A pandemia evidencia o ‘vírus da indiferença’ que assola a humanidade, afirma o papa Francisco em mensagem à Fiocruz

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05 Novembro 2020

"Na certeza de que viajamos “no mesmo barco, onde o mal de um prejudica a todos” (n. 32), cada qual, segundo as suas possibilidades concretas, deve, não tanto almejar uma volta à “normalidade”, que no final das contas encontrava-se já enferma, como sobretudo colaborar, seguindo o exemplo do Bom Samaritano, na construção de uma sociedade marcada pela inclusão, levantando e reabilitando aqueles que se encontram caídos nas margens da estrada da vida (cf. n. 67), na convicção de que “fomos criados para a plenitude, que só se alcança no amor” (n. 68)", afirma o Papa Francisco em mensagem enviada à Fundação Osvaldo Cruz, por ocasião do Seminário  Fratelli tutti: A mensagem social global do Papa Francisco.

Segundo Francisco, "o esforço da Friocruz, bem como de tantos outros centros de pesquisa no Brasil e de cada mulher e homem, investigador, médico ou enfermeiro, além de ser uma manifestação de zelo profissional, pode – e deve – ser vivido como uma expressão concreta de amor para com o próximo".

Eis a íntegra da mensagem.

Ilustríssima Doutora
Nísia Trindade Lima
Presidente da Fundação Osvaldo Cruz

Acolhi com grande satisfação o convite feito para que enviasse uma mensagem por ocasião do Seminário Fratelli tutti: A mensagem social global do Papa Francisco, promovido pela fundação Osvaldo Cruz, e de bom grado dirijo a todos os profissionais da saúde do Brasil a minha saudação e o meu agradecimento por tudo o que tem feito pela população deste país, que me é tão caro.

Quero também manifestar o meu reconhecimento pelo trabalho de excelência científica na área da saúde pública realizado nesta centenária instituição que, a exemplo de seu renomado fundador, o sanitarista Osvaldo Cruz, promove a saúde e a qualidade de vida dos brasileiros. Neste momento em que o Brasil, juntamente com o resto do mundo, enfrenta a pandemia da Covid-19, se faz ainda mais significativa a missão desta instituição e de cada profissional da saúde.

Esta pandemia, que não exclui ninguém no seu rosto de sofrimento, evidencia ainda mais os efeitos nocivos de um outro vírus que há muito tempo assola a humanidade, o vírus da indiferença, que nasce do egoísmo e gera injustiça social. Diante desta realidade, quis, na recente Carta Encíclica Fratelli tutti – sobre a fraternidade e a amizade social –, propor a imagem do Bom Samaritano, cuja parábola, independentemente de convicções religiosas, nos interpela sobre o verdadeiro sentido do amor ao próximo (cf. n. 56) e nos convida “a fazer ressurgir a nossa vocação de cidadãos do próprio do país e do mundo inteiro, construtores de um novo vínculo social” (n. 66).

Na certeza de que viajamos “no mesmo barco, onde o mal de um prejudica a todos” (n. 32), cada qual, segundo as suas possibilidades concretas, deve, não tanto almejar uma volta à “normalidade”, que no final das contas encontrava-se já enferma, como sobretudo colaborar, seguindo o exemplo do Bom Samaritano, na construção de uma sociedade marcada pela inclusão, levantando e reabilitando aqueles que se encontram caídos nas margens da estrada da vida (cf. n. 67), na convicção de que “fomos criados para a plenitude, que só se alcança no amor” (n. 68). Neste sentido, penso que o esforço da Friocruz, bem como de tantos outros centros de pesquisa no Brasil e de cada mulher e homem, investigador, médico ou enfermeiro, além de ser uma manifestação de zelo profissional, pode – e deve – ser vivido como uma expressão concreta de amor para com o próximo.

E fazendo votos de que este Seminário possa reafirmar o compromisso de cada um no combate à pandemia e inspirar atitudes concretas que ajudem a promover de modo sempre mais eficaz e isento de ideologias o bem comum, envio a Benção Apostólica, extensiva a seus familiares, pedindo também que, por favor não deixem de rezar por mim.

Roma, São João da Latrão, 30 de outubro de 2020.

Francisco

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