: máscaras faciais. As fábricas exportaram 224 bilhões de máscaras de março a dezembro, o equivalente a quase 40 máscaras para todas as pessoas no mundo fora da China. Os embarques valeram 340 bilhões de yuans (US$ 52 bilhões), o que representa cerca de 2% de todas as exportações chinesas em 2020. As empresas chinesas também exportaram quase 100 bilhões de yuans em outros equipamentos de proteção individual. No total, as exportações de equipamentos médicos e medicamentos aumentaram 31% no ano passado em relação a 2019.

A China adota o modelo conhecido como “Consenso de Beijing” que se opõe ao “modelo liberal conhecido como “Consenso de Washington”. Até recentemente os cientistas políticos consideravam que um país só atinge alto nível de desenvolvimento socioeconômico se adotar os princípios do regime democrático. Porém, a China está prestes a se tornar um país desenvolvido e com liderança tecnológica, mesmo sendo um regime autoritário e com auto grau de controle da mídia e das redes sociais.

O perigo da escalada de conflitos traz a possibilidade de um conflito bélico entre as superpotências. O escritor e professor da Universidade de Harvard, Graham T. Allison, no livro, “Destined for War: Can America and China Escape Thucydides’s Trap?”, aponta para a possibilidade de uma guerra entre os EUA e a China. O motivo é a “Armadilha de Tucídides”, que se refere a um padrão de estresse estrutural que resulta do movimento provocado pelo choque entre um poder ascendente e o poder hegemônico descendente. Esse fenômeno é tão antigo quanto a própria história. Allison explica que na Guerra do Peloponeso (que devastou a Grécia antiga entre os anos de 431 e 404 a.C.) foi a ascensão de Atenas e o medo que isso incutiu em Esparta que tornou a guerra inevitável. Nos últimos séculos, essas condições de mudanças de hegemonia ocorreram dezesseis vezes, sendo que, em doze delas, estourou uma guerra. Para o autor, as condições atuais estão dadas para aumentar os conflitos comerciais e até gerar um conflito bélico entre as atuais super potências (Alves, 21/06/2018).

Ainda não está claro se o novo governo dos EUA adotará as políticas mais punitivas de Trump em relação à China ou se tentará reiniciar as relações entre os governos de Washington e Pequim. Enquanto o presidente Joe Biden ainda está formatando a política para o leste asiático, o Partido Comunista Chinês está prendendo a respiração, sem saber qual direção o novo governo americano tomará.

O mundo também prende a respiração, pois a relação entre as duas maiores economias do mundo vai afetar todos os países do mundo.

Referências:

ALVES, JED. A ascensão da China, a disputa pela Eurásia e a Armadilha de Tucídides. Entrevista especial com José Eustáquio Diniz Alves, IHU, Patrícia Fachin, 21 Junho 2018. Disponível aqui.

ALVES, JED. China, nova potência mundial Contradições e lógicas que vêm transformando o país. Revista do Instituto Humanitas Unisinos (IHU), China, nova potência mundial: Contradições e lógicas que vêm transformando o país. São Leopoldo, Nº 528, Ano XVIII, 17/9/2018 pp 51-58. Disponível aqui.

ALVES, JDE. Os 70 anos da Revolução Comunista na China, Ecodebate, 27/09/2019. Disponível aqui.

ALVES, JED. O bônus demográfico impulsionou a renda do Leste Asiático, Ecodebate, 22/01/2021. Disponível aqui.

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