30 Mai 2020
"Cinco anos após o lançamento da encíclica Laudato Si', a pandemia de Covid-19 ressonou com força dez vezes maior a visão do Papa Francisco em favor de uma ecologia integral, para 'o cuidado da casa comum'", escreve Aymeric Christensen, em artigo publicado por La Vie, 18-05-2020. A tradução é de Benno Brod.
Eis o artigo.
“Não há duas crises separadas, uma, do meio ambiente e outra, social, mas uma só e complexa crise socioambiental. As possíveis soluções requerem uma abordagem integral, para combater a pobreza, devolver a dignidade aos excluídos e, ao mesmo tempo, para preservar a natureza.” Sem dúvida, muitas consciências estavam sensibilizadas em relação a essas questões, antes de o Papa Francisco assinar, há cinco anos, sua encíclica Laudato si’. Mas, se esse texto soube tocar e converter, não somente pessoas no mundo católico, mas também além dos círculos habitualmente atingidos pelas cartas pontifícias, foi porque sua dimensão profética logo aparecia. E isso ressoa com tanto mais força na hora em que a pandemia do Covid-19 vem tragicamente confirmar a intuição fundamental: “Tudo está ligado.”
Sim, pois o imaginário da exploração e da conquista da humanidade, essa sede de espaço, de possessão, de crescimento, aparentemente impossível de saciar, e nossa avidez comum, acabaram se voltando contra nós. Como se a Terra nos dirigisse este eterno aviso de mãe contra “os olhos maiores que o ventre”... À crise ecológica (que ainda poderia nos parecer longínqua) se mistura hoje a crise sanitária, tão próxima, e, logo em seguida, uma crise econômica e social, sobre o fundo de uma crise espiritual que nem ousamos olhar de frente.
Para a salvação de nossa “casa comum”, isto é – e o compreendemos agora – para nossa própria sobrevivência, somente o caminho da ecologia integral constitui uma opção viável.
As crises são mundiais, a crise é global. Já que o Papa tinha razão, já que os problemas estão ligados, poderia a solução ser outra coisa do que uma tomada de consciência e uma ação igualmente globais? Para a salvação de nossa “casa comum”, isto é – e agora o compreendemos – para nossa própria sobrevivência, somente o caminho da ecologia integral constitui uma opção viável. Não será, finalmente, vocação própria do catolicismo – e, de modo mais geral, de todo universo cristão – abraçar a globalidade do mundo e assumir uma aproximação “integral”?
Para que a crise seja como a crisálida dum mundo realmente renovado, precisamos, ao mesmo tempo, de uma mobilização coletiva e pessoal: rever nossos esquemas de pensamento, revisar nossos modos de vida, para participar, desde agora, do despontar de uma sociedade mais justa. É igualmente neste sentido que o Papa lançou no dia 17 de maio, domingo, “um convite urgente” em favor de uma conversão que nos una” diante do desafio que nos concerne a todos nós.
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