Huawei, o campeão nacional da China!

Foto: Revista Opera/Matti Blume

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15 Janeiro 2021

Fundada em 1987 por Ren Zhengfei (ex membro do exército chinês, PLA) a multinacional tem sede em Guangdong, na China e se destaca hoje como a segunda maior produtora mundial de smartphones, superando a Apple e perdendo apenas para Samsung. A Huawei se tornou a maior empresa de equipamentos de telecom do mundo. Especialistas a consideram a empresa mais avançada no desenvolvimento da tecnologia 5G, crítica para um futuro baseado em inteligência artificial e internet das coisas. O campeao nacional gigante! (Subsídios para a empresa).

A reportagem é de Wilson Andrade e Felipe Augusto Machado, publicada por Blog Paulo Gala - Economia & Finanças, 11-01-2021.

Os contratos militares com o governo chinês foram desde o início combustível importante sua expansão. Um dos empréstimos recebidos do banco estatal China Development foi da ordem de U$30bi. O foco inicial da Empresa foi a fabricação e desenvolvimento de switchs e roteadores de Telecom para atender as necessidades do exército chinês desde anos 90 e os aportes do governo para companhia foram o pilar para seus desenvolvimento. Teve inúmeras proteções contra empresas estrangeiras no início e uma série de benesses do governo chinês. Segundo a AFP, em 10 anos, foram pelo menos US$ 1,6 bi de subvenções reconhecidas nos balanços da empresa. Ainda, engenheiros seus receberam centenas de milhares de dólares e enormes terrenos foram concedidos por apenas 1/10 do valor de mercado pelo Governo de Shenzhen (detalhes aqui).

Acusada de proximidade com o Governo chinês, a empresa, cujas ações seriam controladas pelos empregados, afirma ter total autonomia. Contudo, 99% das ações são controladas pelo Comitê do Sindicato, e os Sindicatos são todos submetidos à supervisão do PCC (detalhes aqui). Financiamentos de dezenas de bilhões de dólares foram fornecidos por Bancos chineses a estrangeiros que contratassem bens e serviços da empresa. A Telemar/Oi já contratou US$ 1,7 bi em empréstimos do Banco de Desenvolvimento Chinês para contratar equipamentos da Huawei. Hoje deve US$ 650 milhões ao Banco chinês. Como mostra o caso da Huawei, não se pode simplificar o debate sobre pol. de desenvolvimento. O Governo chinês impulsionou um campeão nacional num setor estratégico para o futuro do desenvolvimento econômico.

Como prova de ter conseguido notável upgrade e inserção virtuosa no mercado mundial, a Huawei inova agora com o smatphone P30 Pro, um celular premium da marca. O smartphone P30 Pro traz uma câmera que supera a do Iphone XS Max. O destaque do smartphone é a sua câmera traseira quádrupla, com sensores de 40, 20 e 8 megapixels e 3D (“Time of Flight”), ou seja, baseia-se no princípio de que cada um dos pixels determine a distância da câmara e do objeto mediante a medida precisa do tempo de atraso. Estas câmaras permitem capturar imagens em tempo real sem necessidade de movimento. Ao enviar um sinal óptico por um transmissor, iluminando a cena a qual pretende-se extrair a informação 3D. Traz também uma câmera de com 32 MP para selfies.

Para muitos no mundo o produto chinês ainda é sinônimo de baixa qualidade ou falsificação. Essa ideia não corresponde mais com a realidade. O Estado chinês conseguiu promover uma estratégia de desenvolvimento que catapultou as empresas chinesas pra fronteira tecnológica em muitos setores. A Huawei é um belo exemplo disso. Essa mudança de patamar é comum no processo de desenvolvimento econômico. Ainda no século 19, o mesmo aconteceu com os produtos industriais alemães, que surgiam para competir com os ingleses, e eram vistos como de baixa qualidade e pouco confiáveis. Com o Japão, a mesma história, os primeiros Toyotas foram ridicularizados.

Recentemente o Departamento de Justiça dos EUA revelou denúncias criminais que acusam a Huawei de fazer esforços extremos para roubar segredos comerciais de empresas americanas, incluindo uma tecnologia de robô da operadora americana T-Mobile usada para testar smartphones. Os passos pra Enriquecer, sobretudo nos países asiáticos que se desenvolveram nos últimos 50 anos, seguem uma trajetória semelhante: cópia, espionagem industrial, não respeitar patentes, engenharia reversa. A partir disso as empresas desses países aprendem e passam a produzir equipamentos próprios, constroem marcas e eventualmente conquistam o mercado das indústrias que eles copiaram. Um movimento impressionante de aprendizado tecnológico. Tornam-se “Learning Societies”!

Referências

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